Material retirado dos canais de Belém gera emprego e renda

Garrafas de vidro, plástico, metal, pneus, carcaças de geladeira, estruturas de fogão, sofás. Ainda tem o entulho, aquele material que sobra das obras de construção ou reforma. A variedade de produtos descartados pela população que têm como destino os canais que cruzam a grande Belém é enorme e assustadora. O que um dia já foi útil se transforma numa ameaça à saúde da população e só no mês de janeiro contabilizou oito mil toneladas de resíduos sólidos retirados dos canais pela Secretaria Municipal de Saneamento. E você, sabe o que é feito com todo esse material?

A Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves), parceira da Prefeitura de Belém, transforma tudo isso em renda para os mais de 100 catadores associados. Ele vão até o antigo lixão do Aurá, desativado em julho do ano passado, fazer a coleta dos resíduos. Atualmente, o lixão recebe apenas materiais que não produzem chorume, evitando a contaminação do solo. De lá, tudo é encaminhados para o galpão da cooperativa, localizado no bairro da Terra Firme, onde é feita uma seleção antes de da venda para uma empresa.

Mas todo esse trabalho poderia ser poupado se a população fosse mais consciente e cuidadosa em relação ao meio ambiente. Tudo o que foi tirado do lixo poderia passar pelo mesmo processo antes de entupir bueiros e assorear canais.“A preocupação de não jogar lixo nas ruas deve ser de todos nós. Todo esse material pode ser reaproveitado ao invés de parar na sarjeta, nos esgotos e nos canais”,alerta o presidente da Cooperativa, Jonas Silva. Ele também destaca que “a Prefeitura cumpre o papel dela, mas é necessário a ajuda da população”.

Essa falta de compromisso e de cidadania de quem joga lixo nos canais é uma preocupação recorrente do autônomo Nelson Ferreira, 57 anos. Ele mora nas proximidades do canal da 3 maio, que recebeu a limpeza da Prefeitura nesta semana, mas que já recebeu uma nova carga de detritos deixada pelos “sujismundos” de plantão. “Sempre tem gente que joga lixo aí dentro. A gente chama atenção, coloca placa, mas mesmo assim continuam jogando”, conta, indignado.

Ações durante o ano

Para garantir que o lixo jogado nos canais não cause transtornos ao Nelson nem aos moradores de áreas consideradas críticas, a Prefeitura realiza o trabalho de limpeza regularmente durante todo o ano e intensifica as ações no período chuvoso. A retirada do lixo é feita de quatro a seis meses, dependendo do tamanho do canal. Além da retirada dos resíduos, todos os espaços são capinados e é feita a desobstrução dos canos que jogam água nos canais.

A equipe de limpeza conta com mais de 20 caçambas, uma retroescavadeira, uma draga, uma escavadeira hidráulica, três pás mecânicas e mais de 90 homens. Os serviços nos canais da Avenida Gentil Bittencourt, Antônio Baena (entre Avenida Pedro Miranda e Marquês de Herval) e Antônia Tavares (nas proximidades da Avenida Governador José Malcher), já foram concluídos.

Nesta semana, serão iniciados nos canais do Galo, 3 de maio e Bosque Felicidade (atrás do estádio do Mangueirão) e na próxima semana, o canal Água Cristal, no bairro da Marambaia, recebe a ação. Além da retirada do lixo, todos os espaços são capinados e é feita a desobstrução dos canos que jogam água nos canais.

Texto: Igor Pereira

Última edição por: Agência Belém

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