As metas estabelecidas durante a COP 30, realizada na capital paraense, de 10 a 21 de novembro de 2025, com o objetivo de propor compromissos para um planeta mais sustentável e reduzir os efeitos das mudanças climáticas, estão sendo efetivadas de maneira prática em Belém.
Nessa segunda-feira, 17, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Seape) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), realizou o evento internacional “Diálogos estratégicos sobre políticas alimentares sustentáveis e plant-based no Estado do Pará”. O encontro reuniu representantes nacionais e internacionais para discutir caminhos para uma alimentação mais sustentável.
Crédito: Paula Lourinho

O evento ocorreu no Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e integra a campanha internacional Planet Base, documento que busca firmar acordos entre países como parte do legado da COP 30. A proposta é incentivar, na prática, a adoção de sistemas alimentares que reduzam impactos ambientais.
Segundo a assessora técnica da Semma, Bárbara Paiva, o debate sobre alimentação saudável é fundamental no enfrentamento das mudanças climáticas.
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“Existe uma correlação direta entre o aumento do desmatamento e da pecuária com a emissão desses gases. Além do desmatamento, há também a emissão que o próprio animal produz durante o processo de alimentação. Quando passamos para uma alimentação mais saudável, baseada em vegetais, contribuímos para a questão climática”, explicou Bárbara Paiva.
Bárbara acrescentou que Belém já possui projetos voltados à implantação de sistemas agroflorestais e hortas comunitárias. “A cidade já discute iniciativas para trazer esses modelos para o ambiente urbano. O evento também funciona como incentivo à adoção do veganismo como prática de vida”, destacou.
O encontro contou com a participação de representantes de diversos municípios do Pará, além de especialistas do Brasil e de países como Finlândia, Espanha e Dinamarca, que apresentaram experiências aplicadas em seus territórios para promover sistemas alimentares mais sustentáveis.
A mesa de abertura foi composta pelo superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Edson Júnior; pela representante da Prefeitura de Belém, Kathya Athayde; pela representante do governo da Finlândia, Sanni Haka; pela representante do governo da Dinamarca, Gry Bossen; e por Aline Baroni, da ProVeg Brasil.
Crédito: Paula Lourinho

Durante as palestras, especialistas destacaram que o desmatamento da Amazônia e o avanço da agropecuária são apontados como grandes responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa.
“Cerca de 75% das emissões estão relacionadas aos sistemas alimentares. Agora é hora de implementar o que foi discutido [na COP 30], como aumentar o consumo de verduras e reduzir o consumo de alimentos de origem animal. Também precisamos olhar para o produtor rural, que ainda recebe pouca atenção nesse debate”, afirmou Aline Baroni.
Ao longo do evento também foi debatida a necessidade de reduzir o consumo de carne no Brasil. De acordo com os especialistas, dietas baseadas em vegetais podem diminuir impactos ambientais e ainda contribuir para a saúde da população, já que o consumo excessivo de carne vermelha está associado a doenças como diabetes, obesidade e câncer, além de problemas como depressão e ansiedade.
Agrofloresta surge como alternativa sustentável
Crédito: Paula Lourinho

Entre as propostas apresentadas no encontro está a transição para sistemas agroflorestais. Segundo Aline Baroni, cerca de 60% das emissões totais do Brasil estão associadas à pecuária, enquanto aproximadamente 90% do desmatamento da Amazônia ocorre para a formação de pastagens.
Para a representante da ProVeg Brasil, a solução passa pela criação de políticas públicas voltadas aos microprodutores rurais. Esses produtores, segundo ela, apresentam maior capacidade de adaptação a choques climáticos, fortalecem a segurança alimentar das comunidades, ampliam a autonomia produtiva e contribuem para a redução do êxodo rural.
Além disso, a iniciativa pode estimular o empreendedorismo rural, especialmente entre mulheres e jovens. Como exemplo, Aline citou que o incentivo à produção de culturas como melancia, abóbora, feijão, milho e banana pode elevar em até dez vezes a renda de pequenos produtores já no primeiro ano de atividade.
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