Programação promove cultura de povos originários em escolas municipais

Evento na Escola Municipal Pedro Demo, em Outeiro, marca abertura das programações alusivas ao dia dos povos indígenas em escolas de Belém

Crédito: Élida Miranda

Programação Abril Indígena na Escola Municipal Professor Pedro Demo contou com a presença de representantes de comunidades indígenas Warao.

No mês em que o Brasil celebra a diversidade dos povos indígenas e faz memória dos seus direitos, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) realiza, juntamente com escolas municipais, o “Abril Indígena”, uma série de programações de valorização dos povos originários. Na Escola Municipal Professor Pedro Demo, em Outeiro, que concentra a maior quantidade de alunos da etnia Warao, um evento realizado na tarde desta sexta, 17, marcou a abertura do mês temático na rede municipal de educação.

Com o tema “Raízes Vivas: cultura e brincadeiras indígenas na escola”, a programação contou com momentos de reflexão e diversas atividades com a temática indígena: roda de danças, contação de histórias, oficinas de confecção de desenhos, jogos e brincadeiras. Além disso, representantes da comunidade Warao estiveram presentes no local para expor seu artesanato e para interagir com os presentes.

Crédito: Élida Miranda

Comunidades Warao de Outeiro estiveram presentes e fizeram roda de dança indígena.

Crédito: Élida Miranda

Indígenas Warao também levaram artesanatos para exposição.

Crédito: Abelha

Estudantes participaram de oficina de pintura corporal indígena.

Crédito: Abelha

Richard Lopez, 15 anos, aluno do 5º ano, narrou em português a lenda do “Homem-Buriti” (Ojidu). Depois, seu pai Daniel Lopez narrou a mesma lenda na lingua Warao.

De acordo com Gizela Rocha, professora da Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR) da Semec na Pedro Demo, o Abril Indígena na escola não é apenas uma ação comemorativa, mas uma prática educativa essencial para formar cidadãos mais conscientes, respeitosos e comprometidos com a diversidade cultural.

“A realização desta programação é de grande relevância pedagógica e social, pois possibilita que os estudantes compreendam que os povos indígenas não pertencem ao passado ou ao imaginário, mas são sujeitos históricos vivos, presentes e fundamentais na construção da sociedade brasileira”, afirma a professora.

Crédito: Arquivo pessoal

Gizela Rocha é professora na Pedro Demo pela Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR) da Semec. Para ela, a programação na escola é uma prática educativa essencial para formar cidadãos mais conscientes e respeitosos com a diversidade cultural.

Crédito: Élida Miranda

Evento integrou alunos indígenas e não-indígenas.

Crédito: Élida Miranda

Grupo de Dança de Carimbó “Ritinha”, criado pela professora de Educação Física Suzy Brito, da escola Pedro Demo, também fez apresentação. Formado por pessoas da comunidade e por alunas, dentre as quais estudantes Warao que fizeram oficina de carimbó com a professora.

De acordo com Manuela Porto, Diretora de Educação Básica da Semec, a realização do Abril Indígena busca atender os territórios de Belém com presença indígena, no intuito de integrar estudantes e comunidade escolar a práticas de inclusão e exaltação da diversidade. “Os principais objetivos do projeto são a valorização das culturas indígenas, o combate aos estereótipos e o fortalecimento do respeito, promovendo práticas educativas interculturais dentro das escolas”, afirma a diretora.

Desafios e acolhimento na escola

São inúmeros os desafios vivenciados numa escola que recebe alunos indígenas: as barreiras linguísticas, o preconceito, o bullying, além da vulnerabilidade social em que muitos desses estudantes se encontram.

O Abril Indígena visa enfrentar esses desafios, mas ao longo do ano outras políticas públicas da Semec ajudam a promover o acolhimento, o aprendizado e a diversidade cultural dos estudantes indígenas. Uma delas é o PAPEEI (Projeto de Acompanhamento Pedagógico a Estudantes Estrangeiros e Indígenas), realizado pela Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR).

Crédito: Élida Miranda

Alunas indígenas fizeram apresentação de dança durante a programação do Abril Indígena.

A CEIIR acompanha todos os alunos indígenas desde o momento em que chegam numa escola municipal, e essa assistência inclui mediação linguística, elaboração de materiais didáticos, acompanhamento de frequência escolar e do aprendizado dentro e fora de sala de aula. Além disso, são realizadas programações de combate ao preconceito, ao bullying e ao racismo indígena.

“Ao longo do ano, realizamos ações para acolher e acompanhar os estudantes indígenas. Esse trabalho começa com o acolhimento das famílias, com uma escuta atenta às suas realidades, e segue com o acompanhamento da matrícula, frequência e aprendizagem dos alunos”, explica a diretora Manuela Porto.

Crédito: Élida Miranda

A Diretora de Educação Básica da Semec, Manuela Porto, explica que a realização do Abril Indígena em diferentes escolas tem como proposta integrar estudantes e comunidade escolar a práticas de inclusão e exaltação da diversidade.

Atualmente, existem alunos indígenas distribuídos em 29 escolas de Belém, tanto de etnias brasileiras, como os Galibi-Marworno, Guajajara, Hixkaryana, Moroyunas, Tembé, Tikuna, Tukano, Tupinambá e Waiwai, como os da etnia venezuelana Warao.

Só na Escola Pedro Demo, estão matriculados 50 estudantes venezuelanos Warao. A líder da comunidade Warao Beira Mar, em Outeiro, Mariluz Mariano, conta que a principal dificuldade enfrentada pelos alunos é a barreira linguística. “A principal dificuldade é o idioma, porque as crianças não conseguem entender o português. A maioria só fala nosso idioma, nosso dialeto, que é o Warao”, explica a líder.

Crédito: Élida Miranda

Pedro Demo é a escola municipal de Belém que mais possui estudantes indígenas. Atualmente são 50 alunos Warao matriculados.

Mariluz conta que, no início, quando chegaram em Belém, a sua comunidade se deparou com o preconceito e a negação de direitos. “Muitas pessoas achavam que os Warao não tinham esse direito de estudar numa escola formal. A Escola Pedro Demo foi a primeira que acolheu os indígenas Warao”, relembra.

Por tudo o que passaram e ainda passam, Mariluz reconhece a importância de programações como a realizada na escola, que promovam o acolhimento, o respeito e o diálogo entre as diferentes culturas no ambiente escolar. “Para nós, Waraos, tem sido muito difícil. Mas continuamos lutando para que nossos direitos como seres humanos sejam postos e reconhecidos”, afirma.

Crédito: Élida Miranda

A líder da comunidade Warao Beira Mar (de Outeiro), Mariluz Mariano, falou sobre as dificuldades e preconceitos que os indígenas passaram e ainda passam. Ao lado de Manuela Porto (Dieb/Semec), de Viviane Silva (diretora Escola Pedro Demo), de Daniel Lopez e de sua esposa ( Waraos da Comunidade Prosperidade, de Outeiro), ela fez pronunciamento na mesa de abertura da programação do Abril Indígena.

Além da Escola Pedro Demo, outras 7 escolas terão programação dentro dessa abordagem: Helder Fialho, Monsenhor José Maria Azevedo, Gabriel Lage, Maria Heloisa de Castro, Perpétuo Socorro de Jesus Figueiredo, Edson Luís e Ruy da Silveira Britto. Estas 8 escolas da rede estão entre as que mais possuem estudantes indígenas, tanto de etnias brasileiras como da etnia Warao (venezuelanos).

Última edição por: Syanne Neno

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