Tradição e fé marcam festa de São José no Guamá

Celebração reúne comunidade e trabalhadores há 56 anos com programação religiosa, cultural e de confraternização

Crédito: Paula Lourinho

Festividades de São José tiveram a imagem do padroeiro dos feirantes do Guamá ao lado da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré

A fé, a tradição e o sentimento de pertencimento marcam a festividade em homenagem ao Glorioso São José, padroeiro dos feirantes e açougueiros do Complexo do Guamá, em Belém, nesta quinta-feira (19). A celebração já ocorre há 56 anos e reúne trabalhadores, moradores e visitantes em uma programação que integra momentos religiosos, culturais e de confraternização ao longo do dia.

Desde as primeiras horas da manhã, o movimento foi intenso no complexo. A programação iniciou às 6h, com alvorada musical e queima de fogos, reunindo a comunidade em um clima de devoção. Em seguida, uma missa campal foi celebrada em frente ao mercado, reforçando a fé dos participantes.

Um dos momentos mais marcantes deste ano foi a presença da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, que percorreu o espaço em uma cerimônia de bênçãos aos trabalhadores e fiéis. Após a celebração religiosa, a tradicional partilha de alimentos com mingau, bolo e refeições fortaleceu o espírito comunitário da festividade. A programação também conta com apresentações culturais de grupos locais.

Crédito: Naalem Rechene

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré percorreu o complexo do Guamá durante as festividades de São José

Crédito: Sabrina Linhares/ Ascom Sedcon

São José é padroeiro dos feirantes do Complexo do Guamá

Para quem vive o dia a dia do mercado, a celebração vai além de um evento religioso. É um momento de união, renovação da fé e fortalecimento dos laços comunitários.

Crédito: Naalem Rechene

Feirantes do complexo do Guamá viveram uma manhã de homenagens e emoção

A feirante Rita de Jesus Oliveira, que trabalha há 29 anos no mercado de farinha do Guamá, destaca o significado da festividade para a comunidade. Segundo ela, São José representa não apenas os trabalhadores, mas todos os fiéis, sendo um exemplo de homem e de pai.

Rita de Jesus Oliveira trabalha há 29 anos no mercado de farinha do Guamá e afirma que a festividade fortalece o vínculo comunitário

“A gente procura sempre renovar a fé e se unir como comunidade. A festa não é só a missa, tem também programação cultural e envolve todo o bairro. É muito gratificante ver todo mundo reunido”, afirmou.

A edição deste ano também tem um significado especial por ocorrer no espaço revitalizado do complexo, com mais conforto e acolhimento para os participantes.

A coordenadora da festividade, Dulcinéia de Oliveira Maciel, açougueira há 50 anos no local, frisa a importância desse novo momento. Para ela, celebrar em um ambiente renovado e receber a imagem peregrina torna a festividade ainda mais simbólica.

Dulcinéia de Oliveira Maciel é uma das coordenadora mais antigas da Festividade do Glorioso São José no Guamá

“Hoje temos um espaço digno, que não tínhamos antes. Isso é motivo de muita alegria. E receber a imagem peregrina é uma honra. É um momento muito especial para todos nós, porque nem sempre conseguimos estar tão próximos durante o Círio”, destacou.

A tradição é mantida com dedicação por trabalhadores que encontram na fé a força para enfrentar os desafios do dia a dia. O diretor da festividade, Raimundo Oliveira, conhecido como Dinho, reforça que a celebração representa resistência, devoção e gratidão.

Raimundo Oliveira, diretor da festividade reforça que a celebração representa resistência, devoção e gratidão

“Ser feirante ou açougueiro é uma luta diária. E em São José a gente encontra conforto. Essa festa cresce a cada ano pela fé, pela alegria e pela gratidão. É um momento muito esperado por todos nós”, afirmou.

Histórias como a do açougueiro Paulírio Geraldo Ferreira de Araújo mostram como a tradição atravessa gerações. Há 60 anos no mercado, ele mantém viva a festividade por um pedido do pai, um dos fundadores da celebração.

Paulírio Geraldo Ferreira de Araújo, filho de um dos fundadores da festividade ajuda a manter a tradição viva

“Meu pai me pediu para nunca deixar essa festa acabar. Ele dizia que São José sempre ajudou muito a gente aqui. E eu sigo esse compromisso até hoje. Ver essa tradição continuar não tem preço. É uma riqueza que a gente carrega”, conta.

A origem da festividade remonta ao fim da década de 1960, quando trabalhadores do mercado do Guamá foram chamados para participar da festividade de São Brás, no mercado de São Brás e decidiram criar a própria homenagem. Em 1970, no dia 19 de março, uma procissão percorreu as ruas do Guamá e consolidou São José como padroeiro do complexo.

Ao longo das décadas, a celebração se fortaleceu e se tornou um dos principais momentos de fé e integração da comunidade. Atualmente, a organização mobiliza cerca de 100 pessoas, entre feirantes, voluntários e representantes de igrejas do bairro. Hoje, a organização estima a participação de cerca de 300 pessoas no evento.

Mais do que uma festa, a celebração de São José no Guamá representa a identidade de uma comunidade que mantém viva a fé, a cultura e a tradição.

Última edição por: Syanne Neno

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