No mês em que o Brasil celebra a diversidade dos povos indígenas e faz memória dos seus direitos, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) realiza, juntamente com escolas municipais, o “Abril Indígena”, uma série de programações de valorização dos povos originários. Na Escola Municipal Professor Pedro Demo, em Outeiro, que concentra a maior quantidade de alunos da etnia Warao, um evento realizado na tarde desta sexta, 17, marcou a abertura do mês temático na rede municipal de educação.
Com o tema “Raízes Vivas: cultura e brincadeiras indígenas na escola”, a programação contou com momentos de reflexão e diversas atividades com a temática indígena: roda de danças, contação de histórias, oficinas de confecção de desenhos, jogos e brincadeiras. Além disso, representantes da comunidade Warao estiveram presentes no local para expor seu artesanato e para interagir com os presentes.
Crédito: Élida Miranda

Crédito: Élida Miranda

Crédito: Abelha

Crédito: Abelha

De acordo com Gizela Rocha, professora da Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR) da Semec na Pedro Demo, o Abril Indígena na escola não é apenas uma ação comemorativa, mas uma prática educativa essencial para formar cidadãos mais conscientes, respeitosos e comprometidos com a diversidade cultural.
“A realização desta programação é de grande relevância pedagógica e social, pois possibilita que os estudantes compreendam que os povos indígenas não pertencem ao passado ou ao imaginário, mas são sujeitos históricos vivos, presentes e fundamentais na construção da sociedade brasileira”, afirma a professora.
Crédito: Arquivo pessoal

Crédito: Élida Miranda

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De acordo com Manuela Porto, Diretora de Educação Básica da Semec, a realização do Abril Indígena busca atender os territórios de Belém com presença indígena, no intuito de integrar estudantes e comunidade escolar a práticas de inclusão e exaltação da diversidade. “Os principais objetivos do projeto são a valorização das culturas indígenas, o combate aos estereótipos e o fortalecimento do respeito, promovendo práticas educativas interculturais dentro das escolas”, afirma a diretora.
Desafios e acolhimento na escola
São inúmeros os desafios vivenciados numa escola que recebe alunos indígenas: as barreiras linguísticas, o preconceito, o bullying, além da vulnerabilidade social em que muitos desses estudantes se encontram.
O Abril Indígena visa enfrentar esses desafios, mas ao longo do ano outras políticas públicas da Semec ajudam a promover o acolhimento, o aprendizado e a diversidade cultural dos estudantes indígenas. Uma delas é o PAPEEI (Projeto de Acompanhamento Pedagógico a Estudantes Estrangeiros e Indígenas), realizado pela Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR).
Crédito: Élida Miranda

A CEIIR acompanha todos os alunos indígenas desde o momento em que chegam numa escola municipal, e essa assistência inclui mediação linguística, elaboração de materiais didáticos, acompanhamento de frequência escolar e do aprendizado dentro e fora de sala de aula. Além disso, são realizadas programações de combate ao preconceito, ao bullying e ao racismo indígena.
“Ao longo do ano, realizamos ações para acolher e acompanhar os estudantes indígenas. Esse trabalho começa com o acolhimento das famílias, com uma escuta atenta às suas realidades, e segue com o acompanhamento da matrícula, frequência e aprendizagem dos alunos”, explica a diretora Manuela Porto.
Crédito: Élida Miranda

Atualmente, existem alunos indígenas distribuídos em 29 escolas de Belém, tanto de etnias brasileiras, como os Galibi-Marworno, Guajajara, Hixkaryana, Moroyunas, Tembé, Tikuna, Tukano, Tupinambá e Waiwai, como os da etnia venezuelana Warao.
Só na Escola Pedro Demo, estão matriculados 50 estudantes venezuelanos Warao. A líder da comunidade Warao Beira Mar, em Outeiro, Mariluz Mariano, conta que a principal dificuldade enfrentada pelos alunos é a barreira linguística. “A principal dificuldade é o idioma, porque as crianças não conseguem entender o português. A maioria só fala nosso idioma, nosso dialeto, que é o Warao”, explica a líder.
Crédito: Élida Miranda

Mariluz conta que, no início, quando chegaram em Belém, a sua comunidade se deparou com o preconceito e a negação de direitos. “Muitas pessoas achavam que os Warao não tinham esse direito de estudar numa escola formal. A Escola Pedro Demo foi a primeira que acolheu os indígenas Warao”, relembra.
Por tudo o que passaram e ainda passam, Mariluz reconhece a importância de programações como a realizada na escola, que promovam o acolhimento, o respeito e o diálogo entre as diferentes culturas no ambiente escolar. “Para nós, Waraos, tem sido muito difícil. Mas continuamos lutando para que nossos direitos como seres humanos sejam postos e reconhecidos”, afirma.
Crédito: Élida Miranda

Além da Escola Pedro Demo, outras 7 escolas terão programação dentro dessa abordagem: Helder Fialho, Monsenhor José Maria Azevedo, Gabriel Lage, Maria Heloisa de Castro, Perpétuo Socorro de Jesus Figueiredo, Edson Luís e Ruy da Silveira Britto. Estas 8 escolas da rede estão entre as que mais possuem estudantes indígenas, tanto de etnias brasileiras como da etnia Warao (venezuelanos).