UBS Fluvial leva atendimento de saúde à Ilha Nova

Unidade já atendeu mais de 2 mil pessoas em diferentes ilhas de Belém com consultas médicas e de enfermagem, vacinação, acompanhamento de hipertensão e diabetes e orientações de prevenção, aproximando os serviços do SUS dos moradores das comunidades ribeirinhas

Crédito: Jonas Vila

UBS Fluvial leva atendimento de saúde para comunidades ribeirinhas de Belém, aproximando consultas, vacinação e ações de prevenção dos moradores das ilhas.

O rio faz parte da rotina de quem vive nas ilhas de Belém e, para muitos moradores, também pode representar uma barreira para acessar serviços de saúde. Por isso, a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBS Fluvial) é estratégica para garantir atenção básica para mais perto da população ribeirinha. Foi o que ocorreu nesta sexta-feira (4), na comunidade Menino Deus, na Ilha Nova, onde mais de 20 moradores receberam consultas, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e ações de educação em saúde no espaço Menino Deus.

Crédito: Jonas Vila

Profissionais da UBS Fluvial orientaram moradores para prevenção e controle da hipertensão e do diabetes.

Moradora da Ilha Nova, Rejane Almeida da Silva, 54 anos, convive com diabetes e acompanha a própria saúde por meio da unidade fluvial. Para ela, ter os profissionais mais próximos de casa tornou o cuidado mais acessível e reduziu a necessidade de deslocamentos.

“Eu gosto muito porque a gente não precisa sair daqui para procurar atendimento. O médico atende a gente, orienta e encaminha para os exames quando precisa. Para nós, que moramos aqui na ilha, isso facilita muito”, garantiu Rejane.

Crédito: Jonas Vila

Moradora da Ilha Nova, Rejane recebe acompanhamento e tratamento para diabetes sem ter que ir para longe de casa.

Saúde onde o morador está

A UBS Fluvial funciona como uma unidade básica de saúde adaptada à realidade das comunidades que vivem nas ilhas. A estrutura oferece consultas médicas e de enfermagem, vacinação, acompanhamento de pacientes e ações de educação em saúde, com a atuação de profissionais de diferentes áreas. Só este ano, já atendeu mais de duas mil pessoas em diversas ilhas da capital.

Entre as localidades atendidas estão Ilha Nova, Tijutuba, Ilha Longa, Paquetá e Uruboca. Os moradores podem chegar até a unidade em pequenas embarcações, como rabetas, e recebem os atendimentos dentro da própria UBS Fluvial.

Para o médico Belmiro Vinente Neto, que atende na unidade, a iniciativa coloca em prática o princípio da equidade do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando as dificuldades específicas enfrentadas pela população ribeirinha.

“A população ribeirinha enfrenta uma vulnerabilidade social e uma dificuldade de acesso muito grande, principalmente pela distância. Então, levar o serviço até essas comunidades faz toda a diferença”, explicou o médico.

Crédito: Jonas Vila

O médico Belmiro Vinente etende o trabalho da UBS Fluvial como uma forma de ampliar o acesso à saúde nas comunidades ribeirinhas.

Menos deslocamento e mais acesso

Para quem vive nas ilhas, chegar a um serviço de saúde pode depender de embarcação disponível, horário, condições da maré e distância. Antes da presença da UBS Fluvial, moradores precisavam se deslocar para outros pontos da rede em busca de atendimento.

A professora Regina Ribeiro, 55 anos, moradora da Ilha Nova, conhece essa dificuldade. Antes da unidade chegar à comunidade, ela precisava ir até Cotijuba e nem sempre conseguia atendimento.

“Antes eu perdia muito tempo indo até o posto em Cotijuba. Tinha que chegar cedo, fazer o agendamento e, às vezes, não conseguia vaga. Dependendo da maré, também era difícil conseguir transporte. Hoje, com a UBS aqui, ficou muito mais fácil”, relatou a professora.

Crédito: Jonas Vila

Regina mora na Ilha Nova e relata que a UBS Fluvial facilitou o acesso aos serviços de saúde e reduziu a necessidade de deslocamentos.

A presença da unidade também permite que o acompanhamento ocorra de forma mais próxima e contínua, sem que o morador precise deixar a comunidade sempre que necessita de um atendimento básico.

Hiperdia leva orientação para a rotina das famílias

Entre as ações realizadas pela equipe está o Hiperdia, voltado ao acompanhamento de pessoas com hipertensão e diabetes. A atividade combina atendimento e educação em saúde, com orientações sobre alimentação, uso correto dos medicamentos e cuidados necessários para o controle das doenças.

Crédito: Jonas Vila

Profissionais de saúde orientam moradores sobre alimentação adequada e cuidados necessários para o controle da hipertensão e do diabetes.

A equipe procura relacionar as recomendações profissionais aos hábitos alimentares e à rotina dos moradores, ajudando a transformar a informação em cuidado no dia a dia.

Para Regina, esse tipo de orientação é importante porque ajuda os pacientes a entenderem como os hábitos cotidianos podem interferir no controle da pressão arterial e diabetes.

“A gente precisa saber como se alimentar melhor e equilibrar o que come. Essas orientações ajudam a gente a cuidar da pressão e também da diabetes”, afirmou Regina.

Vacinação chega às comunidades

A vacinação também faz parte da rotina da UBS Fluvial. A equipe disponibiliza os imunizantes previstos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e acompanha a situação vacinal dos moradores.

Crédito: Jonas Vila

Criança recebe vacinação durante atendimento da UBS Fluvial, que leva imunização e outros serviços de saúde para moradores das comunidades ribeirinhas.

Quando necessário, os profissionais também deixam a embarcação para chegar até as residências. A estratégia é importante, principalmente para pessoas que, por alguma limitação, não conseguem se deslocar até o ponto de atendimento.

O técnico de enfermagem Everton Bandeira, responsável pela vacinação na unidade, destaca que a logística nas ilhas exige uma organização diferente, mas o objetivo é garantir que os moradores tenham acesso à imunização.

“A gente trabalha para que ninguém fique sem acesso às vacinas. Quando identificamos alguém com alguma dose pendente e que não consegue chegar até a unidade, a equipe se organiza para fazer esse deslocamento e levar a vacinação até o morador”, detalhou o enfermeiro.

Crédito: Jonas Vila

O técnico em Enfermagem Everton Bandeira é responsável pela vacinação na UBS Fluvial e acompanha a situação vacinal dos moradores atendidos pela unidade.

Atendimento adaptado à realidade ribeirinha

A rotina da UBS Fluvial é planejada de acordo com a localização das comunidades e com a necessidade de deslocamento da equipe. A unidade atende diferentes regiões das ilhas e mantém um cronograma para garantir que os serviços cheguem aos moradores.

A técnica em Enfermagem Eliane Santana Carbusso, 52 anos, explica que o trabalho permite levar a atenção básica para uma população que, anteriormente, enfrentava mais dificuldades para ter acesso aos serviços.

“Antes, era muito difícil trazer a atenção básica para essas comunidades, porque os moradores precisavam sair das ilhas para buscar atendimento. Hoje, conseguimos trazer esse cuidado para mais perto da realidade deles e facilitar esse acesso”, destacou.

Crédito: Jonas Vila

A técnica de enfermagem Eliane Santana Carbusso explica como a equipe organiza o atendimento da UBS Fluvial para alcançar diferentes comunidades das ilhas de Belém.

Além do atendimento realizado na própria embarcação, a equipe também acompanha moradores que não conseguem chegar até a unidade.

O SUS que atravessa o rio

Para os profissionais que atuam na UBS Fluvial, levar a atenção básica às ilhas significa adaptar o serviço à realidade de uma população cuja rotina depende diretamente do rio.

A unidade não apenas transporta profissionais e equipamentos. Ela também cria uma relação mais próxima com os moradores e amplia a presença do SUS em territórios onde o deslocamento pode ser um dos principais obstáculos ao atendimento.

Crédito: Jonas Vila

Mesmo após chegar de barco à comunidade, profissionais da UBS Fluvial seguem de rabeta para alcançar moradores e garantir que o atendimento chegue onde for necessário.

“Na ilha, o rio é a nossa rua. A saúde precisa fazer parte do cotidiano das pessoas e não ficar presa às paredes de um prédio. Quando a gente chega até essas comunidades, consegue transformar o acesso em cuidado de verdade”, ressaltou Belmiro.

A UBS Fluvial funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e atende moradores de diferentes comunidades das ilhas de Belém.

Como funcionam os atendimentos

O trabalho segue um sistema de rodízio para ampliar a cobertura territorial: a equipe permanece duas semanas em uma região e, nas duas semanas seguintes, segue para outra área, permitindo que diferentes comunidades sejam contempladas ao longo do mês.

Além das consultas e ações realizadas na embarcação, uma vez por semana a equipe realiza visitas domiciliares, principalmente para moradores que não conseguem se deslocar, como pessoas acamadas ou com limitações de mobilidade.

Serviços oferecidos

  • Consultas médicas;
  • Consultas de enfermagem;
  • Vacinação;
  • Acompanhamento de hipertensão e diabetes;
  • Ações do Hiperdia;
  • Educação e orientação em saúde;
  • Acompanhamento multiprofissional;
  • Visitas domiciliares;
  • Ações de prevenção e promoção da saúde.

A equipe conta ainda com profissionais de diferentes áreas, como farmacêutico, nutricionista, psicólogo, sanitarista e fisioterapeuta, fortalecendo o cuidado integral oferecido às comunidades ribeirinhas

Texto: Jonas Vila, estagiário sob supervisão da Ascom/Sesma

Última edição por: Tânia Menezes

Compartilhe: 

Veja também

Pesquisar