Belém comemora 15 anos sem registros de filariose

Desde 2001, Belém não registra casos confirmados de filariose linfática. O município ficou por muitos anos entre as três capitais endêmicas para a doença, junto com Recife e Maceió e teve a filariose como um dos mais graves problemas de saúde pública já enfrentados. Hoje, a doença está sob controle da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde.

Os resultados sobre o trabalho de prevenção da doença foram apresentados nesta terça-feira, 17, durante a Reunião de Avaliação da Eliminação da Filariose Linfática em Belém-Pará, organizada pela Sesma para o Ministério da Saúde. O evento ocorreu no auditório da Secretaria de Estado de Obras Públicas (SEOP), com a discussão da proposta de padronização do dossiê de eliminação da Filariose Linfática, bem como das medidas de vigilância epidemiológica.

A filariose é uma doença debilitante, transmitida do homem portador de microfilárias de W.bancrofti por meio da picada do mosquito Culex quinquefasciatus para outro humano. A doença tem como principal sintoma o edema (inchaço) nas pernas, que a faz ter o nome popular de “elefantíase”.

Atualmente, a Unidade Municipal de Saúde da Marambaia possui um posto de análise e diagnóstico de casos suspeitos funcionando 24h. “Apesar de não termos mais casos da doença, temos que estar vigilantes, pois a doença ainda é endêmica em 72 países na Ásia, África e nas Américas”, explicou Orliuda Bezerra, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devs/Sesma).

De acordo com Reinaldo Braun, coordenador do Plano de Eliminação da Filariose Linfática em Belém no período de 2002 a 2004, o município chegou a ter quase 20% da população infectada pela filariose em 1952, praticamente um a cada cinco indivíduos e era muito comum encontrar pessoas já deformadas pela doença. Depois de um intenso trabalho de busca ativa de pessoas e vetores positivos para a filariose, aliado ao tratamento assistido, conseguimos, ao longo de cinco décadas, reduzir os índices de prevalência da doença a níveis em torno de zero nos dias atuais”, destacou Braun.

Contribuíram também para a erradicação da filariose a melhoria das condições econômicas da população e as obras de saneamento e manejo ambiental, como a drenagem dos canais, remanejamento de populações de áreas alagadas, recuperação de áreas degradadas através de aterros, arborização e pavimentação que são realizadas pela cidade como a macrodrenagem da bacia do Una, da bacia do Tucunduba, o canal do Benguí e a galeria da Visconde de Inhaúma.

Para a coordenadora geral de hanseníase e doenças em Eliminação do Ministério da Saúde (CGHDE/ MS), Karina Fiorillo, o trabalho realizado em Belém é um exemplo para o mundo, com destaque para o alcance do plano, que chegou a 80% da população belenense examinada e mais de 30 mil mosquitos dissecados. “O trabalho de Belém é muito interessante, com novos dados que irão compor o dossiê”, disse.

A reunião resultará em um dossiê nacional para eliminação da filariose linfática no Brasil, que será enviado pelo Ministério da Saúde à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da Organização Mundial da Saúde, para que o país seja declarado livre da filariose.

Hoje, as equipes da Sesma e do Ministério da Saúde estão realizando trabalho de campo, com visita a áreas com histórico de Filariose como Guamá, Condor, Jurunas, Terra Firme, Fátima, Pedreira, Sacramenta e Telégrafo.

Texto: Paula Barbosa

Última edição por: Agência Belém

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