Estudantes de Belém vencem Olimpíada Brasileira de Astronomia

Alunos da Escola Municipal Ida Oliveira receberam medalhas de ouro, prata e bronze pelas conquistas na competição nacional

Crédito: Élida Miranda

Estudantes da Escola Municipal Ida Oliveira receberam medalhas da Olimpíada Brasileira de Astronomia. Destes, um foi premiado com medalha de ouro, quatro com medalhas de prata e um com medalha de bronze.

Seis estudantes da Escola Municipal Ida Oliveira, no bairro da Maracangalha, receberam medalhas de ouro, prata e bronze em uma cerimônia realizada nesta terça-feira (25) para premiar os vencedores da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), que ocorreu em maio deste ano.

Organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a OBA atrai milhões de estudantes do país com o objetivo de despertar e aprofundar o interesse pelos estudos do universo, foguetes e ciências afins. A prova envolve cerca de 10 mil instituições e conta com a participação de cerca de 800 mil estudantes.

A professora Lúcia Lobato promoveu e coordenou as atividades da Olimpíada na Escola Ilda Oliveira. Ela conta que inscreveu duas turmas de 5º ano e motivou os alunos com a possibilidade de conhecerem novos assuntos, participarem de uma prova nacional e do quanto isso seria um diferencial na vida deles.

“No mês de abril começamos a mobilização da comunidade e realizamos um trabalho de valorização da autoestima. Iniciamos com assuntos mais simples, jogos, vídeos, correção coletiva de atividades. Foi criada uma atmosfera de curiosidade e interesse pela Astronomia”, relembra a professora.

Crédito: Élida Miranda

Arthur Trindade tirou a nota máxima na prova (10) e recebeu a medalha de ouro das mãos do próprio pai.

Toda a motivação e empenho resultaram em uma medalha de ouro para o aluno Arthur Trindade; quatro medalhas de prata aos alunos Iara Oliveira, Luisa da Silva, Luiz Gouveia e Ytallo da Costa; e uma medalha de bronze ao aluno Eduardo Henrique.

De acordo com Lúcia Lobato, os níveis das provas são elevados e o conteúdo programático é trabalhoso. A aluna Luísa da Silva descreve a sensação de ter alcançado uma nota tão alta (9,2) numa competição de nível nacional.

“Tô me sentindo feliz, alegre. Eu tava nervosa na prova, pois estava um pouco difícil. Só que algumas [questões] foram fáceis”, afirma a estudante.

Crédito: Élida Miranda

Luísa da Silva foi uma das alunas que conquistaram medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia.

O aluno Luiz Gouveia, também medalhista de prata (com nota 9,4), conta que estudou bastante para a prova.

“Eu estudei muito, pesquisava sobre os planetas pelo celular, sobre o que a professora falava”, relembra o aluno.

Crédito: Élida Miranda

Luiz também ganhou medalha de prata na OBA e está na expectativa de nota 10 nas próximas competições.

Tanto os medalhistas como os demais colegas das turmas estão participando de outras duas competições nacionais: a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP Mirim), realizada nesta terça na escola, e a Olimpíada Nacional de Ciências Júnior (ONC 2026), cuja primeira fase ocorrerá no próximo dia 27 de agosto, também na escola. “Eu espero tirar um 10 nessas provas”, afirma Luiz Gouveia.

Protagonistas da ciência

Paralelamente à premiação da OBA, a escola realizou a Mostra Mirim de Matemática Interativa, evento protagonizado pelos alunos do 4º ano com a proposta apresentar a Matemática de maneira mais concreta, dinâmica, acessível e próxima da realidade, promovendo entre os estudantes autonomia, comunicação, raciocínio e capacidade de compartilhar aquilo que aprenderam.

Crédito: Élida Miranda

Alunos apresentaram a Matemática de forma lúdica para os colegas na Mostra Mirim de Matemática Interativa.

“O objetivo principal da mostra foi trazer para as crianças a Matemática de forma diferente, em que eles pudessem estar experimentando, investigando, pesquisando, errando e aprendendo, de forma interativa. Aqui eles estão sendo os protagonistas, porque eles estão apresentando o que aprenderam. E o interessante do processo todo foi que eles conseguiram ensinar os outros que tinham dificuldade, e se identificaram com aquelas atividades que hoje eles estão apresentando”, explica a professora Jacirema Coelho, uma das coordenadoras da mostra.

O evento foi inspirado em uma atividade que os alunos participaram na Universidade do Estado do Pará (UEPA) em abril deste ano, realizada por mestrandos do curso de Matemática, entre eles a professora Rosilene Santos, também coordenadora da iniciativa. As duas professoras apresentaram a proposta na escola, uniram as turmas, chamaram as famílias para serem parceiras e o resultado de todos os esforços foi apresentado no evento.

Crédito: Élida Miranda

As professoras da Mostra Mirim de Matemática Interativa, ao lado do secretário municipal de Educação, do diretor da escola Ida Oliveira e do professor da UEPA.

Segundo Rosilene, elas abraçaram a ideia num momento em que as turmas estavam com problemas de comportamento e após os alunos apresentarem rendimento abaixo do esperado na Avaliação Diagnóstica da Rede Municipal de Educação.

“Estávamos com os índices baixos. Então nos propusemos a fazer esse projeto, envolvendo os alunos, as famílias, nós professores, a coordenação e a direção”, relembra a educadora.

A professora Jacirema conta que hoje o cenário, antes de dificuldades, já mudou.

“Percebemos que o índice que precisava melhorar era em Matemática. Toda a comunidade escolar abraçou para que a gente pudesse elevar o nível nessa disciplina. E hoje, após o resultado da Formativa 1 [outra avaliação feita pela Secretaria Municipal de Educação para avaliar a aprendizagem dos alunos], a gente já conseguiu perceber o avanço deles em Matemática”, afirma.

Foi a primeira vez que os alunos se apresentaram em público. O estudante Matheus Souza conta que ama Matemática e que treinou muito para a mostra.

“Foi com muito esforço, a gente ficou treinando muito. Eu amo Matemática, é a minha matéria favorita”, relata o estudante.

Crédito: Élida Miranda

Larissa Leal, Matheus Souza e Rafael Costa apresentaram juntos conhecimentos sobre Matemática na mostra.

A aluna Giovanna Gomes, por outro lado, conta que aprendeu a gostar de Matemática graças ao projeto.

“Eu não gostava de Matemática, só que eu aprendi que ela é muito importante pra gente, aí eu comecei a gostar. Então comecei a me preparar, com todo o meu esforço e dedicação, pra vir aqui na Mostra, e hoje estou aqui”, conta a estudante.

Crédito: Élida Miranda

Sophie e Giovanna são colegas e se apresentaram juntas na mostra. Giovanna conta que aprendeu a gostar de Matemática após o envolvimento nas atividades do evento.

Um despertar para a ciência

De acordo com o diretor da Escola Ida Oliveira, Adnildo Wanzeler, atividades como essas são de grande importância para o aprendizado e para o desenvolvimento dos alunos.

“Ações como essas movimentam, integram, incentivam, porque nessas formas diferentes de aprendizado, a gente começa a perceber até mesmo os interesses aflorando: alguém que gosta mais de Astronomia, um volta-se para a Matemática, outros para outras ciências”, afirma o diretor.

Segundo a professora Lúcia Lobato, que desde 2011 participa como professora representante da OBA em escolas municipais de Belém, o objetivo principal desse estímulo do conhecimento é promover a alfabetização científica entre os alunos, despertar vocações científicas e incentivar a curiosidade sobre o universo desde os primeiros anos escolares.

Crédito: Élida Miranda

A professora Lúcia Lobato explica que um dos objetivos de promover a participação dos alunos nas olimpíadas nacionais é trabalhar a alfabetização científica dos estudantes.

Além disso, busca estimular a autoestima e valorizar os estudantes daqui, que mostraram que, mesmo sendo de uma escola pública da periferia da Amazônia, podem ter o mesmo nível de alunos de escolas famosas do eixo Sul-Sudeste do país.

“Essa conquista dá uma visibilidade sobre o trabalho pedagógico desenvolvido, porque a escola entra no quadro nacional das escolas que tiveram medalhistas nacionais. Então isso é uma valorização da autoestima. Em nenhum momento a gente trabalha a meritocracia. Eu acredito que a escola pública deve ser um espaço que promove a equidade social, que garanta com que um aluno, independentemente do seu resultado, também possa participar junto com outras crianças do Brasil de uma competição como essa”, afirma Lúcia.

O secretário de Educação de Belém, Jorge Vaz, esteve nas duas programações e destacou que iniciativas como as realizadas na Escola Ida Oliveira fortalecem o aprendizado lúdico das crianças.

“A gente fica muito feliz com o desempenho dos nossos alunos, parabeniza eles e toda a equipe de professores e a gestão por essa conquista”, celebra o secretário que acrescenta que a Prefeitura de Belém “sempre tenta dar todo o suporte e um terreno favorável para que os nossos professores e toda a nossa rede promovam esse tipo de aprendizado para as nossas crianças”.

Última edição por: Tânia Menezes

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