Prefeitura realiza mais uma etapa da Avaliação Belém 2026

Exames mensuram nível e evolução do aprendizado dos estudantes das escolas municipais do 1º ao 9º ano em leitura, matemática e português.

Crédito: Élida Miranda

Professora Renata Oliveira aplica a prova de leitura da Avaliação Belém para o aluno Davi de Araújo, 6 anos, do 1º ano da Escola Municipal Professora Perpétuo Socorro Jesus Figueiredo, no Tapanã

Começou nesta semana a aplicação da terceira etapa da Avaliação Belém, iniciativa da Prefeitura de Belém que tem como objetivo avaliar as aprendizagens dos estudantes do 1º ao 9º ano. A aplicação das provas para a avaliação de leitura começou na segunda-feira (28), e seguirá até 6 de outubro. Em seguida, será a vez dos alunos realizarem o exame de português e matemática.

Realizada a cada bimestre, totalizando quatro avaliações ao longo do ano letivo, os resultados das provas da Avaliação Belém geram subsídios para nortear o planejamento pedagógico das escolas, conforme explica a secretária adjunta pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Karina Portal.

“Realizamos em março a Avaliação Diagnóstica. Em junho, a avaliação que denominamos de Formativa 1 e, agora em setembro, iniciamos a Formativa 2, com a aplicação da avaliação de leitura nesta semana. Nas próximas semanas realizaremos a aplicação da avaliação de língua portuguesa e matemática. A partir das comparação dos resultados, poderemos fazer intervenções pedagógicas mais assertivas e personalizadas para superar as dificuldades dos nossos estudantes.”

A Avaliação Diagnóstica, aplicada no início do período letivo, tem como objetivo identificar a realidade do aprendizado dos estudantes naquele momento, orientando o planejamento pedagógico das escolas.

As avaliações Formativas ocorrem ao longo do processo de ensino, com a finalidade de acompanhar o progresso dos estudantes e ajustar as práticas pedagógicas em tempo oportuno.

Já a Avaliação de Saída, aplicada em dezembro, permite verificar as aprendizagens consolidadas, subsidiando análises de resultados e o planejamento do ano seguinte.

Para todas as etapas da Avaliação Belém, a Semec garante provas e metodologias adaptadas para estudantes da educação especial e inclusiva, adaptadas pelo Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie), bem como abordagens adaptadas para os alunos indígenas, imigrantes e refugiados, com a mediação dos profissionais da Coordenação de Educação Escolar para Indígenas, Imigrantes e Refugiados (Ceeiir).

Crédito: Élida Miranda

O professor Cleberson Albuquerque aplica a avaliação de leitura para o aluno André Augusto Silva, de 8 anos, estudante com autismo do 3º ano

Para formar bons leitores

Nesta semana, os alunos do 1º ao 5º ano das escolas municipais estão fazendo a avaliação de leitura, que visa diagnosticar a capacidade dos estudantes de ler palavras e textos com precisão, prosódia (leitura com expressividade, ritmo e entonação) e velocidade.

A Escola Municipal Professora Perpétuo Socorro Jesus Figueiredo, no Tapanã, mobilizou toda a equipe de servidores para realizar um “dia D” de aplicação da prova. A escola oferece Ensino Infantil e 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental. 210 alunos do Fundamental realizaram a prova na manhã desta quarta, 30 de setembro.

Uma delas foi a Ana Clara da Silva, 8 anos, do 2º ano. Ela conta que gosta de ler histórias em quadrinho, que não estava nervosa para o exame e que gostou da avaliação.

“Foi legal. Estou avançando, leitura faz bem para aprendermos coisas novas na vida”, afirmou.

Crédito: Élida Miranda

A aluna Ana Clara da Silva, do 2º ano, conta que conseguiu fazer uma boa avaliação e que não se sentiu nervosa

Realizada individualmente, a avaliação de Leitura permite construir um diagnóstico da realidade leitora de cada estudante. A diretora da Escola Perpétuo Socorro, Priscilla Moura, afirma que se trata de um norte que ajuda as escolas a entender o cenário e permitir um planejamento pedagógico com base em evidências concretas.

“As avaliações contribuem para que tenhamos um norte, ou seja, que saibamos por quais caminhos devemos percorrer para alcançarmos os níveis desejáveis de aprendizagem dos estudantes e, por consequência, bons resultados nas avaliações externas. A análise das habilidades e competências específicas dos estudantes em áreas como língua portuguesa e matemática, e a análise dos níveis de leitura, com apoio da plataforma Saev [Sistema de Avaliação Educar pra Valer, ambiente digital da Avaliação Belém da Semec], possibilita diversas formas de orientar a leitura dos resultados das avaliações.”

Crédito: Élida Miranda

A diretora da Escola Perpétuo Socorro, Priscilla Moura, diz que a Avaliação Belém oferece um norte que ajuda as escolas a entender o cenário e permitir planejamento pedagógico

Priscilla conta que, além da mobilização, a escola também planejou um dia de atividades lúdicas para os alunos enquanto aguardavam sua vez de realizar a avaliação. Também priorizaram o uso do termo “atividade de leitura”, ao invés de “prova” ou “avaliação”, para ajudar a tirar a tensão dos alunos.

Ana Beatriz Azevedo, 8 anos, aluna do 2º ano, conta que gosta de ler, especialmente contos de fadas, mas que estava um pouco nervosa antes da avaliação.

“Eu já tinha feito [provas semelhantes], mas aí como passou um tempo, eu não tinha me acostumado muito.”

Crédito: Élida Miranda

Ana Beatriz Azevedo, aluna do 2º ano, conta que gosta de ler, mas que estava um pouco nervosa antes da avaliação de leitura

Já Carlos Eduardo Antunes, 9 anos, aluno do 2º ano, disse que estava tranquilo.

“Eu já sabia ler. Gosto de ler histórias em quadrinhos.”

Avanços

Solange Souza é professora regente de uma turma de 2º ano da Escola Perpétuo Socorro. No início de 2026, quando assumiu a turma, ela lembra que os alunos não sabiam escrever o nome, não conheciam nem mesmo o alfabeto. E que mesmo antes da Avaliação Belém, ela mesma já tinha feito uma avaliação diagnóstica para conhecer o nível da turma, e se deparou com alunos desestimulados.

Crédito: Élida Miranda

Solange Souza, professora da Escola Perpétuo Socorro, aplica a avaliação de leitura para o aluno Carlos Eduardo Antunes, 9 anos, aluno do 2º ano

“Ao longo do processo, notei que a minha turma tinha uma baixa autoestima. E aí comecei a trabalhar isso com eles, estimulando em sala de aula; e posteriormente fui chamando cada um dos pais, pontuando as dificuldades dos filhos e pedindo para eles colaborarem, inclusive tendo cuidado nas falas com as crianças dentro de casa, para não desestimular. E então fui trabalhando, seguindo as orientações da nossa formação, mas também com as minhas próprias metodologias. Hoje eles já sabem ler. Têm não leitores, que são alunos novatos que entraram agora, têm leitores sem fluência, mas a maioria são leitores fluentes.”

Para a professora Solange, a Avaliação Belém é primordial para conhecer a realidade de aprendizado dos alunos.

“O percurso que segue, com a Avaliação Diagnóstica, a primeira e a segunda Formativa, e por fim a de Saída, para mim, é um processo perfeito, porque você consegue acompanhar o aluno e ver como ele sai para o próximo ano. E você também dá aquele feedback para os pais, indicando o que precisa melhorar. Então isso ajuda muito, o professor fica mais ciente do que a turma está precisando.”

Todos os alunos do 1º ao 5º ano da rede municipal de educação estão realizando a avaliação de leitura, e cada escola organiza a sua agenda de aplicação. Nas próximas semanas, será aplicada a prova objetiva de português e matemática, mas dessa vez para alunos do 1º ao 9º ano.

Crédito: Élida Miranda

Lucas Gabriel Corrêa, 7 anos, aluno do 1º ano na Escola Perpétuo Socorro, já é um leitor fluente e conta que amou participar da avaliação.

“E amei essa atividade de leitura, porque eu aprendi a ler e passei a me importar com as coisas de leitura. Eu gosto de ler, parece que nasci pra isso.” diz o estudante Lucas Corrêa, de 7 anos

A Avaliação Belém mobiliza e engaja estudantes, suas famílias, professores, gestores escolares e a Semec em torno de um objetivo central: garantir a alfabetização até o 2º ano do ensino fundamental e assegurar este direito às crianças que não foram alfabetizadas na idade prevista.

“De fevereiro a setembro tivemos mais avanços e continuaremos buscando alcançar cada estudante até o final do ano letivo, para que todos aprendam”, afirma a secretária adjunta Karina Portal.

Última edição por: Sabrina Linhares

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