Setembro Amarelo: tristeza e outros sinais de sofrimento emocional
Isolamento, perda de interesse por atividades, alterações no sono ou apetite, irritabilidade e desesperança podem ser sinais de que algo não vai bem e merece atenção
Crédito: Giordano Bruno
A rede de saúde mental de Belém oferece acolhimento e acompanhamento a pessoas em sofrimento psíquico
Durante a campanha Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) reforça que reconhecer mudanças de comportamento é um passo importante para o autocuidado. Falar sobre saúde mental de forma responsável, oferecer uma escuta acolhedora e sem julgamentos e conhecer os serviços disponíveis na rede de saúde podem ajudar pessoas em sofrimento a encontrar apoio.
Cuidado que acolhe
Em Belém, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece diferentes possibilidades de cuidado em saúde mental. A população que procura uma Unidade Básica de Saúde (UBS), encontra uma das portas de entrada para o atendimento, onde é realizado o acolhimento e a avaliação das necessidades apresentadas.
A partir dessa avaliação, a equipe acompanha o caso na Atenção Primária à Saúde ou, quando identificada a necessidade de atendimento especializado, articula o cuidado com outros serviços da rede, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os locais oferecem grupos terapêuticos, cinema, oficinas de arte, lanches coletivos, entre outras atividades.
O atendimento é realizado por equipes multiprofissionais e considera as necessidades e o contexto de vida de cada pessoa, buscando garantir cuidado integral e contínuo, fortalecer vínculos e promover autonomia e qualidade de vida.
É o caso do Marcelo Mesquita, usuário do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), que encontrou no atendimento profissional um espaço de escuta e apoio durante um período de sofrimento.
“Eu cheguei aqui mal pelo álcool e pelas drogas. Hoje, estou fazendo um tratamento individualizado e humanizado, e isso mudou a minha vida. Aqui, ninguém é obrigado a permanecer ou fazer algo contra a vontade. A pessoa é acolhida, acompanhada por uma técnica de referência e recebe atendimento de acordo com as próprias necessidades, com psicólogo, psiquiatra e outros profissionais. É um lugar que eu indicaria para outras pessoas que precisam de ajuda. O CAPS mostra que é possível buscar tratamento de forma livre, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa”, relata Marcelo.
Por que falar sobre saúde mental?
Alguns transtornos mentais, como o transtorno depressivo maior e o transtorno bipolar, estão associados a um maior risco de comportamento suicida, especialmente em períodos de maior intensidade dos sintomas. No entanto, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e não pode ser explicado apenas pela presença de um transtorno mental. Fatores individuais, familiares, sociais e relacionados ao contexto de vida também podem estar envolvidos.
Por isso, mudanças persistentes no comportamento, isolamento, desesperança, sofrimento emocional intenso ou falas relacionadas à morte e ao desejo de não viver não devem ser ignorados. Nessas situações, oferecer escuta e acolhimento e incentivar a busca por apoio profissional são atitudes importantes.
Crédito: Érica Lobato
Eluana Carvalho alerta para a importância de um cuidado que considere cada pessoa e seu contexto de vida.
“Quando falamos em Setembro Amarelo, é importante compreender que o sofrimento em saúde mental pode se manifestar de diferentes formas e não deve ser entendido apenas como uma questão individual. As condições de vida, as desigualdades sociais, as violências, as relações de trabalho, as dificuldades de acesso a direitos e as transformações nos territórios também podem produzir ou intensificar o sofrimento psíquico. Por isso, a prevenção do suicídio também envolve pensar nas condições coletivas que produzem saúde e sofrimento. O cuidado precisa ser intersetorial, articulando saúde, assistência social, educação, meio ambiente e outras políticas públicas. Em Belém, buscamos fortalecer uma rede que acolha as singularidades e compreenda o contexto social, familiar, comunitário e ambiental de cada pessoa, promovendo cuidado, proteção, autonomia e qualidade de vida”, destaca a Coordenadora da Referência Técnica em Saúde Mental da Sesma, Eluana Carvalho.
Atenção aos sinais
Crédito: Giordano Bruno
Carolina Pinheiro orienta sobre sinais de alerta e a importância da escuta acolhedora para quem está se sentindo só em um momento de desespero.
De acordo com a gerente do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), Carolina Pinheiro, alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem e começam a interferir na rotina.
“Alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem e começam a interferir na rotina, como isolamento, perda de interesse por atividades, alterações no sono ou no apetite, irritabilidade, desesperança e mudanças importantes no comportamento. Nesses momentos, é importante não julgar nem minimizar o que a pessoa está sentindo. Uma conversa acolhedora pode ser o primeiro passo para incentivar a busca por ajuda profissional”, orienta a profissional.
Familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas também podem contribuir para perceber mudanças e incentivar a busca por atendimento. Escutar sem julgamentos e demonstrar disponibilidade são atitudes importantes diante de alguém em sofrimento.
“Hoje eu faço acompanhamento com o psiquiatra aqui e uso a medicação prescrita para o meu tratamento. Tenho depressão, ansiedade e, antes, era uma pessoa muito nervosa, ciumenta e inquieta. Eu não conseguia parar para conversar ou conviver bem com as pessoas. O atendimento no CAPS AD tem melhorado muito a minha vida. Aqui eu aprendo a ouvir as orientações e a colocá-las em prática. Com as terapias e as atividades em grupo, estou aprendendo muito, inclusive a lidar com a solidão e a ter mais controle sobre mim mesmo”, conta Dalmo.
Onde buscar ajuda
Em casos de necessidade de acolhimento, orientação, avaliação e acolhimento em saúde mental em Belém, a população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para consulta e encaminhamento para outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial, de acordo com o que for identificado no usuário.
Em situações de crise ou risco imediato, é importante procurar o serviço de urgência e emergência mais próximo ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
O Setembro Amarelo amplia o debate sobre saúde mental e reforça que o cuidado começa também pela atenção aos sinais, pela escuta e pelo acolhimento. Reconhecer o sofrimento e procurar ajuda profissional são passos importantes para quem precisa de cuidado.
Unidades para apoio
Unidades Básicas de Saúde (UBSs): acolhimento, orientação e avaliação inicial.
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): acompanhamento especializado em saúde mental, conforme a necessidade de cada usuário.
Situações de urgência e emergência: procurar o serviço de emergência mais próximo ou acionar o Samu, pelo 192. Em situações que demandem atendimento do Corpo de Bombeiros, o número é 193.