Conexão Cidadã leva dignidade a mais de 980 catadores em Belém

Programa amplia ações de inclusão social e cidadania de trabalhadores da reciclagem, levando acolhimento e acesso a direitos em bairros da capital.

Crédito: Lucas Damasceno

Programa é executado em diferentes bairros de Belém desde 2025

A Prefeitura de Belém, por meio do Programa Conexão Cidadã, promove nesta semana quatro ações de acolhimento e cadastro de catadores autônomos em diferentes bairros da capital paraense. Implantado em Belém em janeiro de 2025, o programa já promove mais cidadania, inclusão social e dignidade para mais de 980 catadores cadastrados até esta sexta-feira, 29, quase o dobro da meta inicial de 500 registros. A nova meta da coordenação local é alcançar mil cadastros.

Em Belém, as ações do programa são realizadas em oito territórios mapeados, com trabalho de busca ativa voltado à identificação e ao atendimento dos trabalhadores que atuam na coleta de resíduos recicláveis. Nesta semana, quatro bairros receberam a unidade móvel do Conexão Cidadã.

Na quinta-feira, 28, sete catadores foram cadastrados na rua 8 de Outubro, no bairro do Tenoné. Nesta sexta-feira, 29, a ação chega ao distrito de Icoaraci, com atendimento na rua Santa Isabel. Na segunda-feira, 25, e terça-feira, 26, as equipes estiveram na Vila da Barca e na rodovia Transcoqueiro, respectivamente.

Durante as ações, os técnicos sociais realizam escuta qualificada e identificam as principais demandas dos catadores, com o objetivo de conectá-los às políticas federais de proteção social, como o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e o Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho também fortalece o acesso à documentação, moradia, trabalho e renda.

As informações pessoais dos catadores são cadastradas em uma plataforma digital, permitindo a construção de dados que podem subsidiar futuras políticas públicas voltadas à categoria.

Ao fim dos atendimentos, os trabalhadores também recebem kits com camisa, colete e boné para auxiliar na identificação e reduzir situações de preconceito, além de luvas de proteção e garrafas para hidratação durante o trabalho.

Para Luiz Carlos, de 50 anos, morador do Tenoné e catador há quatro anos, o programa representa apoio e reconhecimento.

“É uma grande ajuda, porque tenho problemas de saúde, mas não tenho com quem contar. Como catador, ajudo a limpar a cidade, retirando muitas coisas que poderiam ir para o esgoto ou o rio”, declara.

Luiz Carlos trabalha como catador há quatros anos

Catador há mais de uma década, Cleber Cabral, de 57 anos, destaca a importância da iniciativa para garantir acesso a políticas públicas.

“O Conexão Cidadã é muito importante porque quero participar de programas sociais. Todos os dias venho do Maguari até o Tenoné catando plástico e metal. Fui informado e vim aqui me cadastrar no programa”, afirma.

Morador do bairro Ponta Grossa, no distrito de Icoaraci, Paulo Sérgio, de 64 anos, trabalha há cinco como catador e afirma que a atividade é hoje sua principal fonte de renda. Para ele, o cadastramento representa melhores condições de trabalho.

“Com essa ação, vai melhorar minha condição de trabalho como catador. Eu moro aqui a minha vida toda e esse trabalho hoje em dia me mantém financeiramente. Com essas ações poderei trabalhar de forma mais digna”, ressalta.

Com o Conexão, Paulo Sérgio acredita que seu trabalho terá mais dignidade e reconhecimento

Prefeitura e Conexão Cidadã reforçam inclusão produtiva

O Programa Conexão Cidadã é coordenado nacionalmente pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras (Ancat) e está implantado em oito capitais brasileiras. A iniciativa conta com apoio do Banco do Brasil e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Belém está entre os três municípios com maior número de cadastros do País, evidenciando o engajamento local com a iniciativa e a efetividade da atuação integrada da Prefeitura nos territórios atendidos.

Na capital paraense, a Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (Seinp) coordena a integração do programa, em cooperação com a Fundação Papa João XXIII (Funpapa), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Direitos Humanos (Semcad) e a Secretaria Executiva de Habitação.

A coordenadora do Conexão Cidadã em Belém, Yukie Almeida, explica que o cadastramento vai além do mapeamento territorial dos trabalhadores.

“Promove a inclusão social na prática e o reconhecimento, por parte da sociedade, da importância desse trabalho para a limpeza urbana. Esse avanço tem sido construído gradativamente e o impacto que já estamos gerando é um passo fundamental”, afirma.

Em Belém, a busca pelos catadores ocorre de duas formas: no centro da cidade, as abordagens são principalmente de trabalhadores em situação de rua; nos bairros mais afastados, a busca ativa é realizada principalmente em sucatas que compram os resíduos coletados.

Para ampliar a comunicação com os trabalhadores, a coordenação local também criou um grupo de WhatsApp com mais de dez catadores cadastrados, utilizado para divulgar ações de cidadania, serviços e atendimentos voltados às demandas da categoria.

O trabalho integrado da Prefeitura de Belém, por meio do Programa Conexão Cidadã, fortalece a inclusão social e produtiva dos catadores, ampliando o acesso a direitos, cidadania e melhores condições de trabalho para a categoria.

Texto: Lucas Damasceno e Bruna Mesquita, estagiária, sob orientação de Juliana Maia.

Última edição por: Fernanda Palheta

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