Situada numa área entre o Parque Ambiental do Utinga e o antigo aterro sanitário do Aurá, áreas emblemáticas para a história do meio ambiente de Belém, a Escola Municipal Olga Benário deu mais um passo na busca por se tornar guardiã da sustentabilidade e do clima: criou um Posto de Entrega Voluntária (PEV) de materiais recicláveis, uma iniciativa que integra escola, comunidade e cooperativa de catadores com o objetivo de reforçar a educação ambiental, a cidadania e a economia circular.
O projeto começou em 2025, com um evento pontual que mobilizou toda a escola.
“No contexto da COP 30, a gente fez uma grande gincana sobre o meio ambiente, na qual uma das competições era trazer material reciclável para a escola. E deu muito certo, os alunos se engajaram, e nós conseguimos encher o caminhão da cooperativa. A partir daí, nos despertou a ideia de fazer essa gestão de recicláveis, transformando as escolas num PEV”, relembra o diretor da escola, Marcelo de Carvalho.
Crédito: Arquivo Escola Olga Benário

O diretor conta que nas turmas, os professores trabalharam com temas como reciclagem, reaproveitamento e reutilização, e nas reuniões com os pais e responsáveis a escola também trabalhou a temática, para despertar entre os alunos e familiares a importância de trazer para a escola aquilo que seria descartado no lixo. “É uma mudança de cultura e de perspectiva: não é lixo, é material reciclado. Esse material tem valor, ele pode ser reutilizado”, comenta o diretor.
Crédito: Danyllo Silva

Hoje a escola recebe e separa todo o material recebido dos alunos, suas famílias e dos servidores, além do que é gerado na própria escola, como papel e recipientes de produtos de limpeza. Foi fechada uma parceria com a Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Águas Lindas (ARAL) e, depois de separados, os resíduos são ensacados e a cooperativa vai buscar na escola.
São cerca de 600 famílias envolvidas com a iniciativa. Atualmente, são coletados cerca de 2 metros cúbicos de recicláveis. E, embora a queda na coleta tenha diminuído com as férias escolares, agora com o retorno das aulas a escola quer retomar o engajamento dos alunos.
Denise Martins é mãe de aluna da escola e conta que já fazia a separação do lixo em casa e entregava para os catadores que ela conhecia. Agora, ela reúne os materiais em casa e uma vez por mês leva na escola.
“Para a comunidade, esse projeto é importante porque nós, aqui no bairro, não tínhamos um projeto de coleta seletiva. As famílias que já faziam a separação na sua própria casa, como é o meu caso, não tinham para onde levar. Então quando se criou esse ponto de entrega voluntária aqui na escola, encontramos uma solução para a gente”, comenta a mãe de aluno.
Crédito: Danyllo Silva

Formação pela atitude
A aluna Ana Carolina Silva, 12 anos, conta que acha muito importante a iniciativa, pois desde a gincana, ela e os colegas aprenderam sobre a importância da reciclagem para o nosso planeta. “Isso deixa nosso planeta mais limpo. Acho importante a gente ajudar, cada um trazer um pouquinho. Quando tem recicláveis lá em casa, eu limpo e trago, porque isso vai ajudar a gente”, afirma a estudante do 7º ano.
Crédito: Danyllo Silva

Denise Martins destaca a importância desse projeto para a conscientização dos alunos sobre a questão ambiental, sobretudo para a comunidade, que fica no entorno do antigo lixão do Aurá. “Por sermos moradores de uma área que já teve um lixão a céu aberto, considero que seja muitíssimo importante porque vai educar as crianças para o futuro a partir do local em que eles vêm buscar conhecimento, que é a escola”, afirma.
A Olga Benário, que já trabalhava a sustentabilidade em atividades como a horta e o jardim escolar, que já funciona com energia solar e destinava todo resíduo orgânico para o biodigestor instalado na escola, quer se tornar uma referência em educação ambiental. E toda essa preocupação ambiental faz parte do planejamento estratégico da escola.
Crédito: Arquivo Escola Olga Benário

“Isso integra o plano de ação, articulado, intencional, fundamentado. Alguns resultados ainda estão por aparecer, mas no discurso dos alunos, nas práticas, a gente já vê diferença”, conta o diretor orgulhoso, ao mostrar corredores e paredes limpos, fruto de um trabalho de conscientização dos estudantes.
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