Prefeitura combate leishmaniose visceral canina em Cotijuba

Ação de busca ativa reforça a vigilância das zoonoses no município, ampliando o acompanhamento dos casos e fortalecendo as estratégias de prevenção e controle da leishmaniose visceral.

Crédito: Ascom Sesma

Equipes da Sesma realizaram busca ativa e coletas de amostras de sangue de cães na ilha de Cotijuba

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), realizou nos dias 13 e 14 de junho uma ação de busca ativa para identificação e monitoramento de cães em área de risco para leishmaniose visceral canina na Ilha de Cotijuba, em Belém.

Durante a ação, as equipes percorreram residências da ilha realizando a coleta de amostras de sangue de cães com idade acima de quatro meses, independentemente da presença de sinais clínicos. A medida é adotada porque a leishmaniose visceral pode se apresentar de forma silenciosa, e animais assintomáticos também podem estar infectados.

Todo o material coletado é submetido a teste rápido na UVZ e, quando há resultado positivo, é encaminhado ao Laboratório Central do Estado do Pará (LACEN-PA) para confirmação por exames laboratoriais, como o Ensaio Imunoenzimático.

Segundo o médico veterinário da UVZ, Éder Santiago do Carmo , a busca ativa é fundamental para o controle da doença no território.

“A busca ativa permite identificar precocemente animais infectados, mesmo sem sinais clínicos, confirmar os casos por meio de exames laboratoriais e orientar as medidas de controle mais adequadas. Isso é essencial para reduzir a circulação do parasita e interromper o ciclo de transmissão da leishmaniose visceral”, destacou.

Crédito: Ascom Sesma

O médico veterinário Éder do Carmo destacou a importância da ação em Cotijuba

Ele também reforça que a atuação inclui orientação aos responsáveis e medidas de controle definidas conforme protocolos de saúde pública.

“Após a confirmação do resultado positivo, o responsável é orientado sobre as medidas preconizadas pelos protocolos de controle da doença. Entre elas, estão o acompanhamento veterinário e o uso de estratégias de proteção, como o encoleiramento com coleiras impregnadas com inseticida, que contribuem para reduzir a transmissão ao impedir o contato do vetor com o animal infectado. Também são repassadas orientações sobre manejo responsável e acompanhamento contínuo do animal”, explicou.

Sobre a Leishmaniose

A leishmaniose visceral canina é uma doença grave causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitido pela picada do mosquito-palha infectado. Trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida aos seres humanos. Os cães são considerados os principais reservatórios da doença no ambiente urbano.

Principais sintomas nos cães

Nem todos os cães infectados apresentam sinais clínicos. Quando a doença se manifesta, os sintomas mais comuns são:

– Emagrecimento progressivo
– Apatia
– Febre
– Aumento dos linfonodos

  • Alterações na pele
    – Feridas que não cicatrizam
    – Descamação da pele
    -Queda de pelos
    – Crescimento excessivo das unhas
  • Comprometimento de órgãos
    – Aumento do fígado e do baço
    – Anemia
    – Problemas renais
  • Alterações oculares
    – Conjuntivite
    – Lesões na córnea.

Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico não pode ser confirmado apenas por avaliação clínica. O médico-veterinário poderá solicitar exames como: sorologia (Ensaio Imunoenzimático e RIFI), para detecção de anticorpos; exames parasitológicos, realizados por meio de amostras de linfonodos, medula óssea ou pele; teste molecular (PCR), que identifica o DNA do parasita.

Tratamento

O tratamento tem como objetivo controlar os sinais clínicos da doença e reduzir o risco de transmissão. Deve ser realizado sob acompanhamento médico-veterinário, seguindo os protocolos autorizados pelos órgãos competentes.

Como prevenir?

Utilizar coleiras repelentes recomendadas por médico-veterinário;
Manter a vacinação do animal em dia, conforme orientação profissional;
Instalar telas de proteção em portas e janelas;
Manter quintais e terrenos limpos, com remoção de folhas, fezes e matéria orgânica acumulada;
Evitar que os animais permaneçam em áreas externas durante os períodos de maior atividade do mosquito-palha, especialmente ao entardecer e à noite.

Prevenção e segurança à população

Morador da Ilha de Cotijuba, Edson Pinheiro Alexandrino, autônomo, destacou que a presença das equipes trouxe mais segurança, informação e conscientização para a comunidade.

Crédito: Ascom Sesma

Edson Alexandrino durante a ação de prevenção à Leishmaniose visceral canina em Cotijuba


“É de suma importância o trabalho dos agentes, porque muitas vezes a gente não consegue identificar os sinais da leishmaniose nos animais. Com as orientações da equipe, fica mais fácil reconhecer os sintomas e buscar ajuda o quanto antes. Esse trabalho ajuda a prevenir a doença e protege tanto os animais quanto a comunidade.”

Já a moradora da ilha, Rosinilda Paiva, dona de casa, ressaltou a importância do acompanhamento contínuo realizado pelas equipes de saúde.

Crédito: Ascom Sesma

Rosinilda Paiva, moradora de Cotijuba, acompanhou a ação da Sesma com atenção


“Esse trabalho da Sesma dá mais segurança para quem cria animais aqui na ilha. A equipe foi muito atenciosa, explicou tudo com calma, fez a coleta de sangue e orientou sobre prevenção. Isso ajuda muito no cuidado do dia a dia com os cães”, disse.

A iniciativa integra as ações contínuas da Sesma em Cotijuba, com visitas periódicas para monitoramento da população canina e controle da leishmaniose visceral.

Com a ação, a Prefeitura de Belém reforça o compromisso com a vigilância das zoonoses e com a proteção da saúde animal e humana.

Serviços

As ações de vigilância e controle ocorrem de forma rotineira em diferentes áreas do município de Belém, conforme planejamento epidemiológico, demanda da população ou identificação de áreas com circulação do vetor e casos suspeitos.

Entre as estratégias desenvolvidas estão as ações casa a casa, com coleta de sangue de cães para investigação da leishmaniose visceral. Os testes rápidos são realizados na UVZ e, quando positivos, as amostras são encaminhadas ao LACEN-PA para confirmação diagnóstica.

Além disso, a equipe atua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará e o Instituto Evandro Chagas no desenvolvimento de estratégias complementares de controle, como o Plano de Encoleiramento de cães. A ação prevê o uso de coleiras impregnadas com deltametrina, fornecidas pelo Ministério da Saúde, como medida de proteção individual e redução da transmissão da doença.

As medidas de controle são adotadas conforme os resultados das investigações epidemiológicas, com foco na interrupção do ciclo de transmissão e na redução do risco para animais e seres humanos. O manejo adequado dos casos positivos integra as estratégias de vigilância e controle da leishmaniose visceral no município, contribuindo para a proteção da saúde pública.

Em caso de denúncias, orientações ou solicitações relacionadas às ações de vigilância epidemiológica, a população pode entrar em contato pelos telefones (91) 98587-7953 (WhatsApp), (91) 98588-3608 (WhatsApp), (91) 98588-3487 ou (91) 98104-2047 (WhatsApp). Para denúncias de maus-tratos a animais, o contato pode ser feito pelo número 181.

Texto: Patricia Madrini

Última edição por: Fernanda Palheta

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