Quando o paciente não pode ir, ‘Melhor em Casa’ vai até os doentes
Serviço da Prefeitura de Belém acompanha pacientes com limitações de mobilidade e necessidades de cuidados contínuos diretamente em casa. Só no Distrito do Guamá, equipes chegam a acompanhar até 500 pacientes por mês
Crédito: Danielle Dias
A aposentada Delma Rodrigues Paiva recebe há cerca de três anos os cuidados da equipe do Melhor em Casa, sem precisar sair de casa para realizar o tratamento. “Eles vêm aqui, cuidam de mim e eu fico muito feliz com isso.”
Há três anos, a rotina de Delma Rodrigues Paiva, de 67 anos, mudou. Com úlcera venosa nas duas pernas, a aposentada tem dificuldades de locomoção e precisava enfrentar deslocamentos até unidades de saúde. Hoje, parte desse cuidado ocorre dentro da própria casa, no bairro do Guamá, em Belém, com o acompanhamento das equipes do Programa Melhor em Casa, da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
“Eles são todos bacanas comigo, nunca me trataram mal. Todas as vezes que eles marcam para vir, eles vêm, nunca faltaram. Eu agradeço à equipe porque são todos maravilhosos”, conta Delma.
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Delma recebe os cuidados da equipe do Melhor em Casa há cerca de três anos enão precisa mais sair de casa.
O atendimento também representa menos deslocamentos e mais segurança para a paciente. Além de levar os materiais necessários para os cuidados, a equipe acompanha a evolução do quadro diretamente no ambiente onde ela vive. Para Delma, essa possibilidade tem um significado ainda maior.
“Ajuda muito, porque eu não gasto com material. Eles trazem tudo o que precisa e isso me ajudou muito, porque tinha dia que eu não tinha. Eles vêm na minha casa e eu não vou ter que sair”, relata a aposentada, emocionada.
Cuidado dentro de casa
É justamente essa a proposta do programa Melhor em Casa, do Sistema Único de Saúde (SUS): ampliar e qualificar a assistência à saúde no domicílio, oferecendo atendimento multiprofissional a pessoas que apresentam limitações temporárias ou permanentes para se deslocarem até uma unidade de saúde. A proposta busca garantir a continuidade do cuidado, promover a humanização da assistência e aproximar os serviços de saúde da realidade dos pacientes e de suas famílias.
A coordenadora do programa, Hellen Sena, explica que o trabalho envolve mais do que levar um profissional até a residência. A entrada da equipe na casa do paciente permite conhecer de perto sua realidade e construir uma relação de confiança com a família.
“Quando a equipe entra na casa do paciente, cria-se um vínculo muito diferente. No hospital, muitas vezes o paciente fica dois ou três dias e vai embora. No atendimento domiciliar, acompanhamos a pessoa por mais tempo e acabamos criando uma relação com o paciente, os familiares e os cuidadores”, afirma Hellen.
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Hellen destaca a construção de uma relação próxima e de confiança entre profissionais e pacientes nos lares.
Em Belém, o serviço conta com seis equipes, organizadas por distritos. Segundo Hellen, uma das equipes, a do distrito DAGUA, chega a acompanhar cerca de 500 pacientes por mês, considerando atendimentos clínicos e de curativos.
O acompanhamento é direcionado a pessoas que apresentam necessidades específicas, como pacientes acamados, com lesões por pressão ou em recuperação após um AVC, entre outros casos avaliados pelas equipes.
Atendimento começa pela rede de saúde
O acesso ao Melhor em Casa não ocorre por inscrição direta do paciente. A demanda chega ao programa por meio dos serviços da Rede de Atenção à Saúde, como Unidades Básicas de Saúde e hospitais.
Quando o paciente está internado, a equipe do hospital pode encaminhar a solicitação para o programa. A equipe do Melhor em Casa então realiza uma avaliação para verificar se ele atende aos critérios de elegibilidade.
Nos casos encaminhados pela atenção básica, a equipe também avalia o paciente e o ambiente domiciliar antes de iniciar o acompanhamento.
O enfermeiro Henrique Leite, responsável por uma das áreas de atendimento, explica que a organização das equipes é territorial. O município é dividido em seis distritos, permitindo que os profissionais acompanhem os usuários conforme a área de abrangência.
“Temos uma alta demanda e a organização por distrito facilita esse acompanhamento. A dona Delma, por exemplo, é assistida há quase três anos por causa de uma úlcera venosa. Fazemos o tratamento na casa dela, buscando garantir bem-estar e conforto”, explica o enfermeiro.
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Henrique explica que as equipes são organizadas por distritos para atender pacientes de diferentes regiões de Belém.
Cuidado multiprofissional
O tratamento não fica restrito aos curativos. Conforme a necessidade de cada paciente, o Melhor em Casa pode envolver profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e fonoaudiólogos.
No caso de Delma, o tratamento da úlcera venosa inclui a utilização da bota de Unna, recurso utilizado para auxiliar no controle do problema circulatório e favorecer o processo de cicatrização.
Henrique destaca que a presença de diferentes profissionais permite que o paciente seja acompanhado de maneira integral, considerando não apenas a doença, mas também as condições familiares e sociais.
“O paciente recebe um cuidado integralizado. Temos acompanhamento psicológico e serviço social, além da equipe responsável pela assistência clínica. Isso faz com que ele se sinta mais seguro e confortável dentro da própria casa”, ressalta Henrique.
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Profissionais do Melhor em Casa acompanham dona Delma no atendimento domiciliar, e reforçam o vínculo entre equipe e paciente.
O serviço também está integrado aos demais pontos da rede municipal. Isso permite que o paciente seja acompanhado no domicílio quando esse é o cuidado mais adequado e, quando necessário, seja encaminhado para outro serviço de saúde.
Política pública que aproxima o SUS das famílias
O Melhor em Casa faz parte da Política de Atenção Domiciliar do Sistema Único de Saúde (SUS) e funciona em Belém desde maio de 2010. A proposta é garantir continuidade do tratamento para pessoas que não conseguem se deslocar com facilidade até uma unidade de saúde, além de contribuir para uma desospitalização segura e reduzir internações e reinternações evitáveis.
Crédito: Danielle Dias
Equipe do Melhor em Casa reúne profissionais envolvidos na assistência domiciliar e acompanhamento contínuo dos pacientes.
O programa atende pessoas de diferentes faixas etárias. A inclusão não depende exclusivamente de idade ou renda, mas da avaliação das condições clínicas, funcionais e sociais e da necessidade de acompanhamento domiciliar.
Para Delma, porém, o principal resultado não cabe em números. Está na possibilidade de receber o cuidado sem precisar sair de casa.
“Sinto que sou cuidada. Agradeço primeiro a Deus e depois a vocês”, diz a aposentada.
Serviço
Programa Melhor em Casa – Belém
Atendimento domiciliar multiprofissional para pacientes que atendem aos critérios de inclusão da Atenção Domiciliar. O acesso ocorre por encaminhamento da Rede de Atenção à Saúde, como Unidades Básicas de Saúde e hospitais. A equipe realiza avaliação antes da inclusão no serviço.
Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 17h; sábados e domingos, das 7h às 19h.