Começou nesta terça-feira (1) a 12ª edição do Jogos do Território e da Ancestralidade, competição esportiva realizada pela Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Milton Monte, localizada na ilha do Combu, região insular de Belém. Até sexta-feira (4), a escola reunirá cerca de 140 alunos em atividades esportivas e recreativas inspiradas no cotidiano e nas tradições das comunidades ribeirinhas.
A programação inclui diversas modalidades que, embora não estejam no rol dos famosos torneios esportivos nacionais e internacionais, fazem parte do dia a dia das famílias dos estudantes e são uma forma de valorizar o saber tradicional local. Entre elas estão corrida do boco, palha que se desprende do açaizeiro com o qual as crianças costumam brincar como se fosse cavalinho; arremesso de cacau e ouriço, inspirada no arremesso de disco, utilizando o ouriço da castanha-do-pará; confecção da peconha, alça utilizada pelos apanhadores de açaí para prender nos pés e dar suporte para subir no açaizeiro; subida e descida do açaizeiro; debulhagem do açaí; corrida de canoa a remo; pescaria com caniço; e natação no rio.
Mais do que uma competição esportiva, a iniciativa busca valorizar a identidade cultural do território e fortalecer o vínculo dos estudantes com os saberes e tradições transmitidos por gerações.
“Estamos em uma escola do campo, que está no contexto do território ribeirinho, onde as pessoas vivem e transformam suas vidas a partir da realidade da natureza onde estão. Trabalhar os jogos da natureza e da ancestralidade está em uma intrínseca relação com o seu cotidiano, com suas vidas, com seus saberes e fazeres”, afirma o coordenador pedagógico da escola, Jenijunior Santos.
Crédito: Paula Lourinho

Com uma proposta única e ousada, os Jogos do Território e da Ancestralidade da Milton Monte combinam modalidades esportivas tradicionais com práticas relacionadas à vida na região, proporcionando uma experiência educativa que integra esporte, cultura, lazer e ancestralidade.
O secretário municipal de educação, Jorge Vaz, elogiou a iniciativa da Escola Milton Monte.
“Toda vez que eu cruzo esse rio e venho aqui na Milton Monte tenho a experiência de poder estar aqui convivendo e aprendendo com todos vocês, porque a forma e o amor com que vocês fazem educação aqui é apaixonante. Quero parabenizar toda a equipe que está aqui, fazendo um trabalho belíssimo, e que esses sejam jogos maravilhosos que fiquem na memória e no coração de cada criança”, afirmou o secretário.
Crédito: Paula Lourinho

Além de valorizar os costumes e as expressões culturais ribeirinhas, os jogos promovem a integração e o espírito de cooperação entre as crianças.
A aluna Kauane Maia, de 11 anos, estuda no 5º ano da Milton Monte. Ela conta que os jogos ajudam no aprendizado de práticas do dia a dia vivido em casa, mas também ensinam sobre bom comportamento.
“Está sendo muito legal, porque a gente aprende mais na escola, dá para gente ajudar os nossos pais quando for remar para buscar água, essas coisas. Estou gostando muito. Eu aprendi que a gente deve respeitar, não empurrar, não bater”, afirma a estudante.
Crédito: Paula Lourinho

Cleyciane Alves é mãe de aluno e ressalta a importância dos jogos para as crianças.
“Elas estão envolvidas, aprendendo várias coisas, vários esportes. Aprender a estar em comunhão com os amigos é muito importante”, diz a autônoma.
Crédito: Paula Lourinho

O pedagogo Cecílio Ferreira explica que aproximar a competição da realidade das crianças é uma oportunidade delas se divertirem, aprenderem e ao mesmo tempo mostrarem os saberes tradicionais na prática.
“Participando dos jogos, por exemplo, eles conseguem mostrar na prática esses saberes exercidos lá no seu território. Eles trazem para cá na forma de brincadeira, na forma de competição, e fica mais gostoso você participar de um evento como esse, em que a criança está exercendo atividades que pratica no dia a dia”, afirma o professor da Milton Monte.
Crédito: Paula Lourinho

Durante os quatro dias de programação, os estudantes também participarão de outras atividades esportivas e lúdicas, como salto em distância, jogos de mesa, cabo de guerra, corridas, futebol e queimada.
Ao unir práticas esportivas e elementos da cultura local, os Jogos do Território e da Ancestralidade reforçam o papel da escola como espaço de valorização dos conhecimentos produzidos pelas comunidades e de preservação da memória cultural. A iniciativa também contribui para que os estudantes reconheçam o território onde vivem como parte fundamental de sua história, identidade e formação.
Colaboração: Luís Miranda, da Ascom/Semec





