Fórum em Belém debate combate à mortalidade materna

Evento reuniu cerca de 200 pessoas para discutir estratégias de prevenção, fortalecimento do pré-natal e qualificação da assistência à saúde da mulher.
Evento reuniu profissionais de saúde e representantes do poder público municipal, estadual e federal que lidam diretamente com a pauta

A mortalidade materna é considerada uma emergência de saúde pública em todo o mundo, com mais de 250 mil mortes registradas todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), cerca de 90% dessas mortes são consideradas evitáveis e têm como principais causas hipertensão, hemorragias e infecções. O levantamento aponta ainda que mulheres negras enfrentam o dobro do risco de morrer durante ou após o parto.

Em Belém, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), foram registradas seis mortes maternas em 2024, sete em 2025 e duas em 2026. Diante desse cenário, representantes do poder público municipal, estadual e federal, profissionais da saúde e mulheres participaram, nesta quarta-feira (27), do Fórum Municipal de Combate à Mortalidade Materna de Belém, realizado no auditório do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz).

Entre os temas debatidos, a realidade da mortalidade materna em Belém; as principais causas dos óbitos maternos na capital e no estado; a importância do pré-natal na Atenção Primária à Saúde; planejamento reprodutivo e sexual; investigação de óbitos maternos na rede pública; e a apresentação do fluxo de atendimento voltado ao planejamento reprodutivo e sexual.

Cerca de 200 pessoas participaram do fórum nesta quarta-feira, no auditório da Unifamaz

Para Carla Castro, 37 anos, agente comunitária de saúde (ACS) há dois anos, discutir a temática é fundamental para os profissionais que acompanham essas pacientes diariamente.

“A gente percebe que muitas mulheres não procuram a Atenção Primária. Então, acho importante que a gente esteja bem orientado para poder orientá-las nas visitas domiciliares a procurarem as unidades de saúde, realizarem o acompanhamento correto, o pré-natal, as sete consultas completas e, assim, reduzirem as gestações de risco. É importante para os ACSs e para todos os profissionais da saúde abordar essa temática”, declarou.

Para a agente comunitária de saúde Carla Castro, discutir a temática é fundamental para os profissionais que acompanham as pacientes diariamente

De acordo com Flávia Marçal, coordenadora estadual de políticas públicas para o autismo da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o evento foi relevante por tratar de um dos principais indicadores de saúde pública e de proteção à vida das mulheres.

“O Fórum Municipal de Combate à Mortalidade Materna de Belém busca fortalecer políticas públicas, qualificar a assistência à saúde da mulher e promover a integração entre gestão, profissionais de saúde e sociedade civil para reduzir óbitos maternos evitáveis no município”, destacou.

Flávia Marçal, coordenadora Estadual de Políticas Públicas para o Autismo, e Aline Gobbo, coordenadora da Referência Técnica em Saúde da Mulher da Sesma palestraram no fórum

Além de apresentar dados e cenários, o fórum também promoveu a discussão de estratégias para ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade, fortalecer a assistência humanizada durante a gestação, parto e puerpério, capacitar profissionais da rede de saúde e construir ações integradas de monitoramento e enfrentamento dos fatores de risco relacionados à mortalidade materna.

Segundo Aline Gobbo, enfermeira e coordenadora da Referência Técnica em Saúde da Mulher (RT Mulher) da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), iniciativas como essa fortalecem diretamente a assistência materno-infantil no município.

“Entre os beneficiados estão gestantes e puérperas atendidas pela rede municipal de saúde, mulheres em situação de vulnerabilidade social, profissionais que atuam na assistência materno-infantil, além de gestores e equipes técnicas da saúde pública. De forma indireta, a ação também beneficia recém-nascidos, crianças, famílias e comunidades, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde pública e da qualidade da assistência ofertada à população”, afirmou.

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Atendimento à mulher pelo SUS em Belém

Para fortalecer a assistência à saúde da mulher, a Sesma conta com a RT Mulher, estrutura responsável por estabelecer diretrizes, normas e políticas públicas voltadas à promoção integral da saúde feminina, além de organizar e qualificar a rede municipal de cuidados.

A RT Mulher atua de forma articulada com os serviços especializados do município, tendo como principal referência a Unidade de Referência Especializada Casa da Mulher (URE Mulher), além das Unidades Básicas de Saúde da Marambaia, da Providência e do Combu.

Entre os serviços ofertados estão pré-natal, planejamento reprodutivo e sexual, rastreamento de câncer do colo do útero e de mama, atendimento a mulheres em situação de violência por meio da Sala Lilás e ações de promoção da dignidade menstrual.

Para ter acesso aos serviços, basta procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência, com RG e Cartão SUS, para receber encaminhamento ao atendimento especializado.

Última edição por: Lilian Leitão

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