A fé em Nossa Senhora de Nazaré transformada em arte. Esse é o espaço Casa da Cultura, local dedicado a reunir diferentes expressões artísticas inspiradas em uma das maiores procissões religiosas do mundo. Fotografias, instalações, peças teatrais e oficinas culturais fazem parte da programação, que mergulha na devoção e na identidade amazônica ligadas ao Círio de Nazaré.
Em parceria com a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), alunos da rede municipal de ensino podem vivenciar todas essas expressões artísticas de perto. O espaço disponibiliza uma van para levar os alunos até a exposição e devolvê-los à escola, após eles participarem de diversas atividades, como conhecer a mostra, participar de experiências imersivas e de contações de histórias.
Crédito: João Vitor Santos

Inicialmente realizada apenas no mês de outubro, durante o Círio, a Casa da Cultura chega em 2026 com uma novidade: o projeto deixa de ocorrer exclusivamente durante a festividade religiosa e passa a funcionar de maneira expandida, entre os meses de maio e outubro, com dez dias de atividades mensais e temáticas diferentes a cada edição. O espaço fica na avenida Nazaré, 319.
A proposta é aproximar o público da força simbólica do Círio por meio da arte, da memória e da cultura paraense, transformando o espaço em um ponto permanente de encontro entre moradores, turistas, alunos e devotos ao longo do ano.
De acordo com a coordenadora da Casa da Cultura, Socorro Fernandes, a ideia surgiu da percepção de que o paraense vivencia o Círio muito além do mês de outubro.
“Pensamos que a Casa da Cultura pudesse se transformar em uma grande manifestação cultural relacionada ao Círio. O Círio não é apenas uma procissão que ocorre em outubro, ele é um movimento cultural que ocorre o ano inteiro”, afirma.
As mostras artísticas são organizadas a partir de temas mensais. A primeira edição, realizada entre os dias 5 e 15 de maio, trouxe o tema “Marias de Fé”, propondo um olhar sensível para mães, avós, promesseiras, trabalhadoras, cuidadoras e devotas que integram a história espiritual e afetiva do Pará.
Crédito: João Vitor Santos

Esta edição contou com a participação de 257 alunos de diferentes escolas municipais localizadas nos bairros do Jurunas, Campina e Canudos. De acordo com a coordenadora, há uma alta demanda das escolas para que os alunos participem da exposição.
“A arte amplia o nosso conhecimento e é fundamental para a educação. Muitos alunos e professores elogiam também o fato de os estudantes saírem da sala de aula e adquirirem conhecimentos em outros espaços”, diz a coordenadora.
Já a segunda edição, marcada para ocorrer de 1º a 12 de junho, terá como tema “As narrativas de fé: vozes, sabores e culturas do Círio de Nazaré”. Segundo Socorro Fernandes, a proposta é lançar um olhar profundo sobre tudo aquilo que envolve o Círio para além da procissão. Nessa segunda edição, novas escolas municipais vão participar da excursão até à Casa da Cultura.
“A temática dessa segunda edição busca valorizar as histórias, memórias, tradições e manifestações culturais que fazem do Círio um dos maiores símbolos de fé e identidade do povo paraense. As ‘vozes’ representam os testemunhos, promessas, emoções e vivências das pessoas que participam do Círio — romeiros, famílias, trabalhadores, artistas, devotos e comunidades que carregam consigo experiências marcadas pela fé e pela esperança. Os ‘sabores’ fazem referência à culinária tradicional, parte fundamental dessa celebração, como a maniçoba, o pato no tucupi e outros pratos que reúnem famílias e fortalecem laços afetivos e culturais durante o período do Círio. Já as ‘culturas’ destacam as diversas expressões artísticas, populares e religiosas presentes na festividade: música, dança, artesanato, decoração, tradições orais, cortejos e manifestações que mantêm viva a identidade amazônica e paraense”, explica Socorro Fernandes.
Na programação da segunda edição, os alunos vão conferir exposições fotográficas, instalações, experiências imersivas, oficinas de dança, gastronomia, biojoias, canto coral, apresentações de pássaros juninos, além do espaço “Bora Ler” e contações de histórias. Todas as atividades dialogam com elementos que atravessam a procissão e reforçam a dimensão cultural da celebração.
O projeto da Casa da Cultura se consolida como uma verdadeira imersão no chamado “Natal dos Paraenses”, permitindo que o público vivencie, durante vários meses do ano, a maior celebração religiosa do País e uma das maiores manifestações de fé do mundo.