Escola mobiliza comunidade para o problema do lixo

“Lixo: Eu me importo, e você?”. A pergunta dá nome ao projeto da Escola Municipal Rita Nery, localizada no bairro Tapanã, e tem despertado o olhar crítico e sensibilizado estudantes, professores e pais de alunos para o problema do lixo e do entulho produzidos e descartados indiscriminadamente pela comunidade.

“Belém e distritos produzem em média 1.100 toneladas de lixo domiciliar por dia. Reaproveitar pode ser uma das soluções mais viáveis para a redução da quantidade de lixo”, pondera a diretora da escola, Jobetania Nascimento, que explica que o projeto estimula a reutilização de materiais e pode reduzir significativamente o volume de resíduos jogado fora.

Garrafas Pet, pneus de carros, cabos de vassoura, pedaços de tecido, caixas de papelão e até garrafas de iogurte viram matéria prima para a confecção de brinquedos, utensílios em geral e até mesmo livros de histórias nas atividades do projeto. “Tenho muitos brinquedos, mas os fantoches de garrafa são os meus preferidos, porque eu mesma ajudei a fazer”, conta a aluna do Jardim I, Kethelen Batista, 5 anos.

Com o projeto a escola quer promover a formação de cidadãos mais preocupados com o bem estar coletivo e capazes de contribuir para uma Belém melhor e mais limpa. A iniciativa vem ganhando adesão da comunidade do entorno. “Porque a hora de aprender mesmo é agora, desde criança, para que cresçam conscientes e ajudem na formação de outros cidadãos conscientes”, afirma a dona de casa Jaqueline Santos.

Entre as atividades desenvolvidas com os estudantes, uma das preferidas da maioria é a chamada pesca de resíduos como papeis, metais e plásticos. As crianças precisam separar o lixo, guardar o que é reciclável e descartar, em local adequado, o que não poderá ser reutilizado.

“Através de um trabalho consciente e sustentável mostramos para as crianças que podemos reutilizar cada objeto que seria desperdiçado e jogado ao lixo, muitas das vezes, em locais inadequados”, explica a professora Amanda Rodrigues.

Isabelle Caroline, 5 anos, já sabe o que fazer com o lixo de casa. “Eu preciso separar o que posso usar novamente, jogar o resto no saco e colocar no local que é pra colocar”, enumera. “Não pode jogar lixo nos rios, nem nas ruas, e nem deixar os sacos nas calçadas sem amarrar direito, porque se não chove e espalha”, ensina.

A mãe de Isabelle, Jaqueline Santos, que acompanha a filha na escola diariamente, não esonde o orgulho da menina. “É muito bom ver que a escola contribui para a boa formação da minha filha, tornando-a um exemplo de cidadã que cumpre com seus direitos e deveres, já que a questão do lixo não é só de responsabilidade dos órgãos públicos, mas de todos nós”, adverte.

Com o envolvimento crescente e retorno positivo da comunidade no projeto, os professores pretendem ampliar as atividades e a interação com as famílias da área. “Queremos levar esse trabalho adiante e impactar a todos para que cada um faça sua parte”, planeja a professora Rodrigues.

Texto: Natasha Albarado

Última edição por: Agência Belém

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