A estrutura da saúde pública de Belém está passando por uma transformação para acompanhar a demanda de quem trabalha e de quem busca atendimento na rede municipal. Seis unidades estão recebendo intervenções para ampliar e reorganizar os espaços, enquanto a Prefeitura também avança no planejamento de novos Postões da Família e na construção do Super Postão da Saúde Policlínica Municipal de Belém, ao lado do Parque da Cidade, no bairro do Souza.
Os trabalhos ocorrem nos Postões de Cotijuba, Benguí, Guamá, Pratinha e Sacramenta, além da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Eduardo Angelim, no distrito de Outeiro. O andamento varia de acordo com cada unidade: Cotijuba está com 90% da parte interna concluída; Benguí, com 85%; Guamá e Pratinha, 25% cada; Sacramenta, 15%; e a ESF Eduardo Angelim, 20%.
Crédito: Giordano Bruno

Mais do que ampliar ambientes, a proposta é criar estruturas capazes de acomodar melhor as equipes e oferecer uma experiência mais adequada para quem procura os serviços de saúde.
Segundo Felipe Witkovski, diretor do Núcleo de Engenharia e Arquitetura (NEA) da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), a necessidade das intervenções foi identificada a partir da própria realidade encontrada em algumas unidades.
“Um posto que tinha condição de ter quatro equipes, tinha seis. Eles ficavam revezando salas. Então, isso acabava afetando o atendimento da população”, explica.
Crédito: Jonas Vila

Mais espaço para quem atende e para quem precisa de atendimento
A ampliação busca resolver justamente essa diferença entre a quantidade de equipes e a estrutura disponível. Com espaços maiores e reorganizados, cada equipe poderá ter ambientes mais adequados para desenvolver suas atividades, melhorando o funcionamento da unidade.
O novo modelo também prevê uma estrutura mais confortável para os usuários. Engenheiros e arquitetos desenvolveram um manual para padronizar os projetos dos Postões da Saúde e Postões da Família, estabelecendo referências para os ambientes.
Crédito: Jonas Vila

Entre as mudanças estão salas e corredores climatizados, padronização de pisos, portas e acabamentos, além de uma organização interna pensada para tornar os espaços mais funcionais e humanizados.
A ideia é que o cuidado não comece apenas na sala de atendimento, mas desde o momento em que o usuário chega à unidade.
Um novo jeito de chegar à unidade
Parte dos projetos também considera a realidade climática local. Em alguns Postões, está sendo planejada uma área coberta na entrada, protegendo pacientes da chuva e melhorando o acesso de pessoas que chegam de ambulância.
“Em alguns postos da saúde a gente está priorizando fazer até a recepção e a entrada coberta, justamente pelo período da chuva, para a pessoa descer da ambulância e chegar lá com qualidade e ser atendido nesse momento”, destaca Felipe.
A medida representa uma mudança que pode parecer pequena na planta de uma unidade, mas tem impacto direto na experiência de quem chega em um momento de fragilidade e precisa de atendimento.
Postões e Policlínica ampliam a rede
A estratégia de reestruturação não se limita às seis unidades atualmente em obras. A prefeitura está finalizando o orçamento de aproximadamente dez novos Postões da Família, com previsão de iniciar essas atividades até o fim do mês.
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Área da futura Policlínica começa a ganhar forma com a montagem das estruturas que vão compor o novo equipamento de saúde
Enquanto os Postões fortalecem a estrutura de atendimento nos territórios, a nova Policlínica, ao lado do Parque da Cidade, representa outra frente dessa expansão, voltada para ampliar a capacidade da rede de atendimento especializado.
Assim, a proposta reúne diferentes estruturas dentro de uma mesma estratégia: unidades territoriais mais preparadas, Postões com maior capacidade para acomodar equipes e uma Policlínica ampliando a oferta de serviços especializados.
Obras acompanhadas semanalmente
Para garantir que o planejamento seja cumprido, o NEA faz acompanhamento semanal das intervenções junto às empresas responsáveis pela execução.
Crédito: Jonas Vila

As visitas servirão para identificar dificuldades, acompanhar o andamento dos serviços e cobrar a qualidade daquilo que está sendo entregue.
“Como a gente está disponibilizando o layout, os projetos para eles, a gente vai cobrar como cliente deles a qualidade para a população de Belém”, afirma o diretor do NEA.
Quem conhece a unidade também vê a mudança
A expectativa pelas melhorias é compartilhada por quem conhece a rotina da unidade há anos. Carla Cristina Garcia, 41 anos, faz acompanhamento há 21 anos no Postão da Sacramenta e acompanha de perto o cotidiano de profissionais e usuários.
Para ela, ampliar a estrutura significa melhorar o espaço para os dois lados: quem presta o serviço e quem depende dele.
“Eu acho muito bom essa obra que está ocorrendo para melhorar o atendimento para nós, o povo. Nós precisamos de muita saúde. Essa ampliação vai ajudar tanto a população quanto os funcionários”, afirma Carla.
Crédito: Jonas Vila

O que muda para a população
Com os novos Postões, a proposta é que os moradores encontrem espaços mais amplos, organizados e climatizados, preparados para acomodar melhor as equipes e atender à demanda de cada território.
As intervenções também buscam tornar a chegada e a permanência dos usuários mais confortáveis, com ambientes planejados para diferentes necessidades, inclusive de pacientes que chegam por ambulância.
Com seis unidades já em obras, dez novos Postões da Família em preparação e uma nova Policlínica em construção, Belém avança na criação de uma estrutura de saúde mais organizada, confortável e preparada para cuidar de quem precisa.
Texto: Jonas Vila