Em Belém gestantes são motivadas a optar pelo parto normal

Entre os debates que serão realizados durante a quinta edição da Semana do Bebê de Belém, no período de 16 a 21 de maio, está a escolha pelo parto normal. O tema vem sendo incentivado pelo Ministério da Saúde, devido aos altos índices de cesarianas realizadas nos hospitais públicos e privados do país.

De acordo com um estudo sobre parto e nascimento no Brasil, feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 52% dos nascimentos no Brasil são por cesarianas, sendo que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que somente 15% dos partos sejam realizados por meio de procedimento cirúrgico. Segundo o Ministério da Saúde, a cesariana, quando não tem indicação médica, aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Dessa forma, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê.

Para incentivar o parto normal e deixar cada vez mais humano esse processo, o projeto “Gestação Saudável” da Unidade Municipal de Saúde (UMS) da Marambaia, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Universidade Estadual do Pará e Centro Universitário do Estado do Pará, realiza uma série de atividades e palestras semanalmente para as futuras mães.

“Muitas grávidas chegam certas que querem fazer uma cesariana, mas logo nos primeiros encontros elas acabam mudando de opinião. Primeiro pela recuperação que é mais rápida e também pela relação com o bebê, que é bem mais forte no parto normal”, disse a fisioterapeuta coordenadora do projeto, Tatiane Silva.

Grávida de três meses, Elaine de Oliveira, 31 anos, começou a participar há uma semana do “Gestação Saudável” e espera continuar frequentando para manter os cuidados com a sua saúde e a do bebê. “Espero que eu tenha parto normal, por conta do tempo de recuperação e por ser mais saudável para a criança. Cirurgia para mim só em último caso”, reforçou.

O grupo tem encontros semanais, com duração de uma hora. Em atividade desde abril de 2014, mais de 200 gestantes já passaram pelo projeto que tem a dinâmica conduzida por duas etapas: um momento teórico e outro prático.

As reuniões começam com uma roda de conversa, direcionada pelos profissionais de saúde, sobre temáticas sugeridas pelo Ministério da Saúde e pelas próprias participantes. Em seguida, iniciam-se os exercícios terapêuticos direcionados à saúde da gestante, sendo eles respiratórios circulatórios e de relaxamento.

Estes exercícios buscam amenizar as dores nas costas, inchaço nas pernas e o cansaço, que são algumas das principais queixas das mulheres durante a gravidez. Cinthya Pitman, 36 anos, que está com nove semanas de gestação, procurou o grupo buscando não ter dificuldades na gestação, devido sofrer de problemas na coluna. “Como estou muito sedentária, estou me adaptando aos poucos aos exercícios. Mas acredito que até o fim da gravidez vá melhorar. Quero evitar futuras complicações”, disse.

No parto humanizado, a futura mamãe é motivada a se informar e a fazer suas próprias escolhas. “Aqui nós preparamos as grávidas para as duas possibilidades. Porque pode ocorrer complicações e o nascimento normal não ser possível. Afinal, quando falamos de parto humanizado, trata-se de munir de conhecimento e empoderar essa grávida. Deixar claro o que ela pode fazer, o que é direito dela e o que pode ocorrer na gestação”, completou Tatiane.

Texto: Andreza Carvalho

Última edição por: Agência Belém

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