Mutirão leva inclusão e atendimento a famílias de Icoaraci

Ação reúne serviços, orientações e formação de profissionais para fortalecer a educação inclusiva na primeira infância.

Crédito: Paula Lourinho

Equipes realizam atendimento às famílias durante o Mutirão de Inclusão em Icoaraci

Garantir que crianças com deficiência tenham acesso aos serviços e ao suporte necessário desde os primeiros anos de vida é um dos caminhos para construir uma educação verdadeiramente inclusiva. Com esse objetivo, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Executiva da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi), em parceria com o Centro de Referência em Inclusão Educacional Especializada (Criee), realiza o Mutirão de Inclusão Criee Agosto Verde, entre os dias 11 e 14 de agosto.

Nesta quinta-feira (13), a ação ocorre na Escola Municipal Avertano Rocha, localizada na Rua São Roque, no bairro do Cruzeiro, em Icoaraci, reunindo atendimento às famílias e atividades voltadas à qualificação dos profissionais da rede municipal de ensino. A iniciativa percorre diferentes pontos do município para alcançar os oito distritos administrativos de Belém e aproximar os serviços especializados das famílias.

A proposta une duas frentes que se complementam: de um lado, a formação continuada dos profissionais da educação; de outro, o atendimento direto às famílias de crianças, especialmente aquelas na faixa etária de 0 a 6 anos.

Durante o mutirão, são oferecidos serviços como orientações e acolhimento às famílias, cadastro para obtenção da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Cipea), avaliações técnicas dos marcos do desenvolvimento infantil e da sensibilidade auditiva, além das ações de capacitação.

Para a titular da Sepidi, Juliana Menezes, levar esses serviços para o território é uma forma de diminuir barreiras e facilitar o acesso das famílias.

“Hoje estamos realizando um grande mutirão de inclusão que nasce de uma parceria fundamental entre a nossa rede municipal e a Coodenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa). O objetivo dessa ação é descentralizar o atendimento e cuidar das nossas crianças desde a base, no próprio ambiente escolar. Estamos reunindo serviços essenciais em um só lugar: o cadastro da Ciptea, orientações e acolhimento para as famílias, além de avaliações técnicas dos marcos do desenvolvimento infantil e da sensibilidade auditiva.”

Inclusão começa na primeira infância

A primeira infância, período que compreende os primeiros seis anos de vida, é uma fase decisiva para o desenvolvimento da criança. É nesse período que ocorrem importantes processos relacionados à aprendizagem, à comunicação, à interação social e ao desenvolvimento de diferentes habilidades.

Por isso, identificar precocemente possíveis necessidades e oferecer orientação adequada pode fazer diferença na trajetória da criança. O mutirão busca justamente aproximar esse cuidado das famílias e da escola, criando uma rede de apoio mais integrada.

“Fazer esse trabalho na primeira infância é crucial. É nos primeiros anos de vida que o cérebro tem sua maior capacidade de desenvolvimento e adaptação. Quanto mais cedo identificamos qualquer necessidade ou alteração, mais rápida e eficaz é a intervenção. Não estamos apenas facilitando o diagnóstico ou emitindo um documento; estamos mudando a trajetória de vida dessa criança, garantindo que ela cresça com o suporte certo no tempo certo”, destaca Juliana Menezes.

Segundo a secretária, a presença dos serviços no ambiente escolar também fortalece a política municipal de inclusão.

“Trazer essa estrutura para a escola municipal é facilitar o acesso das famílias, fortalecer nossa rede de ensino e fazer com que a inclusão aconteça de verdade, com prioridade absoluta para a infância.”

Avó busca carteira para o neto

Entre as famílias atendidas em Icoaraci está a de Marly Leite, 56 anos, diarista, que acompanhou o neto José Carlos Silva, de 4 anos, para solicitar a carteirinha especial do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Moradora de Icoaraci, Marly considera importante que ações como o mutirão estejam próximas das famílias e dentro dos próprios territórios.

“Para a família, ter um atendimento como esse perto de casa facilita muito. A gente consegue buscar a documentação e também receber orientação sobre os direitos da criança. É importante que essas ações continuem, porque muitas famílias precisam de informação e nem sempre sabem onde procurar.”

Para ela, a política de inclusão também representa uma oportunidade de melhorar o atendimento das crianças na escola.

“A educação ganha muito quando os profissionais estão preparados para receber essas crianças. Quando a escola entende as necessidades de cada aluno, a criança consegue aprender melhor, conviver e se desenvolver com mais segurança.”

Formação prepara profissionais da rede municipal

Além dos atendimentos às famílias, o mutirão tem como um dos pilares a qualificação dos profissionais da educação.

A formação é realizada de maneira gradual. Inicialmente, cerca de 20 profissionais, entre professores de referência e articuladores, participam de uma capacitação para a validação do Plano de Ensino Individualizado (PEI). Posteriormente, o formato será ampliado para 176 professores da rede municipal, além da equipe técnica do Criee, chegando a cerca de 200 participantes nas ações formativas.

A proposta é fortalecer a capacidade dos profissionais para acompanhar estudantes com deficiência, altas habilidades ou superdotação e TEA, tanto no atendimento educacional especializado quanto nas salas regulares.

Representando o Criee na ação, a professora Djanira Favacho ressalta que a formação é fundamental para que a inclusão ocorra no cotidiano escolar.

“A inclusão não se resume à presença da criança dentro da escola. É preciso garantir condições para que ela participe, aprenda e desenvolva suas potencialidades. Por isso, a formação dos profissionais é uma parte essencial desse processo.”

Djanira também destaca a importância de integrar escola, família e os serviços especializados.

“Quando conseguimos aproximar os profissionais, as famílias e os serviços em um mesmo espaço, fortalecemos a rede de proteção e de atendimento. Essa parceria permite olhar para a criança de forma integral e construir estratégias que respeitem as necessidades e o tempo de cada estudante.”

Atendimento descentralizado

O formato de mutirão permite que os serviços sejam levados para diferentes regiões de Belém, reduzindo a necessidade de deslocamento das famílias e ampliando a cobertura da política pública.

Os atendimentos às famílias são organizados por agendamento, permitindo melhor organização do fluxo, acolhimento e atendimento especializado. A estratégia também possibilita que as equipes conheçam de forma mais próxima as demandas de cada território.

A ação integra a programação do Agosto Verde, iniciativa voltada à valorização e à promoção de políticas para a primeira infância. A iniciativa reforça a compreensão de que uma política de educação inclusiva precisa começar cedo, considerar as particularidades de cada criança e envolver toda a comunidade escolar.

Última edição por: Lilian Leitão

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