Belém amplia ações e fortalece políticas de direitos humanos

Conferência, novo Conselho, formação de servidores e mutirão de paternidade fortalecem políticas de cidadania e proteção em Belém

Crédito: Rayana França

População participa de ação da SEDH voltada à promoção da cidadania e garantia de direitos.

Direitos humanos, na prática, significam garantir que cada pessoa tenha acesso à cidadania, seja respeitada na dignidade e encontre, no poder público, caminhos para fazer valer os próprios direitos. É a partir dessa perspectiva que a Prefeitura de Belém chega ao Dia Nacional dos Direitos Humanos, celebrado nesta quarta-feira (12), destacando ações que buscam aproximar as políticas públicas das necessidades reais da população e ampliar a rede de proteção social na capital.

Ao longo da atual gestão, a área de Direitos Humanos ganhou iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação social, à formação de servidores públicos, à ampliação do acesso a serviços de cidadania e à criação de mecanismos de prevenção e enfrentamento às violações de direitos. Entre os principais marcos estão a realização da II Conferência Municipal de Direitos Humanos, a eleição e posse dos novos integrantes do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos, ações itinerantes de serviços nas periferias, casamento comunitário e, mais recentemente, o primeiro Mutirão de Reconhecimento de Paternidade realizado pelo município.

De acordo com a secretária executiva de Direitos Humanos de Belém, Larissa Martins, os avanços refletem a decisão da gestão de colocar a pauta dos direitos humanos como uma política permanente e transversal.

“Nós avançamos muito nessa pauta no nosso município. Temos uma secretaria muito ativa e uma Prefeitura que, de fato, prioriza quem mais precisa, levando cidadania, proteção e acesso a direitos para a população”, pontua Larissa.

Crédito: Lucas Damasceno

“Nosso compromisso é seguir trabalhando para fazer valer os direitos humanos em Belém”, afirma Larissa Martins.

Conferência amplia participação na construção de políticas públicas

Um dos principais momentos de participação social foi a II Conferência Municipal de Direitos Humanos de Belém, realizada em setembro de 2025. O encontro reuniu representantes de movimentos sociais, sociedade civil organizada, poder público e especialistas para discutir propostas voltadas à garantia e à promoção dos direitos humanos na capital.

Crédito: Vivian Carvalho

Participantes da II Conferência Municipal de Direitos Humanos de Belém, em setembro de 2025, para construção de políticas públicas na capital.

A conferência foi organizada pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos e possibilitou a construção de propostas distribuídas em seis eixos: enfrentamento das violações e retrocessos; democracia e participação popular; igualdade e justiça social; justiça climática e meio ambiente; proteção dos direitos humanos no contexto internacional e fortalecimento da institucionalidade dos direitos humanos.

“A Conferência Municipal foi um passo muito importante porque permitiu ouvir diferentes segmentos da sociedade e transformar essas demandas em propostas para o município. O que queremos é que a política de direitos humanos seja construída de forma participativa, com escuta, diálogo e compromisso com a realidade de Belém”, disse Larissa.

O processo também fortaleceu a participação de representantes da sociedade civil na definição dos rumos da política municipal. As propostas aprovadas durante a conferência representam uma base para o desenvolvimento de novas ações públicas.

Conselho fortalece controle social

Crédito: Lucas Damasceno

Novos integrantes do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos tomaram posse para o biênio 2026/2028.

Outro avanço destacado pela gestão foi a renovação do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos (CMDDH). Em junho deste ano, a Prefeitura de Belém deu posse aos novos integrantes do colegiado para o biênio 2026/2028.

O Conselho é formado por representantes de cinco instituições governamentais e dez entidades da sociedade civil. O colegiado tem a função de promover o controle social, a escuta, o diálogo e a construção coletiva de políticas municipais voltadas à cidadania, à dignidade humana e à defesa dos direitos fundamentais.

Segundo Larissa Martins, o Conselho tem papel estratégico na formulação e fiscalização das políticas públicas.

“Nós temos um Conselho Municipal de Direitos Humanos muito ativo, que consegue propor políticas públicas e também fiscalizar. Ter a sociedade civil participando desse processo é fundamental para compreender as diferentes realidades da cidade e construir respostas junto com a população”, reforçou.

Capacitação leva direitos humanos para escolas e servidores

As ações de formação em direitos humanos também fazem parte da estratégia da Prefeitura para consolidar uma cultura de respeito, cidadania e proteção. A gestão desenvolve projetos de capacitação voltados tanto aos servidores municipais quanto ao ambiente escolar.

A proposta é ampliar o conhecimento sobre direitos humanos e fazer com que esses princípios estejam presentes na relação entre o poder público e a população, qualificando o atendimento e fortalecendo uma atuação baseada no respeito à diversidade, à dignidade e aos direitos fundamentais.

As ações de capacitação também chegam às periferias, por meio de cursos, atividades sociais e ações itinerantes promovidas pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos.

“Nós temos projetos de capacitação e educação em direitos humanos nas escolas e para os servidores municipais. Também desenvolvemos vários projetos principalmente nas periferias, com cursos de capacitação, ações sociais e ações itinerantes”, enumerou a secretária.

Belém para Todos aproxima serviços da população

Entre as estratégias de descentralização das políticas de cidadania está o Belém para Todos, iniciativa que reúne serviços públicos e ações sociais em diferentes territórios da capital.

Crédito: Paula Lourinho

População é atendida durante a ação Belém pra Todos, que reúne serviços de cidadania e garantia de direitos.

A proposta é levar o atendimento para mais perto das comunidades, especialmente para pessoas que encontram dificuldades de acesso aos serviços públicos. A iniciativa integra diferentes áreas e transforma espaços nos bairros em pontos de acesso a serviços, orientações e ações de cidadania.

Para Larissa, com esse modelo, a promoção dos direitos humanos ultrapassa o discurso e chega ao cotidiano da população.

“Nós temos o Belém para Todos, que é uma mega ação que leva cidadania e direitos para todo mundo que mais precisa”, acrescentou.

Casamento comunitário e reconhecimento de paternidade

A política de cidadania também contempla ações voltadas à garantia de direitos civis e à regularização da vida documental e familiar. Entre as iniciativas realizadas pela gestão está o casamento comunitário, que possibilita a formalização da união de casais que não possuem condições financeiras para arcar com os custos do procedimento.

Outra ação de destaque foi o primeiro Mutirão de Reconhecimento de Paternidade de Belém, realizado no dia 6 de agosto, no Mercado de São Brás. A iniciativa, promovida pela Prefeitura de Belém, por meio da SEDH, em parceria com o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), ultrapassou 400 atendimentos.

Foram oferecidos reconhecimento voluntário de paternidade, exames gratuitos de DNA, orientação jurídica, mediação familiar, emissão e atualização de documentos civis, atendimento social e serviços de saúde.

Crédito: Paula Lourinho

“Esse reconhecimento representa gratidão e amor”, afirmou Gabrielly Oliveira durante o Mutirão de Reconhecimento de Paternidade.

Um dos casos atendidos foi o da universitária Gabrielly Oliveira, de 22 anos, moradora do Guamá. Ela procurou o mutirão para oficializar o reconhecimento de Ismael Mesquita Alves como pai dela. Ismael começou a participar da criação de Gabrielly quando ela ainda era criança e, segundo ela, exerceu ao longo dos anos o papel paterno.

“Esse reconhecimento é uma forma de agradecer por tudo o que ele fez por mim. Meu pai biológico nunca fez questão de estar presente, quem sempre esteve ao meu lado foi ele”, contou Gabrielly durante o mutirão.

Para a jovem, a documentação representa mais do que uma alteração no registro civil.

“Meu pai é quem me criou. Este reconhecimento representa gratidão e amor”, afirmou.

A história de Gabrielly traduz, na prática, o significado de uma política pública de direitos humanos: transformar uma necessidade individual em acesso efetivo à cidadania. No caso do reconhecimento de paternidade, o direito ao registro da filiação também está relacionado à identidade, ao pertencimento e à garantia de direitos civis.

Novo protocolo integrado amplia combate às violações

Entre os principais avanços apontados pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos está a criação de um protocolo integrado de enfrentamento às violações de direitos. A iniciativa reúne diferentes secretarias municipais e também órgãos do Poder Judiciário para estabelecer uma atuação articulada diante de casos que envolvam violação de direitos humanos.

O Objetivo do protocolo é fortalecer a rede de proteção, definir caminhos de atendimento e garantir que a população saiba onde buscar auxílio quando tiver seus direitos violados.

“É uma ferramenta importante para coibir as violações e, principalmente, para que a pessoa saiba para onde recorrer quando precisar de ajuda”, informou Larissa.

A medida busca evitar que uma pessoa em situação de vulnerabilidade tenha que percorrer diferentes órgãos sem saber qual serviço procurar. A integração permite organizar os fluxos de atendimento e fortalecer a resposta do poder público.

Políticas voltadas a diferentes grupos sociais

A atuação da Secretaria também foi ampliada para públicos que enfrentam diferentes formas de vulnerabilidade social. Entre os grupos atendidos estão pessoas refugiadas e imigrantes, mães solo, pessoas atípicas e pessoas em situação de rua.

A Secretaria também participa de articulações e parcerias voltadas à população em situação de rua, buscando construir estratégias que ultrapassem o atendimento emergencial e garantam acesso a direitos, serviços e políticas públicas.

“Nós desenvolvemos trabalho com pessoas refugiadas, imigrantes, com mães solo, com pessoas atípicas e com pessoas em situação de rua. Fomos montando um leque de possibilidades e de parcerias para desenvolver um trabalho que chega na ponta e alcança todo mundo que mais precisa”, acrescentou a secretária.

A atuação também envolve a construção de parcerias com diferentes instituições e órgãos públicos, ampliando a capacidade de atendimento e a elaboração de políticas voltadas à garantia de direitos.

Crédito: Paula Lourinho

Famílias indígenas Warao recebem novo espaço de acolhimento e atendimento em Belém.

Belém amplia articulação institucional

O fortalecimento da política municipal de Direitos Humanos também tem permitido à Prefeitura de Belém ampliar a articulação com outras instituições e buscar recursos para a execução de projetos.

Segundo a secretária, o reconhecimento da atuação municipal na área tem contribuído para a participação da Prefeitura em editais de recursos do Ministério dos Direitos Humanos.

“Estamos conseguindo disputar editais e buscar recursos do Ministério dos Direitos Humanos porque reconhecem a nossa Secretaria e a nossa Prefeitura como um órgão municipal profundamente ativo nessa pauta”.

A articulação institucional também amplia a capacidade do município de desenvolver projetos, estabelecer parcerias e criar novas ações voltadas à proteção e à promoção dos direitos humanos.

Política construída com participação e cidadania

Os resultados apresentados pela Prefeitura de Belém mostram uma política de Direitos Humanos que combina participação social, fortalecimento institucional, capacitação, articulação entre órgãos e atendimento direto à população. A realização da Conferência Municipal abriu espaço para a formulação coletiva de propostas; a renovação do Conselho ampliou os mecanismos de controle social; a formação de servidores e as ações educativas fortalecem a cultura de direitos humanos; o Belém para Todos leva serviços às comunidades; o casamento comunitário e o Mutirão de Reconhecimento de Paternidade ampliam o acesso à cidadania; e o novo protocolo integrado estabelece mecanismos para enfrentar violações de forma articulada.

A atuação da Secretaria também busca alcançar diferentes territórios e grupos sociais, especialmente aqueles que historicamente enfrentam maiores dificuldades de acesso às políticas públicas. Para Larissa Martins, o compromisso da gestão é garantir a política de direitos humanos de forma permanente na vida da população.

“Nós estamos mudando aquelas coisas que a gente não aceita mais na nossa cidade. Queremos uma cidade que de fato resguarde o direito das pessoas. Nosso compromisso é seguir trabalhando para que Belém não tenha casos de violações de direitos e, caso aconteçam, que a população saiba para onde recorrer e saiba que existe uma Secretaria ativa e sempre disposta a ajudar”.

Mais do que marcar uma data no calendário, o 12 de agosto reforça a importância de políticas capazes de transformar direitos previstos em lei em direitos efetivamente acessíveis. Em Belém, a Prefeitura busca consolidar essa agenda por meio da participação social, da articulação entre instituições, da formação, da descentralização dos serviços e da criação de mecanismos de proteção que cheguem diretamente à população.

“A nossa Secretaria de Direitos Humanos tem um compromisso sobretudo com a vida das pessoas que precisam de nós. É um compromisso de seguir trabalhando para fazer valer os direitos humanos em Belém, no Pará e em todo o Brasil”, finalizou Larissa.

Última edição por: Tânia Menezes

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