Dia Mundial do TDAH promove informação na luta contra o estigma

Data foi criada para incentivar o tratamento precoce. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade afeta crianças e adultos, com sintomas que exigem atenção diversa.

Crédito: Divulgação

O Dia Mundial de Conscientização para o TDAH é celebrado em 13 de julho

Na próxima segunda-feira (13) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A data foi criada para ampliar o acesso à informação sobre a condição, combater estigmas e incentivar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

De acordo com o neuropsicólogo Adivan Moreira, especialista no diagnóstico do transtorno e que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), o TDAH é um transtorno do desenvolvimento caracterizado pela hipofuncionalidade dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, comprometendo a rede de conexões cerebrais.

“É como se o cérebro tivesse dificuldade de saber quando é para descansar e quando é para executar tarefas”, explica o especialista.

Segundo ele, os sintomas variam de acordo com a faixa etária. Na infância, o transtorno costuma ser mais facilmente identificado, principalmente por causa das dificuldades apresentadas no ambiente escolar.

Entre os principais sinais estão a dificuldade de manter a atenção, hiperatividade motora — quando a criança não consegue ficar parada —, impulsividade e dificuldade em esperar a própria vez.

Na vida adulta, o neuropsicólogo explica que há uma internalização dos sintomas. A hiperatividade física dá lugar à hiperatividade mental, acompanhada de desatenção nas atividades cotidianas, dificuldade para executar tarefas complexas, problemas de concentração ou, em alguns casos, hiperfoco em um único assunto.

“A procrastinação é muito comum, assim como a perda de prazos. Tudo isso pode desembocar em outro transtorno, que é a síndrome de burnout. Enquanto na criança o TDAH se reflete principalmente na escola, no adulto ele impacta, sobretudo, o ambiente de trabalho.”

Diagnóstico exige avaliação criteriosa

O diagnóstico em adultos costuma ser mais complexo, já que os sintomas podem ser confundidos com outros transtornos psicológicos. O neuropsicólogo ressalta que o TDAH vai muito além da falta de foco ou da hiperatividade.

Ele explica que comportamentos como compulsão por compras podem estar relacionados ao transtorno. Além disso, transtornos obsessivo-compulsivos, ansiedade e outras condições podem representar manifestações de um TDAH ainda não identificado.

Outro aspecto importante é que nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Algumas possuem apenas déficit de atenção; outras, apenas hiperatividade; e há ainda aquelas que apresentam a combinação dos dois quadros.

Por isso, Adivan destaca que o diagnóstico precisa ser definido com rigor. A avaliação envolve entrevista clínica com o paciente, aplicação de testes psicopedagógicos e conversa com familiares.

No caso das crianças, também são realizadas visitas à escola para entrevistas com professores e pedagogos. Já para adultos, a avaliação inclui visita técnica à residência do paciente.

Diagnóstico precoce melhora qualidade de vida

Como o TDAH se desenvolve ainda na infância, identificar o transtorno precocemente faz diferença na qualidade de vida do paciente.

“O dia 13 de julho é voltado principalmente para que as pessoas busquem conhecer mais sobre o TDAH, porque, quando não tratado, ele causa muito sofrimento. Muitas vezes a pessoa acredita que é burra, e isso pode desencadear outras doenças, como depressão e ansiedade”, alerta o neuropsicólogo.

O tratamento combina acompanhamento psicológico e, conforme explica Adivan Moreira, entre 40% e 50% dos pacientes também necessitam de tratamento medicamentoso.

“Nem sempre o indivíduo precisa tomar remédio. Muitas vezes, somente com o acompanhamento psicológico, principalmente no caso dos adultos, a pessoa consegue reorganizar a própria vida. Já as crianças costumam ser mais medicalizadas porque ainda não têm essa percepção e capacidade de organização que o adulto desenvolve”, explica.

Apesar de o TDAH ser um tema cada vez mais presente nas redes sociais, o especialista ressalta que ainda há muita desinformação sobre o transtorno. Por isso, o Dia Mundial de Conscientização representa uma oportunidade para buscar informações confiáveis e procurar profissionais capacitados para realizar uma avaliação adequada e, quando necessário, iniciar o tratamento.

Última edição por: Lilian Leitão

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