O maior clássico do Norte, o RE-PA, realizado na tarde deste domingo (8), no Estádio Olímpico Mangueirão, também foi palco de uma mensagem urgente: nenhuma violência contra a mulher pode ser ignorada. No Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de Belém realizou uma ação de conscientização contra o feminicídio durante o RE-PA que decidiu o título paraense de 2026.
A mobilização levou para o coração da rivalidade entre Remo e Paysandu um alerta coletivo pela vida. Em meio às bandeiras, camisas e à emoção das torcidas, a campanha chamou a atenção para a importância do respeito, da proteção e da defesa da dignidade das mulheres, valores que precisam estar presentes dentro e fora dos estádios.
A ação foi pensada e articulada de forma conjunta entre a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, a Federação de Mulheres do Pará (FEMEPA), a Diretoria Feminina do Remo e a Diretoria Feminina do Paysandu.
Durante a mobilização, foram distribuídos adesivos e ventarolas com mensagens de conscientização aos torcedores que chegavam ao Mangueirão.
A iniciativa teve como objetivo sensibilizar o público sobre a violência contra a mulher e reforçar que o enfrentamento ao feminicídio é uma responsabilidade coletiva, que exige o compromisso e a participação de toda a sociedade.
.
“Escolhemos um momento de grande visibilidade, como a final do Parazão e o clássico RE-PA, para reforçar essa conscientização, principalmente junto aos homens. Infelizmente, os índices de feminicídio têm aumentado e precisamos envolver toda a sociedade nessa responsabilidade de cuidado e respeito às mulheres. A Secretaria da Mulher já realiza um trabalho itinerante de busca e acolhimento dessas vítimas, e agora unimos forças com a FEMEPA e as diretorias do Remo e do Paysandu para ampliar essa mensagem. A mobilização tem sido um sucesso e mostra o quanto essa discussão é necessária.”, destacou a Diretora Técnica da Semu, Layne Soares
Além da distribuição dos materiais, a campanha também buscou ampliar o debate sobre a violência de gênero em um espaço de grande visibilidade e circulação de pessoas. Realizar a mobilização em um dia de clássico foi uma estratégia para fazer com que a mensagem alcançasse milhares de torcedores.
A presença da campanha no estádio também reforçou os objetivos do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que busca fortalecer políticas públicas, ampliar a conscientização e estimular a denúncia de casos de violência.
Torcedoras que acompanharam a ação destacaram a importância de iniciativas como essa em ambientes populares como o futebol, onde milhares de pessoas se reúnem movidas pela paixão pelos clubes.
“Essa campanha é muito importante, porque o estádio é um espaço onde muitas vezes acontecem situações de desrespeito, até mesmo pequenos episódios de violência entre torcedores. Trazer essa conscientização para um momento como a final do Parazão é fundamental. É preciso que os homens também se conscientizem e entendam o papel deles no combate à violência contra a mulher. Quando vemos ações como essa, a gente se sente mais protegida e percebe que essa causa está sendo levada a sério.” Disse Elziane Barbosa, torcedora do Clube do Remo
Crédito: Sabrina Linhares

“Eu acho super necessária essa ação, principalmente por causa do momento que a gente vive, com cada vez mais casos de feminicídio sendo registrados. Trazer essa conscientização para um evento tão grande como a final do Parazão ajuda a chamar a atenção da população para um problema que precisa ser enfrentado. Também é uma forma de reforçar que o lugar da mulher é onde ela quiser, inclusive no estádio, participando e torcendo com segurança e respeito.” Enfatizou a torcedora do Paysandu, Laís Sousa.
Crédito: Sabrina Linhares

Entre cantos de arquibancada e a expectativa pelo resultado em campo, a mensagem também ecoou nas arquibancadas: o combate à violência contra a mulher precisa unir todos os lados.
No Dia Internacional da Mulher, o clássico mais tradicional do futebol paraense mostrou que algumas causas vão muito além da rivalidade. Defender a vida das mulheres é uma delas.