Belém voltou a ocupar espaço de destaque no circuito nacional das artes, com a abertura ao público da 36ª Bienal de São Paulo, no Museu de Arte de Belém (Mabe), localizado no Palácio Antônio Lemos. O primeiro dia da mostra, na sexta-feira (25), foi marcado por grande movimento de visitantes, entre moradores da capital, estudantes, turistas e pessoas interessadas em conhecer as obras e as diferentes linguagens da arte contemporânea.
Com o tema “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, a exposição apresenta trabalhos que estimulam o público a refletir sobre os caminhos percorridos pelas pessoas, os encontros entre diferentes culturas, as transformações sociais e a relação com a natureza. A exposição permanece em Belém até 29 de novembro, com entrada gratuita.
Crédito: Marli Portilho/ Secom

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A realização da Bienal integra a nova programação do Mabe e marca uma nova etapa do museu, que passa por um processo de fortalecimento como espaço de preservação da memória, formação cultural e circulação de exposições. Para Belém, a presença da mostra amplia o acesso da população à produção artística contemporânea e reforça a cidade como destino de grandes eventos culturais.
Arte contemporânea dialoga com Belém
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A exposição ocupa as salas Theodoro Braga e Antonieta Santos Feio, com obras que apresentam diferentes perspectivas sobre os deslocamentos humanos e as transformações vivenciadas pela sociedade.
Para a diretora do Departamento de Museus da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), Elba Carvalho, receber a Bienal neste momento representa uma oportunidade de aproximar a população do Mabe e estabelecer uma relação entre o tema da exposição e a própria identidade de Belém.
“É uma honra receber a 36ª Bienal de São Paulo em Belém, sobretudo no nosso Museu de Arte de Belém, neste momento de reabertura e de entrega do museu para a cidade, para o povo, para quem ele realmente pertence. A exposição fala de caminhos que podem ser percorridos para além das estradas, e isso dialoga muito com Belém, uma cidade banhada pelas águas, que se desenvolveu a partir dos caminhos traçados pelos rios”, destaca Elba.
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Segundo a diretora, a mostra também convida o visitante a enxergar a arte como uma forma de viagem e descoberta.
“A arte nos propõe diversas viagens, diversos caminhos e diálogos. Por isso, receber essa exposição neste momento do Mabe é uma oportunidade muito importante para que o público vivencie tudo isso. É uma única exposição, mas com diferentes enfoques. Em uma das salas, há uma relação maior com as pessoas e seus trajetos; em outra, a questão da água e do estuário ganha mais destaque”, explica.
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Conexão com Belém
A relação entre a exposição e as características de Belém também foi considerada na concepção da itinerância. Para o cocurador da Bienal, Leonardo Matsuhei, o contexto cultural e geográfico da capital paraense estabelece uma conexão direta com as temáticas apresentadas pela mostra.
“O contexto cultural do território, o contexto geográfico de Belém, se conecta muito diretamente com as temáticas da Bienal. Então, também acho que não é só uma coincidência. Eu acho que tudo foi pensado para que faça sentido para diferentes públicos, diferentes localidades, diferentes populações.”
Ele reforça a relação entre o conceito da exposição e as características do território paraense, especialmente a diversidade cultural, os caminhos proporcionados pelos rios e a relação da população com a natureza.
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Para a coordenadora do Museu de Arte de Belém, Sanchis Santos, a escolha de Belém para receber novamente uma itinerância da Bienal também está relacionada às características culturais e ambientais da capital paraense.
“Belém foi escolhida também pela efervescência que existe na arte contemporânea, pela relação da cidade com os fenômenos da natureza e pelos rios que nos atravessam. Ter uma Bienal com dimensão internacional no Pará permite colocar esse diálogo com os artistas paraenses no mesmo patamar e ampliar a visibilidade da nossa produção”, destaca.
Público prestigia abertura
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O movimento de visitantes foi intenso no primeiro dia de funcionamento da exposição. Entre os presentes estava Kalebe Lima, 24 anos, escritor e publicitário, morador de Icoaraci, que destacou a diversidade cultural expressa nas obras.
“Estou achando muito interessante. É impressionante a multiculturalidade. A gente encontra referências da cultura norte-americana, da África, do jazz, do funk e do soul, além de trabalhos relacionados à China e ao Oriente. Essa diversidade faz a gente aprender coisas que ainda não conhece e abre portas para novas visões culturais.”
Para Kalebe, o contato com outras culturas também ajuda o público a compreender melhor a própria identidade.
“Quando vemos diferentes culturas juntas, podemos entender melhor a nossa própria cultura. Mesmo sendo uma exposição que vem de São Paulo, ela também nos mostra Belém e a Amazônia. A arte tem esse elemento de nos fazer olhar para nós mesmos a partir de outras experiências”, afirma.
A exposição também recebeu turistas que aproveitaram a passagem por Belém para conhecer espaços culturais do centro histórico. Paula Valente, 45 anos, atriz, e Raoni Seixas, 42 anos, diretor de elenco, vieram do Rio de Janeiro com os filhos Heleno, de 8 anos, e Glória, de 3 anos.
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A família chegou à capital paraense no domingo e incluiu o Mabe no roteiro de passeios. Para Paula, levar as crianças a museus e outros equipamentos culturais desde cedo contribui para ampliar o conhecimento e o contato com diferentes experiências.
“É importante começar a formação cultural das crianças desde cedo, levando para museus, teatro e cinema. É uma forma de formação intelectual e também de ampliar o olhar. A exposição é linda, e algumas obras são muito fortes. É uma experiência que vale a pena viver em família”, afirma.
Durante a viagem, a família também visitou outros pontos turísticos de Belém, como o Mangal das Garças, o Bosque Rodrigues Alves e áreas do centro histórico.
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Bienal fortalece programação do Mabe
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A chegada da 36ª Bienal de São Paulo faz parte da nova programação do Museu de Arte de Belém e contribui para ampliar a circulação de exposições de relevância nacional na capital paraense.
A iniciativa aproxima a população da arte contemporânea e cria oportunidades de encontro entre artistas, estudantes, pesquisadores, educadores, produtores culturais, turistas e visitantes. E também contribui para fortalecer o circuito cultural da cidade e movimentar atividades ligadas à economia criativa.
Além disso, a exposição estabelece uma conexão entre a produção artística contemporânea e as características de Belém, especialmente a relação da cidade com os rios, as águas, a natureza e a diversidade cultural amazônica.
Com a abertura da mostra, o Mabe passa a integrar novamente uma programação de alcance nacional, fortalecendo seu papel como espaço de acesso à arte e à cultura. A presença da Bienal também reforça a importância de Belém no cenário cultural brasileiro e amplia as possibilidades de contato da população com obras e artistas de diferentes partes do mundo.
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Serviço:
36ª Bienal de São Paulo – “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”
Local: Museu de Arte de Belém (Mabe), no Palácio Antônio Lemos
Período: 25 de setembro a 29 de novembro de 2026
Salas: Theodoro Braga e Antonieta Santos Feio
Horário: terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 9h às 13h
Entrada: gratuita