Por trás de cada refeição servida nas escolas municipais de Belém, há profissionais que transformam o preparo dos alimentos em um gesto diário de cuidado, carinho e dedicação. Neste 30 de outubro, Dia da Merendeira Escolar, a Prefeitura de Belém destaca a importância dessas trabalhadoras para a saúde e o desenvolvimento dos estudantes, além dos investimentos na alimentação escolar, que passaram de R$ 30 milhões, em 2025, para R$ 110 milhões em 2026.
Por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), os recursos beneficiam mais de 66 mil alunos matriculados nas 217 unidades escolares do município e contribuem para a oferta de refeições nutritivas, diversificadas e de qualidade.
Na creche Canto do Uirapuru, localizada no bairro da Maracangalha, em Belém, Edna Santos trabalha como merendeira há cinco anos. Moradora do distrito de Icoaraci, ela encontra nas demonstrações de carinho das crianças a principal motivação para exercer a profissão.
“Ser merendeira é dedicação, carinho e muito amor no que faço. Fico grata ao ver cada criança agradecer pela refeição. Elas dizem: ‘Obrigada, dona merendeira, a comida estava uma delícia’. É muito gratificante ouvir isso”, conta.
Aos 58 anos, Edna lembra que o início na profissão foi desafiador, mas que a convivência com os pequenos tornou a experiência ainda mais especial.
“Trabalhar para oferecer uma refeição de qualidade às crianças requer carinho e paciência. Elas comem sorrindo, e essa foi a melhor experiência que pude ter na vida”, relata.
Crédito: Paula Lourinho

Aprendizado diário na cozinha escolar
Na mesma creche, Eliza Santos, que ainda vai completar um ano de trabalho como merendeira, também encontra nas reações das crianças a recompensa pelo trabalho realizado.
“O mais gratificante é quando os pratos voltam vazios e elas perguntam: ‘Tem para repetir?’. A gente sente que a comida estava boa e gostosa. Quando não comem, ficamos preocupadas, pensando se estava bom ou se fizemos alguma coisa errada”.
Para ela, um dos principais desafios é conquistar o paladar dos pequenos, respeitando as particularidades de cada refeição e mantendo a agilidade e a organização necessárias à rotina escolar.
“Ser merendeira, para mim, é um desafio de agilidade, paciência e companheirismo. Nossa alegria é ver que as crianças comeram tudo. Tenho aprendido bastante a cozinhar e a preparar cardápios diferenciados, com pratos que antes eu nem conhecia. Hoje, aprendi a fazer essas receitas e a trabalhar com sabores diferentes”, explica.
Crédito: Paula Lourinho

Investimento na alimentação escolar
O trabalho das merendeiras é acompanhado pela ampliação dos investimentos na alimentação escolar da rede municipal. Segundo o secretário municipal de Educação, Jorge Vaz, o aumento dos recursos permitiu reestruturar o serviço, com melhorias na qualidade e na variedade dos alimentos oferecidos aos estudantes.
“Quando a gestão assumiu a Prefeitura de Belém, uma das grandes reclamações era sobre a quantidade e a qualidade da alimentação escolar. Por isso, fizemos um grande trabalho para remodelar o formato da distribuição e a forma como as refeições seriam preparadas. O investimento mais que triplicou para garantir não apenas qualidade, mas também diversidade. Hoje, a alimentação escolar de Belém é uma referência e um orgulho para o estado e para toda a Região Norte. Seguimos investindo em refeições saudáveis e de qualidade, que também contribuem para combater a infrequência escolar”, destaca o secretário.
Cardápio atrativo e nutritivo
Além da ampliação dos recursos, a rede municipal vem diversificando o cardápio para tornar as refeições mais atrativas e nutritivas para os estudantes. Desde setembro de 2026, os alunos passaram a contar com opções como hambúrguer e milk-shake preparados com ingredientes naturais.
O hambúrguer é feito com pão, carne moída de patinho, alface e tomate. Já o milk-shake leva leite integral, banana congelada e beterraba, podendo receber outras frutas, conforme a composição da receita.
Segundo a coordenadora de Alimentação Escolar da Semec, Ana Clara Miranda, as preparações seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), priorizando ingredientes naturais e o valor nutricional dos alimentos.
O cardápio semanal também inclui frutas como complemento em 90% das refeições, além de açaí servido duas vezes por semana.
“Alimentos que contêm carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, como frutas, legumes, verduras, carne, arroz, feijão e leite, entre outros que compõem o cardápio da alimentação escolar, contribuem para o desenvolvimento físico e cognitivo dos alunos”, explica Ana Clara.


