Desfile da Bole-Bole celebra legado de Mãe Josina

Escola de samba Bole-Bole encerra a primeira noite dos desfiles das escolas de samba do CarnaBelém com um desfile cheio de ancestralidade e história viva do bairro do Guamá.

Crédito: Bruno Carachesti

Bole Bole traz homenagem a Mãe Josina e reafirma a ancestralidade viva no bairro do Guamá.

A Associação Carnavalesca Bole-Bole emocionou o público ao desfilar, como última escola, na madrugada deste sábado (28), na Aldeia Amazônica, com o enredo “Mãe Josina do Guamá: o solo sagrado da cultura popular”. A homenagem é à líder religiosa Mãe Josina de Averequete, fundadora do terreiro mais antigo de Belém e símbolo da ancestralidade afro-paraense.

Presidida por Paulo Alcântara, a agremiação destacou na avenida a profunda influência da religiosidade de matriz africana na formação cultural da capital, celebrando a memória de uma mulher que transformou fé em resistência comunitária há mais de um século.

Crédito: Bruno Carachesti

O desfile da Bole-Bole levou o público ao delírio resgatando a ancestralidade

Segundo o presidente da Bole-Bole, Herivelto Martins, a escola vinha se preparando desde agosto de 2025 e, sobre a escolha do tema do samba-enredo, ele conta que a homenagem à mãe de santo Josina veio de um terreiro existente desde 1890 no bairro do Guamá.

“Ela tinha uma coisa que as entidades falam, que são as entidades caboclas que fazem a cultura popular. Eles que nos mostram, eles que permitem fazer cultura popular.”, relata o presidente sobre a Mãe Josina.

Crédito: Yvine Macedo

Herivelto Martins, presidente da Bole-Bole, trouxe muito samba e ancestralidade na noite de abertura.

Com interpretação de Bruno Costa, a escola apresentou um desfile marcado pela emoção e identidade popular. A bateria, comandada por Mini, André, Ciro e Marcão, imprimiu ritmo e energia ao cortejo, enquanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira Breno Rodrigues e Jéssica Sorriso defendeu o pavilhão com elegância e devoção, traduzindo em movimento o respeito à história homenageada.


A escola trouxe para o CarnaBelém a trajetória de Mãe Josina, mulher liberta da escravidão que estabeleceu raízes espirituais no bairro do Guamá e iniciou uma linhagem de liderança feminina que atravessa quatro gerações. A permanência dessa tradição, sempre conduzida por mulheres, foi apresentada como símbolo de resistência cultural e continuidade do axé, reafirmando o protagonismo feminino na preservação da memória afro-amazônica.


“A fundadora da nossa casa é a mãe Josina de Averequete, não é? Que foi liberta da escravidão em 1888. Ela consagrou o solo do Guamá, e este ano o terreiro completa 136 anos, e eu sendo a quarta geração, só de mulheres. Então, para nós, essa homenagem que a Bole-Bole está fazendo para a nossa casa, para a nossa pedreirinha, para o nosso Guamá e a nossa comunidade, é muito importante. Eu não tenho palavras para te dizer a emoção que nós estamos sentindo.”, conta a mãe Heloísa de Badé.

Crédito: Yvine Macedo

Mãe Heloisa de Badé veio como representante da casa de Mãe Josina, no bairro do Guamá.


Nesse ano de 2026, com o retorno do CarnaBelém, a Prefeitura de Belém distribuiu 3 mil ingressos para a população assistir aos desfiles nas arquibancadas da Aldeia e, para o presidente, essa é uma forma de incentivo à cultura. “Pela primeira vez a gente está vendo o prefeito fazer o que não víamos antes. Além da distribuição de ingressos, foi a primeira vez que tivemos um lugar para guardar as nossas alegorias, porque antes a gente não tinha. Eu já cheguei a guardar em um terreno baldio e, no outro dia, tinham levado itens, mas dessa vez não”, contou Herivelto.


Com uma apresentação cheia de alegria, que arrastou os foliões na avenida da Aldeia Cabana, a Bole-Bole fechou o primeiro dia do desfile das escolas de samba do CarnaBelém celebrando a união popular e reafirmando o Carnaval como ferramenta de identidade e transformação social, onde fé, cultura e comunidade se encontram para manter viva a história de um povo.


A apuração das escolas de samba ocorrerá no dia 3 de março, na Aldeia Cabana, a partir das 18h, em um evento aberto ao público, com muita música, shows e agremiações carnavalescas.

GALERIA DE IMAGENS:

Ancestralidade do Guamá: Bole-Bole sob bênção de Mãe Josina

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Última edição por: Syanne Neno

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