Imagem peregrina de São Sebastião de Cachoeira do Arari visita a Setur

Evento faz parte de salvaguarda da festividade do santo que é patrimônio cultural do Brasil.

Crédito: Ascom Setur

A Secretaria Municipal de Turismo (Setur) foi palco, na manhã desta sexta-feira, 15, da tradicional visita da imagem peregrina de São Sebastião, do município de Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó, que contou com o apoio da Prefeitura de Belém e marca importante capítulo no contexto da salvaguarda do título de Patrimônio Cultural do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) à festividade do santo em 2013, além de fortalecer o turismo religioso, que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano no Brasil, com destaques para o Círio de Nazaré e a festividade de Nossa Senhora Aparecida (SP).

Segundo a professora Mercês de Maria Cardoso Costa, vice-presidente da Irmandade do Glorioso São Sebastião, o apoio da Prefeitura de Belém é fundamental para manter a tradição tanto da religiosidade, quanto cultural e de intercâmbio entre a capital e o Marajó.

A peregrinação da imagem de São Sebastião se iniciou em Belém no último dia 1º e vai até o fim deste mês. A partir do mês de junho, a programação se voltará ao território dos campos marajoaras com rituais de visitação nos povoados, fazendas e casas dos devotos. A celebração final será em janeiro de 2027, em Cachoeira do Arari.

A servidora Socorro Porto recepcionou a comitiva: “É uma honra para nós, da Setur, receber a imagem de São Sebastião, reforçando intercâmbio da salvaguarda da festividade e também destacando o apoio da Prefeitura de Belém a essa festa grandiosa”

Na Setur, a imagem foi recebida pela servidora Socorro Porto, que representou a secretária Cilene Sabino. “É uma honra para nós, da Secretaria de Turismo, receber a imagem de São Sebastião, reforçando intercâmbio da salvaguarda da festividade e também destacando o apoio da Prefeitura de Belém a essa festa grandiosa”, disse, destacando ainda que sua família é devota de São Sebastião. “Estou muito emocionada porque meu pai era devoto de São Sebastião e conduzir a imagem é uma honra”, completou.

O ritual da visita de São Sebastião de Cachoeira do Arari é uma tradição religiosa típica dos campos marajoaras. A musicalidade e a reza da ladainha são ensinadas pelos mais velhos e a Irmandade se encarrega de dar continuidade. Até a imagem do santo tem formas mais robustas, imitando a força do homem marajoara.

Ao chegar ao local da visita, a imagem é conduzida e colocada num pequeno altar decorado. Foliões a recebem com a música de chegada e só depois abrem a programação oficialmente; em seguida é rezada a ladainha de agradecimento ao santo e os rituais seguem com bênçãos, ofertório e ritual de despedida.

“O santo é patrono dos criadores e protetor das farturas e das pessoas”, diz a Mercês de Maria Cardoso Costa, vice-presidente da Irmandade do Glorioso São Sebastião

A professora Mercês Costa explicou para a plateia o desenrolar do ritual e de como o apoio dos órgãos públicos é importante para a tradição não acabar. “Precisamos do apoio de todos, já que nosso trabalho da Irmandade é voluntário, mas precisamos de recursos para custear as despesas com foliões, transporte entre outros itens”, destacou a professora.

Para manter a tradição em torno do santo, a Irmandade realiza as peregrinações por Belém e território marajoara. A professora conta que nas fazendas ainda é comum São Sebastião receber animais, gado em sua maioria, como pagamento de promessas e graças alcançadas. “O santo ganha muito presente porque é patrono dos criadores e protetor das farturas e das pessoas”, conta a professora.

Santo é celebrado com gratidão pelos voluntários

Quem atua na Irmandade como voluntário tem profunda gratidão ao santo. A professora Mercês de Maria tem sua história de fé. “Eu fiquei muitos anos afastada por motivos de saúde particular e na minha família, mas graças ao meu glorioso consegui vencer a doença e estou de volta”, conta.

Já o pescador Altair Barbosa, que atua como um dos foliões da comitiva, também tem sua relação de amor com o santo. “Eu peço proteção e saúde e até agora não tenho do que reclamar, São Sebastião é muito bom para mim e minha família”, afirma o folião, que mora em Cachoeira do Arari e está na Irmandade há muitos anos. “Estamos trabalhando aqui em Belém e depois vamos seguir para peregrinação nos campos e fazendas do Marajó até o ano que vem”, completou.

Para manter a tradição do canto e música em louvor a São Sebastião, a Irmandade sempre que dispõe de recursos realiza oficinas, mas na maioria dos casos a tradição é passada de geração a geração de forma natural.

O folião Altair Barbosa conta que aprendeu a tocar e a rezar acompanhando os mais velhos e atualmente sente orgulho em ver os mais jovens fazendo parte da comitiva. “É bom porque eles aprendem rápido e podem seguir ensinando os outros”, destaca.

De acordo com a professora Mercês de Maria, a tradição necessita do apoio institucional, como o da Prefeitura de Belém, por meio da Setur, para manter viva uma tradição que reúne fé, devoção e musicalidade. “Temos despesas com os foliões que deixam suas famílias no Marajó e de transporte também, mas vamos adiante com devoção ao nosso glorioso e certos que teremos uma enorme festa em 2027”, destacou a professora.

Além de Belém, a comitiva seguirá agenda em Mosqueiro, neste sábado, 16, e após o mês de maio partirá para jornada de seis meses nos campos marajoaras e alguns municípios do arquipélago como Santa Cruz do Arari e Muaná.

Última edição por: Lilian Leitão

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