Dia dos Pais no Ver-o-Peso: histórias de amor que atravessam gerações

Neste Dia dos Pais, a Prefeitura de Belém revela histórias de luta e superação de quem trabalha no Complexo do Ver-o-Peso.

Crédito: Roberta De Paula

O permissionário Raimundo Monteiro de Melo, 67 anos, conta com a ajuda dos filhos Raimundo Filho, 44 anos, e Regina Melo, 41 anos, na venda de refeições no Mercado Francisco Bolonha

Entre as estruturas reformadas e preservadas pela Prefeitura de Belém no Complexo do Ver-o-Peso, histórias de gerações atravessaram o tempo. Pais fazem daquele lugar o sustento familiar e envolvem os filhos no trabalho que amam.

O Ver-o-Peso abriga cerca de 2.400 pessoas, entre permissionários, trabalhadores informais e ajudantes, mostram os dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento (Sedcon), muitos deles pais de família que celebram a data neste domingo, 10, no próprio Complexo, ao lado de seus filhos.

“Meu pai me fez ter paixão por cozinhar no Ver-o-Peso. Cheguei a trabalhar em um restaurante fora, mas faliu durante à pandemia (de covid-19) e foi aqui no mercado, junto com meu pai, que tive abrigo. Hoje pretendo continuar aqui e seguir os passos dele”, diz Raimundo Filho da Silva Melo, 44 anos, permissionário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), que atua no setor de refeição do Mercado Francisco Bolonha.

Veterano no espaço, Raimundo Monteiro de Melo, 67 anos, passou por muitas vivências dentro mercado e revela como chegou ao complexo.

“Estou aqui há 45 anos, meu tio já trabalhava em um boxe quando eu vim ajudá-lo. Passamos por momentos de dificuldades na pandemia e com a deterioração do espaço, mas agora, com a reforma que a Prefeitura de Belém fez no mercado e a movimentação com a COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), as vendas aumentaram bastante e continuam crescendo”, disse o permissionário que, além de pai do Raimundo Filho é também pai de Regina Melo, 41 anos, cozinheira no boxe de refeição.

A resiliência de quem nunca teve um pai por perto, marca a história do permissionário Nazareno Cardoso, de 70 anos. Hoje, ao lado de seus filhos, celebra o dia dos pais na certeza que fez um bom trabalho.

“Sou órfão de pai e mãe, por isso valorizo demais o sacrifício e o amor que tenho pelos meus filhos. Daqui do Ver-o-Peso formei 15 dos meus 13 filhos, tenho certeza de que sou exemplo para eles”, disse o permissionário Nazareno, que trabalha em um dos boxes mais movimentados do Mercado Francisco Bolonha.

Ainda segundo Nazareno, a luta pelo espaço foi conquistada aos poucos. “Primeiro comecei com vendas de bebidas e tira-gostos, depois me aperfeiçoei, fiz cursos de capacitação e agora sou conhecido pelos pratos que sirvo aqui, inclusive o próprio prefeito Igor Normando já veio comemorar o aniversário dele aqui comigo”, destaca o trabalhador.

Um dos filhos de Nazareno Cardoso, Washington Luiz Cardoso das Neves, de 42 anos, trabalha no box com o pai. O engenheiro civil carrega na bagagem experiências que ajudam o pai na administração dos negócios no mercado, que vão desde a compra de insumos, pagamentos aos fornecedores e gestão financeira.

“Já rodei o Brasil inteiro trabalhando, adquiri experiências em várias empresas, então nada mais justo administrar os negócios que com tanta dedicação e, do jeito dele, meu pai conseguiu. Também sou pai de duas filhas e aprendi com ele a importância de valorizar a família. Por isso, celebrar o dia dos pais ao lado dele é engrandecedor”, conta Washington.

Crédito: Roberta De Paula

Nazareno Cardoso e Washington Luiz Cardoso trabalham unidos para que os negócios passem de pai para filho

O Dia dos Pais representa saudade para o vendedor de camarão da feira do Ver-o-Peso Gregório Franco, de 71 anos. Pai de três filhos e avô de seis netos, há três anos ele perdeu de forma repentina o filho do meio, Cleiton José Franco, 36 anos, que sempre o ajudou com as vendas na feira.

“Olhar para esse box e não ver mais ele aqui do meu lado é uma tristeza profunda, mas sei que como pai de outros filhos preciso seguir em frente”, diz o vendedor, emocionado.

Apesar da dor, Gregório conta com a companhia do filho mais velho, Cleidson Jorge Franco, de 45 anos. “Nossa luta é diária, mas estou aqui para dar forças para o meu pai, afinal também sou pai de três filhos, trabalhamos com fé e dedicação, todos os dias, por eles”, afirma.

Crédito: Roberta De Paula

Gregório Franco, 71 anos, e o filho Cleidson Franco, 45 anos, são exemplos de pais que batalham diariamente para manter o sustento familiar

Última edição por: Lilian Leitão

Compartilhe: 

Veja também

Pesquisar