Escolas e comunidades se mobilizam contra a violência sexual infantil

No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, escolas municipais de Belém realizam programações de conscientização.

Crédito: Arquivo pessoal

Escolas de Mosqueiro se uniram em caminhada de luta contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes

No dia em que o Brasil se mobiliza em torno da campanha em defesa de crianças e adolescentes contra crimes de abuso de exploração sexual, as escolas de Belém realizam diversas ações de conscientização. Em Mosqueiro, uma caminhada envolvendo escolas municipais, órgãos públicos e entidades privadas reuniu estudantes, escolas e comunidade para levar informação e chamar atenção para esse tipo de violação de direitos nesta segunda-feira, 18.

A caminhada do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes saiu da Escola Municipal Rotary Club e foi até a Praça do Carananduba, num percurso de aproximadamente quatro quilômetros, e reuniu centenas de pessoas, entre elas integrantes de escolas municipais, estaduais e privadas, representantes da Secretaria Municipal de Educação (Semec), de órgãos de proteção dos direitos da criança e do adolescente e da Subprefeitura de Mosqueiro.

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Faixas com mensagens de conscientização foram empunhadas durante a caminhada

De acordo com a diretora da Escola Municipal Rotary Club, Eliana da Silva, esse tipo de ação é fundamental para conscientizar adultos e crianças, ainda que estas sejam pequenas, como é o caso dos estudantes da Rotary.

“A criança desde pequena precisa saber reconhecer onde pode ou não ser tocada, o carinho bom e o ruim. Além disso, é preciso conscientizar os adultos sobre os cuidados que devemos ter com as nossas crianças e a importância de sempre ouvi-las”, afirmou.

Sophia Heloá, 4 anos, aluna da Escola Rotary, participou da caminhada com a mãe, Geciane Nascimento. Para Geciane, o combate ao abuso e à exploração não é um dever apenas das famílias ou dos conselhos tutelares, mas de todos: sociedade civil, escolas, igrejas e o poder público devem estar unidos em uma rede de proteção ativa.

Crédito: Arquivo pessoal

Sophia Heloá, 4 anos, participou da programação com a mãe, Geciane Nascimento. Para a mãe, denunciar é um ato de amor e coragem e a omissão também é uma forma de violência.

“Caminhamos hoje não apenas com os pés, mas com a voz, o coração e o compromisso inabalável de proteger o nosso futuro: nossas crianças e adolescentes. A violência sexual contra os mais vulneráveis é uma realidade cruel e silenciosa que exige a atenção e a ação de toda a sociedade. O silêncio é o maior aliado do abusador. Muitas vezes, as vítimas sofrem caladas por medo, ameaças ou por não compreenderem que o que estão vivenciando é um crime, frequentemente cometido por pessoas próximas. Por isso, o principal objetivo desta caminhada é romper esse ciclo”, afirma Geciane.

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Crianças também aprenderam sobre como proteger o próprio corpo e sobre a importância de pedir ajuda

Além da caminhada, a programação contou com apresentações culturais de artistas locais, do Grupo da Terceira Idade do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) de Mosqueiro, da Escola Municipal Abel Martins e Silva, e da Escola Municipal de Educação do Campo Madalena Travassos, além de ação social com testes rápidos e vacinas.

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Estudantes aprenderam e levaram informação sobre prevenção para as ruas de Mosqueiro

Conscientização em sala de aula

Na Escola Municipal Comandante Klautau, na Sacramenta, o professor de Língua Portuguesa Carlos Santos não deixou a data passar sem levantar o debate entre seus alunos. Ele realizou uma atividade de leitura e produção textual com a turma do 5º ano, valorizando a cultura paraense e a realidade das crianças ribeirinhas.

“Inicialmente trabalhamos a leitura de um texto sobre proteção infantil nas comunidades ribeirinhas do Pará. Os alunos participaram de momentos de leitura, interpretação oral, produção textual e diálogo coletivo”, explica o professor.

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Alunos do 5º ano da Escola Municipal Comandante Klautau aprenderam sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes durante aula de Língua Portuguesa

Os estudantes também produziram frases, pequenos textos e reflexões sobre cuidado, proteção e confiança na família. “A atividade ajudou as crianças a compreenderem situações de risco e a importância de procurar um adulto de confiança. Levar esse tema para a sala de aula é fundamental. Muitas vezes, a escola é o espaço onde a criança aprende sobre proteção, respeito e segurança. Trabalhar o Maio Laranja de forma educativa, acolhedora e próxima da realidade paraense contribui para formar alunos mais conscientes, atentos e preparados para se protegerem no dia a dia”, afirma o professor Carlos.

A campanha

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, é a data que marca a campanha Maio Laranja, também conhecida como “Faça Bonito”. A campanha tem como objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

A Prefeitura de Belém realizará ainda diversas programações alusivas à campanha no decorrer do mês de maio. Na próxima sexta-feira, 22, quatro escolas do Conjunto Quinta dos Paricás, em Icoaraci, farão uma caminhada e no dia 30 ocorrerá a Grande Caminhada do Maio Laranja, reunindo diversos órgãos e secretarias municipais a partir das 8 horas, na Praça Batista Campos, em Belém.

Última edição por: Fernanda Palheta

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