Mercado de São Brás celebra 115 anos como hub de sucesso na capital

Inaugurado em 21 de maio de 1911, o Mercado de São Brás foi reformado e requalificado para a COP 30, se tornando um dos legados da Conferência do Clima mais amados pela população e pelos turistas. Mais de 600 mil pessoas já visitaram o espaço desde a reinauguração.

Crédito: Rayana França

O imponente Mercado de São Brás tem arquitetura da Belle Époque, com estrutura em ferro fundido e elementos decorativos mesclando art nouveau e neoclássico

Construído no início do século XX e inspirado nos modelos neoclássico e art nouveau, o Mercado de São Brás foi o terceiro grande mercado de Belém, depois do Ver-o-Peso e do Francisco Bolonha. Idealizado pelo engenheiro Filinto Santoro e inicialmente chamado de Mercado Renascença, o espaço só depois recebeu o nome atual, em homenagem a São Brás, santo cuja procissão passava pelo local.

Teve sua construção iniciada em 1º de maio de 1910 e foi oficialmente inaugurado em 21 de maio de 1911, completando, em 2026, 115 anos de história como um hub de sucesso da capital paraense, ostentando a marca de 600 mil visitantes desde a reinauguração, em outubro do ano passado.

Na atualidade, o prédio histórico foi protagonista na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), resgatado como símbolo da valorização da identidade paraense.

Reformado para receber o evento mundial, turistas brasileiros e estrangeiros passaram a frequentar o espaço em peso, atraídos pelo polo gastronômico com mais de 80 espaços comerciais.

O Mercado foi ainda cenário do tradicional concurso Rainha das Rainhas, que em 2026 apresentou suas 15 candidatas em um evento que pela primeira vez foi aberto ao público.

E logo no início da reabertura, durante a COP 30, o mercado recebeu a rainha Mary Donaldson, da Dinamarca, em um jantar.

O Mercado de São Brás já mostrou que tem estrutura, história e peso de um hub de verdade, conectando cultura, gastronomia e pertencimento.

A reforma que transformou o antigo e abandonado espaço público em um ambiente multifuncional nasceu de um concurso vencido pelo arquiteto Aurélio Meira, viabilizado por recursos da Itaipu Binacional, via governo federal.

Beleza, gastronomia e atrações culturais conquistam público fiel

Com sistema de exaustão, coleta seletiva e acessibilidade, o novo mercado emprega mais de 300 famílias e recebe mais de mil pessoas por dia, informa o administrador do espaço, Franklyn Nahun.

“O Mercado de São Brás virou referência como ponto turístico, não só para os visitantes, mas um local de encontro para os moradores da capital”, diz.

Crédito: Ascom/Sedcon

Franklyn Nahun, administrador do Mercado de São Brás, celebra o espaço como ponto de encontro

Desde a reinauguração, em 9 de outubro, o espaço tem se consolidado como um importante polo cultural, turístico e econômico de Belém. Somente no salão interno, já foram realizados cerca de 80 eventos, incluindo o o lançamento da nova coleção da Natura e o anúncio oficial do Carnaval de Belém.

Na área externa, o mercado recebe apresentações culturais todos os fins de semana, com a participação de dez a 20 artistas paraenses por evento, tanto na praça central quanto nos restaurantes externos. Ao longo desses oito meses, mais de 200 artistas já passaram pelo Mercado de São Brás.

O fluxo de visitantes também impressiona, com média de 8 a 10 mil pessoas por fim de semana, fortalecendo a geração de emprego e renda. Atualmente, os mais de 300 permissionários geram diretamente mais de mil empregos.

“Agora estamos só no luxo, só na bênção. Melhorou muito a qualidade de trabalho”, celebra a feirante Maria Luzia Ferreira Rodrigues, que há 45 anos trabalha no local com venda de frutas.

Crédito: Ascom/Sedcon

A feirante Maria Luzia Ferreira Rodrigues é grata pela reforma: “uma bênção”

Maria Luiza recorda o passado: “Era horrível, um sufoco, muito quente, tudo era ruim, mas tinha que trabalhar”. O faturamento, diz, melhorou. Ela atende predominantemente idosos, um público fiel que frequenta o espaço pela manhã.

Crédito: Ascom/Sedcon

Adrielle Pimenta é frequentadora assídua do Mercado

Visitante assídua, Adrielle Pimenta destaca a estética atrativa e a programação cultural como diferenciais. “É apresentado muito da cultura. O espaço recebe todas as pessoas”.

Crédito: Ascom/Sedcon

Já o influenciador Hygo Palheta, também frequentador do espaço, ressalta a diversidade de vivências.

“Hoje é mais que um mercado, é uma experiência. Desde um cafezinho simples até uma comida mais refinada. A população só tem a ganhar”.

No Mercado de São Brás, a diversidade vai muito além da arquitetura: lá convivem harmoniosamente do simples ao sofisticado. E não para por aí, a programação cultural semanal abraça todos os gostos e idades. Crianças, jovens, famílias e idosos encontram ali um pedaço de Belém que os acolhe sem distinção.

É justamente essa mistura que transforma o antigo mercado em uma verdadeira praça viva, onde comer, ouvir, dançar e pertencer são atos compartilhados.

Texto: Gabrielly Moura, estagiária, sob supervisão da jornalista Syanne Neno.

Última edição por: Lilian Leitão

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