Conferência Municipal de Saúde Mental é aberta com a defesa do cuidado em liberdade

A defesa por uma rede de assistência psíquica que privilegia o acolhimento, a escuta e o respeito pelo ser humano. Essa é uma das lutas dos movimentos sociais, que ganha voz na 3ª Conferência Municipal de Saúde Mental de Belém, aberta nesta sexta-feira, 27, no Centro Universitário do Pará (Cesupa), no Umarizal.

O evento é promovido pelo Conselho Municipal de Saúde de Belém, em parceria com a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).

Com o tema central “A política de saúde mental como direito: pela defesa do cuidado em liberdade, rumo a avanços e garantia dos serviços da atenção psicossocial no SUS”, a conferência reúne 200 delegados, dos quais 80 são do segmento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS); 40 são trabalhadores da saúde; 40 do segmento gestor/entidades científicas e 40 delegados natos do Conselho Municipal de Saúde.

Democratização

A Conferência de Saúde Mental é considerada um marco para Belém, já que é a primeira vez que ela ocorre em 12 anos. “Esse evento está sob a luz da atualização dos serviços de saúde mental, do fortalecimento popular e da participação social no SUS. É um espaço democrático, com a representação dos diversos setores da sociedade, como trabalhadores, gestores e, em especial, os usuários”, afirma o secretário municipal de Saúde, Maurício Bezerra.

A participação da sociedade nesse debate é crucial, em um momento em que os serviços de saúde mental vivem uma crise nacional, como avalia a psicóloga Eunice Guedes, do Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB), que participa da conferência representando o segmento dos usuários do SUS.

“Depois de mais de uma década de descaso, temos de volta esse espaço de debates pela melhoria da assistência, defendendo de forma veemente a luta antimanicomial”, afirma Eunice Guedes.

Propostas

Para a vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Danielle Cruz, é de suma importância retomar as discussões que proponham políticas públicas eficazes no âmbito da saúde mental, tanto para os profissionais da saúde quanto para a população em geral.

“A pandemia trouxe novos desafios à sociedade, sobretudo no campo emocional. Aqui é o espaço para fomentar esse debate. É a construção coletiva que traz mudanças”, assinala Danielle.

Também na conferência, indígenas warao, refugiados em Belém, participam de uma feira de artesanato, em que expõem e comercializam produtos, oportunizando a geração de renda e valorizando a cultura popular. São colares, brincos, pulseiras, bolsas e outros acessórios produzidos pela própria comunidade.

A 3ª Conferência Municipal de Saúde Mental, que tem a parceria do Cesupa, continua neste sábado, 28. A programação começa às 8h, com as reuniões dos grupos de trabalho. À tarde, a partir das 14h, haverá a apresentação e aprovação das propostas dos grupos. Às 16h30, será feita a plenária final e, em seguida, o encerramento do evento, com um cortejo cultural.

Investimentos

A Prefeitura de Belém vem reestruturando o atendimento em saúde mental, com a reforma de espaços e a abertura de novas unidades. Um desses espaços é a Casa Rua Nazareno Tourinho, especializada no atendimento de populações com maior grau de vulnerabilidade, que, entre outros serviços, oferece cuidados para a saúde emocional dos acolhidos.

Em fevereiro deste ano, a prefeitura entregou a Casa Mental do Adulto Marisa Santos, um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) tipo 3, que oferece acolhimento integral e humanizado, 24 horas.

Neste mês, foram dois novos espaços, entre eles o primeiro Ambulatório de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) de Belém, aberto na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jurunas, com uma série de serviços integrados que valorizam a cura por meio do equilíbrio psíquico.

No último dia 18, em que se comemora nacionalmente a Luta Antimanicomial, a prefeitura também inaugurou o novo Centro de Convivência e Cultura do Memorial dos Povos, ambiente destinado à comunidade para a trocas de experiências, vivências culturais, desconstrução de estigmas e preconceitos, em uma parceria com a Fundação Cultural de Belém (Fumbel).

Texto: Luiz Carlos Santos

Última edição por: Agência Belém

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