Bole-Bole é tetracampeã do Carnaval exaltando a fé e cultura popular

Comunidade do Guamá, bairro da Escola campeã, fez a festa na Aldeia Amazônica com o tetracampeonato da Bole-Bole. Embaixada do Império Pedreirense e Quem São Eles levaram o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Crédito: Paula Lourinho

Paulo Alcântara, presidente da Bole-Bole, levantou o troféu de tetracampeã do Carnaval

A Escola de Samba Bole-Bole é a grande campeã do Carnaval 2026! A consagração veio após a apuração das notas do Grupo Especial, realizada na noite dessa terça-feira (3), na Aldeia Amazônica, encerrando com emoção mais uma etapa do CarnaBelém. Com o resultado, a agremiação conquistou o tetracampeonato do Carnaval belenense.

Os jurados avaliaram os quesitos bateria, enredo, samba-enredo, alegoria, fantasia, evolução, harmonia, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, além de porta-estandarte. A Bole-Bole arrancou nota dez em quase todos os quesitos, levando a torcida ao delírio na arquibancada a cada nota anunciada.

Os desfiles das escolas de samba de Belém e a apuração integram a programação do CarnaBelém 2026, organizado pela Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Enredo de fé e ancestralidade

Crédito: Paula Lourinho

Para o presidente da Bole-Bole, Paulo Alcântara, o tetracampeonato tem um significado especial

A escola campeã levou para a avenida o samba-enredo “Mãe Josina do Guamá: o solo sagrado da cultura popular”, uma homenagem à líder religiosa Mãe Josina de Averequete,fundadora do terreiro mais antigo de Belém e símbolo da ancestralidade afro-paraense. O desfile exaltou a força da cultura popular e a resistência das tradições de matriz africana na capital paraense.

Crédito: Bruno Carachesti

A Bole-Bole levantou a Aldeia Amazônica com um desfile contagiante

GALERIA DE IMAGENS: Confira alguns dos melhores momentos do desfile da Bole-Bole

Para o presidente da Bole-Bole, Paulo Alcântara, a vitória tem um significado especial.

São 42 anos de Carnaval da Bole-Bole. São sete títulos no primeiro grupo, e essa caminhada é emocionante de chegar até aqui. A Bole-Bole é isso, é emoção o tempo todo, com chuva, sol, o que vier, a Bole-Bole vai sempre estar lá celebrando”, comemorou.

A torcida que acompanhou toda a apuração na arquibancada explodiu em emoção com o resultado. “O coração está em êxtase. Nós desfilamos embaixo de uma chuva torrencial e isso, ao contrário de nos esmorecer, fez com que a escola ficasse mais empolgada”, afirmou a passista Jéssica Cantuária.

Classificação final

O segundo lugar ficou com a escola de samba Associação Carnavalesca Social Beneficente Embaixada do Império Pedreirense, que apresentou o samba-enredo “Xapuri, Pará, Paris, ulalá mon chéri – A Embaixada canta Nazaré Pereira”. O desfile homenageou a cantora paraense Nazaré Pereira, destacando sua trajetória e a contribuição para a cultura amazônica.

A terceira colocação foi conquistada pela Escola Quem São Eles, com o enredo “Pelos Caminhos das Águas – Uma Odisseia Escrita Pelos Transportadores que Cruzam Rios e Mares”. A agremiação transformou a avenida em um grande rio narrativo, unindo passado, presente e futuro da navegação para contar a história de povos que aprenderam a ler o vento, a correnteza e o céu para construir civilizações e conectar territórios.

Balanço positivo

De acordo com a secretária municipal de Cultura, Raphaela Segadilha, a primeira etapa dos desfiles do CarnaBelém encerra com saldo positivo, especialmente nos quesitos segurança, sustentabilidade e representatividade cultural.

“A gente finaliza essa etapa do CarnaBelém com um saldo positivo porque, em relação à segurança, nesses dois dias não tivemos nenhuma intercorrência policial. Fizemos um Carnaval sustentável, onde todo mundo que descartou sua fantasia o fez dentro de contêineres disponibilizados para esse fim. Encerramos essa primeira etapa de forma grandiosa, com o desfile das oito escolas, numa demonstração de representatividade cultural que sentimos nos enredos, nas alegorias e nas fantasias em toda a avenida”, explicou a secretária de Cultura.

As escolas Xodó da Nega e Deixa Falar foram rebaixadas e, no próximo ano, desfilam ao lado das agremiações do segundo grupo.

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Última edição por: Syanne Neno

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