Pequenos ‘embaixadores’ participam de formação sobre clima

Evento realizado pela Prefeitura de Belém em parceria com o UNICEF reuniu crianças e adolescentes da rede municipal de Educação e discutiu propostas que resultarão em uma Carta dos Embaixadores de Belém pelo Clima

Crédito: Luís Miranda

Organizada pela Prefeitura com apoio do UNICEF, a formação conecta as vozes das crianças da Amazônia à de todas as crianças do mundo e faz parte da Política de Meio Ambiente da Educação Municipal.

Na sexta-feira (17), 32 estudantes eleitos Embaixadores do Meio Ambiente das escolas municipais de Belém participaram de uma formação sobre mudanças climáticas, realizada na Casa da ONU em Belém. A programação foi organizada pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A iniciativa integra a Política Municipal de Educação Ambiental, considerada uma das prioridades da política pedagógica da rede. Segundo Beatriz Morrone, secretária executiva pedagógica da Semec, o objetivo é “fomentar nas escolas práticas voltadas à sustentabilidade, à cidadania ambiental e à educação climática, bem como formar lideranças estudantis engajadas na defesa do planeta”.

Durante o evento, os embaixadores foram divididos em dois grupos. O primeiro, formado por estudantes de 6 a 10 anos, participou das atividades pela manhã, que incluíram diálogo sobre mudanças climáticas e o Balanço Ético Global (BEG). O BEG é uma iniciativa liderada pela presidência da COP-30 e pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que convida os participantes a repensarem modos de vida, relações e o futuro coletivo a partir da ética, entendida como parte essencial da resposta à crise climática. Ao final da manhã, os Embaixadores reuniram contribuições e ideias para o enfrentamento da crise climática.

Crédito: Luís Miranda

Durante o evento, os estudantes Embaixadores puderam apresentar propostas e discutir soluções para a crise climática no planeta

Entre as participantes, Fernanda Silva, estudante do 5º ano da Escola Municipal Walter Leite Caminha, destacou a importância do compromisso coletivo com o meio ambiente. “Temos que olhar as pessoas de maneira igual. Eu sou uma pessoa e você também é uma pessoa. Precisamos ter consciência de que, trabalhando juntos, teremos um planeta melhor para nós e para as futuras gerações”, afirmou.

Crédito: Luís Miranda

A estudante Fernanda Silva, 11 anos , do 5⁰ da Escola Walter Leite Caminha, acredita que a união de todos os povos pode salvar o planeta

Para Mariana Buoro, a parceria com a rede de Embaixadores do Meio Ambiente da Semec “é uma forma de fortalecer esses meninos e meninas potentes de Belém como participantes ativos na reflexão sobre o futuro que queremos construir coletivamente”.

Crédito: Luís Miranda

A programação da manhã, voltada para crianças de 6 a 10 anos, foi mediada por Mariana Buoro, oficial de Clima e Meio Ambiente do UNICEF, e por Beatriz Morrone, secretária executiva pedagógica da Semec

Simulação da ONU

Durante a tarde, a programação continuou com o segundo grupo de Embaixadores, formado por estudantes de 11 a 14 anos, que também participaram de discussões sobre meio ambiente e mudanças climáticas.

Crédito: Élida Miranda

Embaixadores assumiram o cargo de chefes de Estado e, a partir das experiências locais, debateram soluções para o meio ambiente no mundo.

A dinâmica seguiu o Modelo das Nações Unidas (popularmente chamado de Simulação da ONU), uma metodologia ativa de ensino em que os estudantes ocuparam cargos de chefes de Estado, dialogando sobre problemas que afligem o mundo e propondo soluções. Foi uma espécie de “mini COP”, onde os estudantes conectaram as suas experiências cotidianas com os assuntos levantados para discussão.

Crédito: Élida Miranda

Durante os debates, os estudantes Embaixadores receberam apoio dos voluntários do Grupo de Estudos em Geopolítica e Economia Global (GECON), da UFPA

Segundo Geovana Sampaio, coordenadora de Advocacy do Grupo de Estudos em Geopolítica e Economia Global (GECON), da Universidade Federal do Pará, que conduziu a simulação, toda essa prática está em diálogo com as competências da Base Nacional Comum Curricular. “Essa prática possibilita que temas transversais que dificilmente circulam no debate escolar, possam ser refletidos pelos jovens, mas não de modo passivo. Ao contrário, ela envolve os estudantes de forma ativa para correlacionarem o que já estudaram na sala de aula com a realidade em que estes se inserem”, explica Geovana.

Crédito: Élida Miranda

Segundo Geovana Sampaio, do GECON-UFPA, a metodologia do debate simula uma”mini COP”, ou seja, os estudantes participaram ativamente das discussões

A estudante do 7º ano da Escola Municipal Alzira Pernambuco, Aimee Rocha, de 13 anos, comenta que essa atividade é de grande importância para os jovens fazerem ouvir sua voz, dizer o que pensam e suas ideias. “Através desse projeto, muitos jovens podem dar suas ideias sobre como cuidar do meio ambiente, proteger nossos animais, a nossa fauna, a nossa flora. É extremamente empolgante, nos dá mais vontade de participar, um impulso maior de dizer o que pensamos”, afirma a aluna.

Crédito: Élida Miranda

Para Aimee Rocha, da Escola Alzira Pernambuco, o debate é de grande importância e ela e sua colega embaixadora da mesma escola já realizam ações para conscientizar os colegas sobre o meio ambiente e o clima

Após a simulação da ONU, os estudantes debateram sobre os temas que acham relevante apresentar numa carta que será redigida por eles e entregue à presidência da CO-P30, junto com as propostas de outras crianças, adolescentes e adultos do mundo todo. Um grupo de trabalho foi formado para a produção dessa carta, que vai contemplar os temas do desmatamento, alimentação e saúde, resíduos, saberes da população e rios.

Crédito: Élida Miranda

Um grupo de trabalho foi criado para redigir a Carta dos Embaixadores de Belém pelo Clima, que será entregue à presidência da COP30

Com esse diálogo, Belém conecta as vozes das crianças e adolescentes da Amazônia ao mundo, integrando uma série de debates realizados em diversos países do Norte e do Sul Global. A proposta reforça a convicção de que as crianças não são apenas vítimas da crise climática, mas também agentes de transformação.

Colaboração de Luís Miranda

Última edição por: Syanne Neno

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