Sect realiza debate sobre mulheres na ciência

Programação realizada pela Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia levanta discussão sobre a visibilidade do protagonismo e da importância das mulheres na ciência

Crédito: Paula Lourinho

Mediada por Leny Campêlo, coordenadora institucional da FEMEPA (Federação de Mulheres do Estado do Pará)., a mesa contou com a participação de mulheres que atuam em diferentes áreas da ciência.

Nesta quinta (26), o Museu Paraense Emílio Goeldi foi palco do debate “Mulheres que transformam: Ciência, Tecnologia e Futuro”, programação realizada pela Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia (Sect) com o objetivo de celebrar o Mês da Mulher e proporcionar mais visibilidade, valorização e fortalecimento da participação feminina na produção científica.

Com uma mesa composta por pesquisadoras mulheres, o evento promoveu reflexões sobre temas como equidade de gênero, liderança e cooperação feminina, além da participação de mulheres em áreas científicas onde os homens ainda são maioria, como tecnologia, engenharia e matemática.

Crédito: Paula Lourinho

Público, formado na maioria por mulheres, também contou com participação masculina sobre mulheres na ciência e tecnologia

Uma das integrantes da mesa foi a professora Janise Viana, que coordena o projeto “Meninas na Tecnologia”, fruto de uma parceria entre a Universidade Federal do Pará, o Instituto Federal do Piauí e a Universidade de Santa Catarina. Com o objetivo de incentivar o ingresso e a permanência de meninas do Ensino Fundamental e Médio em cursos nas áreas de ciências exatas, tecnologia, engenharia e matemática, o projeto tem atuação em diversas escolas de Belém e outros municípios paraenses.

Crédito: Élida Miranda

A professora Janise Viana coordena o projeto “Meninas na Tecnologia”, que incentiva a participação de estudantes do Ensino Fundamental e Médio em áreas da ciência hoje, majoritariamente ocupada por homens

“O nosso foco são as meninas que vivem em situação de vulnerabilidade social, e já temos alcançado resultados. Elas têm buscado a participação em cursos, não só dentro do projeto, mas em cursos profissionalizantes, técnicos e a possibilidade de fazer curso superior nas áreas [das Ciências] Exatas”, afirma a coordenadora.

Mulheres na produção de conhecimento

Um dos dados trazidos por Janise é o de que, segundo a Unesco, menos de 30% das profissionais das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharias e Matemática no mundo são mulheres. Além disso, apenas 3% dos prêmios Nobel de Ciência foram concedidos a mulheres.

Crédito: Élida Miranda

A pesquisadora Ana Carla Feio, do Museu Paraense Emílio Goeldi, também compôs a mesa. Professora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas – Botânica Tropical do Museu, ela acumula uma vasta experiência.

Servidora da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec) e da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), a mestra em Ensino de Ciências Ambientais Giselle Fonseca criou a plataforma digital Eco Redes Amazônicas, que disponibiliza conteúdos pedagógicos para suporte a professores e alunos da Região Amazônica no desenvolvimento de projetos na área de educação ambiental.

Crédito: Élida Miranda

Giselle desenvolveu pesquisa que em uma plataforma digital de educação ambiental e suporte pedagógico para profesores e estudantes

“Essa iniciativa defende a soberania tecnológica na Amazônia através de ferramentas socialmente adaptadas à nossa realidade de conectividade”, explica a pesquisadora.

Giselle recebeu orientação da professora Ludetana Araújo, que também participou da mesa e é reconhecida pela trajetória de dedicação à educação ambiental no Pará. Ela convidou os presentes a refletirem sobre as mulheres detentoras de saberes tradicionais e populares, como as feirantes e catadoras, com quem ela atua em projetos acadêmicos.

Crédito: Élida Miranda

A pesquisadora da UFPA, professora Ludetana Araújo, destacou a importância de refletir sobre as mulheres socialmente invisibilizadas, que não estão recebendo certificados e prêmios científicos

“A gente vem tentando trabalhar a inovação e a liderança dessas mulheres. O que percebemos é que elas querem aprender. Quantos de nós dedicamos nosso tempo para essas mulheres invisíveis, que não estão recebendo certificados e prêmios? Como temos trabalhado na diversidade de atuação das mulheres? Que programação elas estão participando? Que oportunidades estamos dando para elas acessarem a ciência, a tecnologia?”, questionou a professora.

O secretário Municipal de Ciência e Tecnologia, Lélio Costa, participou da programação e destacou a importância de realizar eventos como esse.

“A ideia é essa, é trazer a academia, é trazer as mulheres que fazem ciência, mas sobretudo, aquelas que estão no dia a dia da sociedade, nas diversas formas de trabalho, para buscar fazer uma reflexão um pouco mais profunda nesta mesa redonda, apontando caminhos”, afirma o secretário.

Crédito: Paula Lourinho

De acordo com secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Lélio Costa, a proposta da Sect é realizar outras programações como essa, valorizando o protagonismo das mulheres em diferentes áreas

Uma das participantes no público da programação era Ana Botelho, professora formada em Artes Visuais e em Pedagogia, especialista em Educação de Jovens e Adultos. Emocionada ao relatar a própria trajetória, perpassada por dificuldades próprias da mulher que precisa dividir o tempo entre cuidar da família, estudar e trabalhar, ela conta que o debate é importante para que a mulher consiga se enxergar.

Crédito: Élida Miranda

Ana Botelho ressaltou a importância de debates como esse para que as mulheres possam enxergar a própria capacidade e acreditarem em si mesmas

“Esse debate é necessário para que as pessoas possam entender que a gente tem que andar junto, que não é uma questão de briga de gênero, que nós estamos ali também tentando espaço. E sim, eu acho que a mulher tem que estar onde ela quer estar”, afirma a professora.

Última edição por: Tânia Menezes

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