Depois de dois dias de intensos debates e negociações políticas positivas para o enfrentamento da crise climática, Belém encerrou, nesta sexta-feira, 7, a Cúpula do Clima.
O evento, realizado no Parque da Cidade, foi uma prévia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada também na capital paraense, entre 10 e 21 de novembro.
A Cúpula do Clima teve a participação de 56 chefes de Estado e 143 delegações. Os debates da Cúpula definiram as diretrizes que orientarão as negociações da COP 30.
A programação desta sexta-feira, segundo e último dia da Cúpula, iniciou com a retomada da Plenária Geral, com os discursos dos líderes sobre clima e meio ambiente. Durante o dia, houve sessões temáticas sobre transição energética, os dez anos do Acordo de Paris, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para enfrentar a crise climática.
A transição energética é um dos grandes temas da COP 30. O assunto traz um dos maiores desafios das próximas décadas: transformar a forma como o mundo produz e consome energia, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e ampliando o uso de fontes renováveis.
O desafio da transição é trocar petróleo, carvão e gás natural – responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa – por alternativas mais limpas e sustentáveis, como a energia solar, eólica e hidrelétrica.
Um dos principais debates diz respeito aos dez anos do Acordo de Paris, onde mais de 100 países concordaram em buscar limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2030.
Entendendo o Acordo de Paris
O Acordo de Paris é um tratado internacional juridicamente vinculativo, adotado em 2015, que visa limitar o aquecimento global a um aumento médio de temperatura abaixo de 2°C, com esforços para que não ultrapasse 1,5°C, em relação aos níveis pré-industriais. Os países signatários se comprometem a apresentar planos nacionais de ação climática, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), e a fortalecer essas metas ao longo do tempo.
Além disso, o acordo prevê apoio financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento, o desenvolvimento de resiliência aos impactos climáticos e um sistema transparente de monitoramento de metas.
As NDCs (sigla para Nationally Determined Contributions, ou Contribuições Nacionalmente Determinadas) são o instrumento central do Acordo de Paris. Elas funcionam como uma espécie de plano de ação de cada país para conter o aquecimento global.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre
O primeiro dia da Cúpula do Clima, na última quinta (6), foi marcado pelo lançamento oficial do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma das principais iniciativas do Brasil para a COP 30. O Fundo foi anunciado pelo presidente Lula e conta com a adesão de 53 países, que assinaram sua Declaração de Lançamento.
A iniciativa é considerada um marco no financiamento da conservação das florestas tropicais e recebeu apoio de ambientalistas.
O Fundo é um mecanismo financeiro, proposto pelo Brasil, que usa um modelo de investimento de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais. O lucro das aplicações será usado para remunerar países que mantêm suas florestas em pé, com prioridade para nações como Brasil, Indonésia e Congo.
Belém no foco da mídia mundial
Como evento preparatório para a COP 30, que começa nesta segunda-feira, 10, e vai até 21 de novembro, a Cúpula de Líderes trouxe a Belém centenas de jornalistas do Brasil e do mundo.
A Capital da Amazônia virou capital mundial do clima e também capital federal do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu temporariamente a capital do país de Brasília para Belém. A transferência simbólica está prevista na Lei 15.251, publicada na última terça-feira (4) no Diário Oficial da União.
Os encantos de Belém do Pará agora dividem espaço com as questões ambientais nas matérias jornalísticas divulgadas mundo afora. Os jornalistas não escondem seu entusiasmo ao conhecer a nova capital do Brasil.
Crédito: Syanne Neno

Como a cearense Beatriz Gomes, 44 anos, que atua em Manaus, numa emissora de TV local, filiada da TV Brasil.
Crédito: Syanne Neno

“Estou super entusiasmada com essa cobertura da COP porque, além de participar de um evento com essa grandiosidade, estou tendo a oportunidade de conhecer a capital paraense, experiência que sempre quis ter. Estou ansiosa, principalmente, para conhecer o Ver-o-Peso, os museus daqui, que são muito elogiados, e dançar o carimbó”, revelou a jornalista.