Lançamento da 49ª Festa da Chiquita celebra diversidade e COP 30

Tradicional festa profana, que acontece na noite da Trasladação do Círio, o evento é apoiado pela Prefeitura. Edição deste ano lança debate sobre os impactos sociais e ambientais na vida da população LGBTQIAPN+ amazônida.

Crédito: Hugo Tomkiwitz

Performances artísticas marcaram o lançamento da 49ª Festa da Chiquita.

Na noite desta sexta-feira, 19 de setembro, o Memorial dos Povos foi palco do lançamento oficial da 49ª edição da Festa da Chiquita, uma das mais tradicionais celebrações que envolvem o Círio de Nazaré. O evento conta com o apoio da Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), e apresentou oficialmente o tema de 2025:
“Chiquita na COP30: Exclusão social – os riscos para a população LGBTQIAPN+ na Amazônia.”

Diálogo com a agenda climática e social

A Festa da Chiquita é uma celebração profana, que acontece anualmente após a trasladação do Círio de Nazaré, na Praça da República, em Belém. Uma manifestação de resistência, fé e liberdade da comunidade LGBTQIAPN+ .

O tema deste ano conecta a celebração com a agenda climática da Conferência da ONU (COP30), que será realizada em Belém, em novembro. A intenção é evidenciar como as desigualdades sociais e ambientais afetam diretamente a população LGBTQIAPN+ na região amazônica — que muitas vezes é a primeira a sentir os impactos e a última a ser acolhida.

“O objetivo é mostrar que enquanto discutimos o futuro do planeta, também precisamos olhar para quem está à margem dessas decisões. A Festa da Chiquita é um grito de alerta sobre essas exclusões. Apoiar a Chiquita é afirmar que cultura, inclusão e justiça social andam juntas. É um compromisso da gestão com as causas que realmente representam o povo e suas diversidades”, afirma o superintendente da Semcult, Aiuá Reis Queiroz.

“Estamos abrindo as comemorações do Jubileu de Ouro da Chiquita. Este ano, além de lançar nosso novo mascote e logomarca, decidimos dialogar diretamente com a COP 30, trazendo uma provocação importante sobre os impactos climáticos na vida da comunidade LGBTQIA+”, complementa Eloi Iglesias, artista e cofundador do evento.

A história por trás da tradição

Criada em 1978 pelo sociólogo carioca Luís Bandeira, a então “Filhas da Chiquita” nasceu como um bloco de Carnaval, e se consolidou como manifestação cultural, política e afetiva sob a direção de Eloi Iglesias, um dos grandes nomes da cultura e da militância LGBTQIAPN+ na Amazônia.

“É uma festa para todas as pessoas. Não importa a classe social, a religião, a orientação sexual. É um convite ao encontro, à alegria e ao respeito. Nós temos direito à fé, à cultura, ao amor – e também ao espaço público”, reforça Eloi.

Noite de celebração e arte no Memorial dos Povos

Com entrada gratuita, o lançamento oficial da Festa da Chiquita 2025 contou com uma programação diversa e vibrante. A noite teve roda de carimbó, desfile do “Garoto Chiquito”, concurso “Drag da Chiquita” e performances de símbolos da cena drag local. A ansiedade pela Festa já é compartilhada pelo público.

“A gente sempre ouviu falar da Chiquita, e agora vamos participar pela primeira vez. É mais do que uma festa, é um momento de afirmação, de estarmos juntos com orgulho. Estamos ansiosos pelo grande dia”, declarou o casal Gabriel Cruz, 29 anos, e Gustavo Wallace, 25.

Já o casal Antonela Reis, 45, e Daniel Prestes, 46, frequenta o evento há mais de 20 anos e hoje também faz parte da produção. “É um orgulho imenso estar do outro lado, agora ajudando a construir essa festa que sempre nos acolheu. A Chiquita é história viva, é resistência e afeto”

Reconhecimento e Patrimônio Cultural

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Festa da Chiquita foi homenageada em 2025 com o 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, como uma das expressões culturais mais relevantes da Região Norte.

Essa conquista reafirma o valor histórico, artístico e social do evento, que há 49 anos ocupa as ruas de Belém com cor, música e irreverência, sempre na véspera do Círio de Nazaré – fortalecendo o diálogo entre tradição religiosa e diversidade cultural.

Rumo aos 50 anos com ainda mais visibilidade

Com o lançamento da 49ª edição, a Chiquita se prepara para comemorar meio século de existência, em 2026. E em 2025, será um dos destaques culturais da COP 30, prometendo dar ainda mais visibilidade à luta LGBTQIAPN+ na Amazônia.

A Festa da Chiquita 2025, às vésperas da COP 30, promete mais do que festa: será um manifesto coletivo por justiça social, ambiental e cultural.

“A gente faz luta com fervo. E é isso que a Chiquita representa”, finalizou Eloi.

Última edição por: Syanne Neno

Compartilhe: 

Veja também

Pesquisar