Escola também é lugar de aprender a comer bem

Nascida no longínquo mun­icípio de Porto de Moz, no Baixo Amazonas, a dona de casa Maria Lima, de 56 anos, não imaginava que voltaria a um hábito que tanto ama e que tanto marcou sua infância e adolescência – o de cultivar plantas – graças à escola do neto. Maria é avó de Pedro Henrique, aluno do terceiro ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Benvinda de França Messias, em São Brás. O colégio acaba de ganhar uma horta, dentro do projeto “Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia”, desenvolvido pela Fundação Municipal de Assistência ao Estudante (Fmae), e, pela expertise adquirida na juventude, a dona de casa Maria fez questão de ajudar à escola e os estudantes a entender melhor como funciona uma horta para que eles possam abraçá-la e cultivá-la com carinho.

“Muitas vezes, as crianças não sabem como aquele alimento vai parar na sua mesa. Que é preciso plantar, regar, cuidar. Por isso, esse projeto é tão importante, já que esse conhecimento certamente eles vão levar para o resto da vida”, avaliou a dona de casa, confessando que a proximidade com a horta escolar já a está fazendo voltar a pensar em ter uma em casa, mesmo em uma área urbana, como a do bairro do Marco, onde ela mora atualmente.

Na manhã desta quinta-feira, 20, os alunos da Escola Benvinda foram os primeiros a receber uma apresentação de fantoches – dentro do eixo pedagógico do projeto “Horta” – que versava sobre a importância do consumo de frutas e verduras e do cultivo e cuidados com as hortas escolares. “O projeto das hortas é centrado em três pilares: pedagógico, ambiental e nutricional. O que estamos trabalhando hoje, pela primeira vez, com o uso dos fantoches, é a questão pedagógica. Esse trabalho será estendido a todas as escolas onde o projeto já está acontecendo”, explicou a nutricionista da Fmae, Priscila Lins.

A pequena Kauane Oliveira, de oito anos, acompanhou atentamente à exibição dos bonecos e saiu da apresentação ainda mais convicta da importância do consumo de frutas e legumes. “Na minha casa, a minha mãe sempre compra uvas, maçãs e bananas pra gente comer. E aqui na escola também sempre tem na merenda. Eu gosto muito de frutas, mas a minha favorita é a uva”, assegurou a menina.

A diretora da escola, Andréa Mendes, informou que a meta da direção é envolver todos os cerca de 360 alunos da instituição no projeto, tantos as crianças quanto os adultos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A horta foi implantada no local no último dia 14 de agosto. “Com esse trabalho, nós queremos, também, mostrar a eles a importância das nossas escolhas no que se refere à alimentação para a nossa vida como um todo”, pontuou.

Atualmente, o projeto “Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia” está implantado nas escolas Pedro Demo, em Outeiro; Rita Nery, no Tenoné; Alda Eutrópio de Souza, no Tapanã; UEI Providência, em Val-de-Cans; Allana Souza Barbosa, no Parque Verde; Parque Bolonha, no Verdejante; Lais Aderne, em Icoaraci; Nova Aliança, na Pratinha; Alzira Pernambuco, no Marco; Madalena Travassos, em Mosqueiro; Milton Monte, na Ilha do Combu; UP São José, na Sacramenta; UP Nazaré, na ilha Grande; UP Combu, na ilha Grande; UP Santo Antônio, na ilha do Combu; UP Nossa Senhora dos Navegantes, na ilha de Várzea; Benvinda de França Messias, São Brás; UP Maria Clemildes, em Mosqueiro; e UP Mari-Mari, em Mosqueiro.

Texto: Elck Oliveira

Última edição por: Agência Belém

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