Professores da rede municipal fazem da educação um exemplo de mudança

No Dia do Professor, a rede municipal destaca o trabalho dos educadores, que com projetos inovadores, valorizam a cultura amazônica, despertam a consciência ambiental e aproximam crianças da leitura e da natureza.

Crédito: Beatriz Sampaio

Na EMEI Luzmarina, cada aula aproxima as crianças da natureza e do conhecimento.

Nesta quarta-feira, Dia do Professor, Belém tem ainda mais motivos para celebrar. A rede municipal de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), conta, hoje, com 3.482 professores e 520 técnicos pedagógicos atuando nas escolas da capital e também nas ilhas.

Cada um deles carrega, todos os dias, a missão de apresentar o mundo às crianças, cultivando não só o aprendizado formal, mas também a curiosidade, a cultura e a consciência ambiental, um tema que ganha força com a proximidade da COP30, que acontecerá em novembro, na capital paraense.

Entre tantos exemplos de dedicação, na educação infantil, está o da professora Mônica Cordeiro, da EMEI Luzmarina de Melo Muniz, localizada no bairro de Icoaraci. Há mais de 13 anos na rede, ela criou livros de contação de histórias que misturam oralidade, lúdico e o universo amazônico.

Personagens como a cutia e a manga são protagonistas das tramas. Segundo ela, o que lhe motivou a escrever essas obras foi o desejo de valorizar a região amazônica e de trazer a realidade e a cultura para a literatura, com a qual os alunos entram em contato.

Na Feira do Livro de 2025, ela lançou dois livros com temática regional: “A Cutia Luci e o baú de história” e “A Cutia Luci e o pé de manga rosa”. Os personagens trazem elementos regionais com os quais as crianças se identificam.

Crédito: Beatriz Sampaio

Professores da EMEI Luzmarina transformam leitura, natureza e afeto em lições de vida.

“O livro nasceu das minhas contações de história no projeto Sacola Literária, que começou na pandemia. Eu percebia que o nosso regional não era valorizado: vemos muitos personagens de fora, da fauna de outros países, e não da Amazônia. A manga e a cutia estão no nosso dia a dia, mas quase não aparecem em livros. Valorizar o que é nosso é essencial, a manga é uma fruta adorada pelas crianças, faz parte da nossa ancestralidade”, conta Mônica, com brilho nos olhos.

A culminância do projeto é uma experiência sensorial: depois da leitura, as crianças provam a fruta e reconhecem seu cheiro, sua textura e seu sabor. Um convite para perceber que preservar a árvore é garantir a fruta de amanhã.

Essa conexão com o meio ambiente também inspira outros educadores. Cirlene Barros, com mais de 20 anos de experiência e 2 anos na EMEI Luzmarina de Melo Muniz, desenvolve com bebês um trabalho de horta e reciclagem em parceria com as famílias.

“A gente envolve os pais na plantação e no colhimento de materiais recicláveis. Levamos as crianças para conhecer galhos, folhas, e cultivamos, juntos, cebolinha, cheiro-verde e até tomate. É uma vivência que une a escola e a comunidade”, explica a professora.

Brincar para aprender

No berçário, o aprendizado também vem do brincar. A professora Tani Souza, também da EMEI Luzmarina de Melo Muniz, aposta no projeto “Brincando Eu Aprendo”, que usa brinquedos recicláveis para estimular coordenação motora e percepção tátil.

“Enquanto manipulam as texturas, amassam e pegam os objetos, os bebês desenvolvem movimentos, oralidade e curiosidade. É gratificante ver o avanço e ouvir dos pais que o filho está se expressando melhor”, celebra.

Vozes de quem aprende

Os resultados aparecem na fala empolgada das crianças. Pedro Henrique, de 4 anos, aluno do Maternal II da EMEI Luzmarina de Melo Muniz, diz que “O peixinho comeu a manga rosa e não deixou pra tia lucy, a cutia. Aprendi que não se pode negar comida, que a manga é doce, e que também a gente cuida da árvore para ter mais”.

Já Maria Eloísa Ferreira, de 4 anos, aluna do Maternal II da EMEI Luzmarina de Melo Muniz, orgulha-se: “Eu gosto de ler a história da cutia e depois comer a manga, porque a gente aprende e brinca”.

Projetos como esses mostram que, em Belém, a educação vai muito além da sala de aula. Os professores transformam o cotidiano em experiências que unem cultura, sustentabilidade e afeto, preparando as novas gerações para um futuro que respeite a Amazônia e o planeta.

Neste Dia do Professor, a cidade reconhece: ensinar é semear, e cada semente plantada hoje floresce no amanhã.

Última edição por: Fernanda Palheta

Compartilhe: 

Veja também

Pesquisar