População participa de oficinas afro-amazônicas em Mosqueiro

A Praça da Matriz, em Mosqueiro, virou palco de oficinas gratuitas realizadas pela Prefeitura de Belém, a partir desta terça-feira, 27. Veranistas e moradores da ilha participaram do circuito de oficinas afro-amazônicas que está levando para o local os ensinamentos de tranças e turbantes, grafismo corporal indígena e arte circense com pernas de pau.

Outras oficinas estão sendo realizadas em diferentes pontos do distrito, com destaque à customização de confecções com tema afro, uma das mais procuradas pelo público, com aulas no Centro de Referência em Assistência Social (Cras). O circuito continua até a quinta-feira, 29.

O circuito é realizado pela Coordenadoria Antirracista (Coant), Banco do Povo de Belém e Agência Distrital de Mosqueiro. "A importância dessas oficinas é resgatar a nossa cultura afro-amazônica e também criar oportunidade de geração de emprego e renda", destaca a titular da Coant, Elza Rodrigues.

"No Governo da Nossa Gente trabalhamos de forma integrada e intersetorial. Se no desenvolvimento das oficinas surgir a possibilidade de um empreendimento individual ou coletivo, já estamos juntos para apoiar", afirma a coordenadora-geral do Banco do Povo de Belém, Georgina Galvão.

Para agente distrital de Mosqueiro, Vanessa Egla, poder colaborar com a realização das oficinas é uma grande felicidade, considerando o valor cultural e tradicional que as oficinas traduzem na programação. "Estou muito feliz por estar colaborando com a realização das oficinas, pois sabemos que esses trabalhos têm raízes históricas, de resgate de culturas importantes e que precisam ser preservadas, por meio do grafismo indígena, da trança, do turbante e de tudo que está ligado aos ancestrais da cultura afro-amazônica".

A procura pelas oficinas de tranças e turbantes e de grafismo corporal indígena extrapolou a expectativa da organização do circuito. As aulas aconteceriam somente na manhã desta terça-feira, 27, mas novas turmas foram abertas no turno da tarde para contemplar o público interessado. As inscrições para todas as oficinas foram prorrogadas e poderão ser feitas até a quinta-feira, 29. Ao final de cada oficina será emitido o certificado de participação pelo Banco do Povo de Belém.

Oficinas

A oficina de tranças e turbantes veio em boa hora para Izabel da Costa, que quer arrumar a filha em grande estilo, Wendy Costa, de 11 anos, nadadora da Tuna Luso que se prepara para disputar o campeonato brasileiro de natação, categoria Petiz Mirim (50 metros nado costas), em Roraima, no período de 20 a 21 de agosto. "Quero aprender para cuidar do cabelo da minha filha, que ficou muito estilosa", disse.

Ny Ferro, que ministra a oficina, explica que aprender a elaborar tranças e fazer turbantes é uma boa fonte de renda e que um curso como esse custa em média R$ 280,00. "O curso é muito bom por que vai formar uma pessoa que queira trabalhar em casa e, como ainda estamos em tempos de pandemia, dá pra ajudar bastante, é só fazer uns três cabelos deste por semana, que já ajuda no orçamento da casa", disse.

Já a universitária Jomara Tembé, originária dos Tembé Gurupi, na divisa com o Maranhão, está ministrando a oficina de pintura corporal indígena com tinta elaborada à base genipapo. "O nosso grafismo não é só um desenho, mas uma forma de resistência e de identificação da nossa cultura e do nosso povo", afirma. Além dos desenhos geométricos, que podem ser feitos ao valor de R$ 20, ela ensina a produzir a tinta, que fica na cor azul marinho e tem longa duração na pele.

"A oficina da customização artesanal (de confecções) ensina a elaborar peças exclusivas a partir de pequenos retalhos para criar imagens. A oficina de dança afro-brasileira, no final da tarde, vai permitir a aproximação da mística e da expressão corporal ligada a essa matriz. E temos a oficina de ervas que resgata o conhecimento ancestral das avós índias, negras, amazônicas no sentido de utilizar a natureza como medicamento para o corpo e a energia astral, comentou Elza Rodrigues, sobre outras oficinas do circuito.

A oficina de ervas será realizada das 9 às 12 horas, no Espaço Cultural Empatas Bar; e a de dança, das 17 às 19 horas, na antiga Nave do Som.

Maria Luíza Nunes, natural da comunidade quilombola Boca da Mata, de Salvaterra, no Marajó, ministra a oficina de customização. "A oficina trabalha a autoestima e a dignidade, especialmente das mulheres negras. É uma oficina que nós chamamos de pedagógica, mas também é de afeto e de memórias. Eu dou dicas e as alunas vão desenvolvendo as peças, inclusive de forma coletiva, e valorizando a costura manual.

A aposentada Márcia Campos tinha curiosidade de aprender a customização afro para repassar o ensinamento a ribeirinhos. "Estou gostando muito do curso, muito bom, a professora tem didática. É uma maneira de ampliar os meus conhecimentos e tive a oportunidade de aprender aqui na minha cidade, graças à Prefeitura de Belém".

O circuito de oficinas tem o apoio da Secretaria Municipal de Administração (Semad), Secretaria Municipal de Educação (Semec), Fundação Papa João XXIII (Funpapa) e Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém (Comus).

Circuito de Oficinas Afro-Amazônicas – Programação 27 a 29 de julho de 2021/ Mosqueiro

27/07

– Grafismo Corporal Indígena

Horário: 08 às 12h

Local: Praça da Matriz. Vila.

27, 28 e 29/07

– Customização Afro

Horário: 09h às 12h

Local: Cras de Mosqueiro

– Tranças e Turbantes

Horário: 09h às 12h

Local: Praça da Matriz. Vila.

-Ervas Medicinais

Horário: 09h às 12h

Local: Espaço Cultural Empatas Bar/Mosqueiro

– Arte Circence/Pernas de Pau

Horário: 17h às 19h

Local: Praça da Matriz. Vila.

– Dança Afro

Horário: 17h às 19h

Local: Antiga Nave do Som/Mosqueiro

Texto: Enize Vidigal

Última edição por: Agência Belém

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