Prefeitura promove ação de prevenção à violência em Outeiro

Projeto da Semu levou orientações, atividades práticas de defesa pessoal e conscientização sobre violência contra mulheres

Crédito: Marli Portilho/ Secom

Projeto Força Feminina leva orientação, prevenção e defesa pessoal a servidores e professores em Outeiro.

Em um cenário em que a violência contra a mulher ainda faz parte da realidade de milhares de brasileiras, informação, prevenção e autonomia são ferramentas fundamentais para interromper ciclos de agressão. É com esse propósito que o projeto Força Feminina, da Secretaria Municipal da Mulher (Semu), vem ampliando a atuação nos territórios de Belém e, neste Agosto Lilás, chega às mulheres do bairro Itaiteua, no distrito de Outeiro, com capacitação em defesa pessoal, orientação e conscientização sobre o enfrentamento à violência de gênero, realizadas nesta terça-feira (11), Escola Municipal Monsenhor José Maria Azevedo.

A atividade faz parte do projeto Belém por Elas: Força Feminina. A iniciativa integra a programação do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

A programação, direcionada a servidores da escola, incluiu momentos de aprendizagem, diálogo e conscientização sobre a prevenção da violência. Realizada pela Prefeitura de Belém, por meio da Semu, em parceria com a Guarda Municipal de Belém (Segbel), a ação contou com orientações sobre violência contra a mulher, instrução teórica e atividade prática de defesa pessoal.

Durante a programação, a psicóloga da Semu, Elissa Melo, conversou com os participantes sobre os diferentes tipos de violência previstos na legislação e a importância de reconhecer comportamentos abusivos antes que as situações evoluam para agressões mais graves.

Segundo a psicóloga, levar informação para dentro dos espaços de convivência é uma estratégia importante para ampliar a percepção sobre a violência de gênero.

“Muitas vezes, a pessoa consegue identificar a agressão física, mas não reconhece, de imediato, uma violência psicológica, moral, patrimonial ou sexual. Por isso, é fundamental levar informação para que homens e mulheres saibam identificar esses sinais, compreendam os direitos das mulheres e entendam que a violência não deve ser naturalizada”, afirmou Elissa Melo.

A equipe da Guarda Municipal conduziu a atividade teórica , com participação das agentes Richelle Silva e Emitchel Saraiva, que deram orientações sobre situações de risco e instruções prática de defesa pessoal.

O projeto busca fortalecer a autoestima e a autonomia das mulheres, mostrando que conhecimento também é uma ferramenta de proteção. A presença de homens na atividade também contribui para ampliar o debate e reforçar que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade.

Durante as atividades, os participantes recebem orientações para reconhecer situações de risco, identificar comportamentos que podem indicar violência e conhecer caminhos para buscar ajuda. Ao final da capacitação, as mulheres recebem certificado de participação.

Crédito: Marli Portilho/ Secom

Agentes Richelle e Emitchel conduzem instrução teórica e prática de defesa pessoal durante a capacitação.

Participantes destacam importância do aprendizado

Entre os participantes estava o professor Antônio Batalha, 48 anos. Para ele, a iniciativa contribui para ampliar o conhecimento dentro do ambiente escolar e também pode ajudar os servidores a identificar situações que precisam de atenção.

“Foi uma experiência muito importante porque nos trouxe informações que podemos levar para o nosso dia a dia. Como professores e servidores, estamos em contato direto com muitas pessoas e precisamos saber identificar sinais de violência e orientar quando for necessário. A parte prática também mostrou que a prevenção começa pelo conhecimento e pela atenção às situações de risco”, avaliou Antônio Batalha.

A merendeira Geraldina Alves, 45 anos, também participou da programação e destacou a importância de conhecer os diferentes tipos de violência e as formas de prevenção.

“Foi muito bom participar porque aprendemos coisas que muitas vezes não conhecemos no nosso dia a dia. A gente aprende sobre defesa pessoal, mas também entende que existem vários tipos de violência e que precisamos ficar atentos aos sinais. Informação dá mais segurança e ajuda a gente a saber como agir e onde procurar ajuda”, afirmou Geraldina Alves.

Projeto amplia atuação nos bairros

O Força Feminina foi criado em 2025, inicialmente com oficinas e palestras de defesa pessoal realizadas em parceria com a Guarda Municipal de Belém. Na primeira fase, o projeto esteve direcionado, principalmente, a empresas e ações relacionadas à preparação para o período da COP-30.

Em 2026, o projeto ganhou uma nova roupagem e passou a priorizar a presença em bairros com maior índice de vulnerabilidade social. A mudança amplia o alcance da iniciativa e aproxima as ações de prevenção das mulheres que vivem nos territórios onde a necessidade de informação e fortalecimento da rede de proteção é ainda mais urgente.

Desde o início do projeto, 219 mulheres já foram capacitadas nas oficinas de defesa pessoal.

Para a secretária municipal da Mulher, Carla Figueiredo, levar a iniciativa para os bairros representa uma forma de aproximar as políticas públicas das mulheres.

“O Força Feminina nasce da compreensão de que proteger as mulheres também significa oferecer conhecimento, informação e ferramentas para que elas reconheçam situações de risco e saibam como agir. Neste Agosto Lilás, estamos levando essa política para dentro dos territórios, aproximando a Prefeitura das mulheres e fortalecendo uma rede de prevenção e enfrentamento à violência”, disse a secretária.

A gestora também destacou que a defesa pessoal deve ser compreendida como uma ferramenta complementar dentro de uma política mais ampla de proteção às mulheres.

“A defesa pessoal não substitui a rede de proteção, as medidas previstas em lei ou a atuação das forças de segurança. Ela é uma ferramenta de autonomia e prevenção. Quando uma mulher conhece seus direitos, identifica os sinais de uma situação de violência e aprende estratégias para se proteger, ela passa a ter mais segurança para tomar decisões e buscar ajuda. É esse fortalecimento que queremos promover com o Força Feminina”, reforçou.

Violência de gênero exige prevenção

A importância de iniciativas como o Força Feminina ganha ainda mais dimensão diante dos números da violência contra a mulher no Brasil.

O país registrou 1.470 feminicídios em 2025, segundo dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa o maior registro desde que o feminicídio foi tipificado como crime, em 2015, e equivale a uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero.

Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou mais de 13,7 mil vítimas de feminicídio, evidenciando a persistência da violência letal contra as mulheres.

Informações do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, aproximadamente 87% das vítimas de feminicídio em 2025 não possuíam Medida Protetiva de Urgência no momento do crime. Em 13,1% dos casos, as mulheres foram assassinadas mesmo tendo uma medida judicial ativa.

Os números revelam a dimensão do desafio para a rede de proteção. Em 2025, a Justiça concedeu 621.202 medidas protetivas, enquanto cerca de 1,2 milhão de processos relacionados à violência doméstica foram registrados.

A violência também ocorre, em grande parte, dentro do ambiente doméstico. Cerca de 65% dos feminicídios acontecem na casa da vítima, enquanto companheiros ou ex-companheiros aparecem como responsáveis pela maioria dos casos.

O cenário reforça a importância de ações que atuem antes que a violência alcance níveis extremos, levando informação às mulheres e à comunidade para que sinais de abuso sejam reconhecidos e denunciados.

Defesa pessoal como ferramenta de autonomia

Para os participantes da capacitação, a atividade representa uma oportunidade de adquirir conhecimento, fortalecer a confiança e aprender estratégias que podem ser utilizadas diante de situações de risco.

Crédito: Marli Portilho/ Secom

Participantes acompanham atentamente as orientações durante a capacitação do projeto Força Feminina.

Ação não exige inscrição prévia

O projeto Força Feminina é destinado às mulheres em geral, com atenção especial às moradoras de áreas em situação de vulnerabilidade social.

Para participar das atividades, não é necessário realizar inscrição prévia. As mulheres interessadas podem comparecer diretamente ao local onde a ação estiver sendo realizada.

A expectativa da Secretaria Municipal da Mulher é ampliar o número de participantes e levar conhecimento para cada vez mais mulheres de Belém, contribuindo para o fortalecimento da autoestima, da autonomia e da capacidade de identificar situações de risco.

Agosto Lilás reforça combate à violência

A realização do Força Feminina durante o Agosto Lilás reforça a importância de políticas permanentes de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

A campanha mobiliza órgãos públicos e a sociedade durante o mês de agosto, para ampliar a conscientização sobre os diferentes tipos de violência previstos na legislação e incentivar a denúncia e a busca pela rede de proteção.

No Pará, dados oficiais apontaram uma redução de 12,28% nos casos de feminicídio em 2024 em comparação com o ano anterior. A expectativa é que ações integradas e contínuas contribuam para a manutenção de resultados positivos e, principalmente, para evitar que novas mulheres sejam vítimas da violência.

Nesse contexto, o Força Feminina soma-se a outras políticas públicas de atendimento e proteção às vítimas, como o programa Pró-Mulher Pará, que já ultrapassou 11 mil atendimentos a vítimas de violência.

Última edição por: Tânia Menezes

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