Com o objetivo de entender o que as crianças de Belém pensam sobre o seu território e o que desejam para a cidade, a Secretaria Executiva da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi) realizou, na manhã desta quinta-feira, 6, uma escuta estruturada com 39 estudantes de 4 a 6 anos de idade na Escola Municipal Luiz Carlos Acácio Barbosa, no bairro do Guamá.
Esta é a terceira escuta de crianças realizada pela Sepidi, e todo material e relatos produzidos por elas, como desenhos e anotações feitas pela equipe e por professores, servirão de subsídio para a formulação de políticas públicas para a primeira infância da cidade.
A proposta faz parte das diretrizes da Sepidi e trabalha com uma metodologia participativa que reconhece as crianças como sujeitos de direitos, capazes de expressar opiniões sobre os espaços que ocupam, suas vivências e necessidades.
“Existem estudos nacionais e internacionais que mostram a importância de nós entendermos as crianças como sujeitos ativos de direito, que elas já têm a capacidade de desenvolver o seu pensamento, expressar suas ideias, suas concepções, sua visão de vida”, afirma Juliana Menezes, titular da Sepidi.
Crédito: Élida Miranda

Como se tratam de crianças pequenas, que em parte ainda não são alfabetizadas, são trabalhadas abordagens mais lúdicas que incluem as formas de expressão próprias da criança, como a oralidade e o brincar, através do desenho.
“Através desse diálogo, mesmo com essa ludicidade, a gente consegue entender o seu contexto. Por exemplo, aqui a gente viu crianças que desenharam piscinas porque está muito calor, então a gente associa com as mudanças climáticas. É a forma como elas percebem a realidade e que vão ajudar a construir políticas públicas e cidades que tenham esse olhar para a criança”, afirma Menezes.
Crédito: Élida Miranda

“O que você gostaria que tivesse na sua cidade?”
A programação na Escola Luiz Carlos Acácio Barbosa começou com uma roda de conversa, na qual as professoras contextualizaram o tema da atividade e a pergunta norteadora: “O que você gostaria que tivesse na sua cidade?”.
“Uma cidade que não alagasse, que não enchesse e que o piso fosse cheio de arco-íris”, respondeu a estudante Marjorie Lima, de 4 anos, do Jardim I.
Crédito: Élida Miranda

Em seguida, as crianças foram convidadas a responder à pergunta com um desenho. Como resultado, desenharam desde celular em formato de coelho e homem-aranha até a escola, árvores, flores, famílias unidas e ônibus.
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A professora Patrícia Lima, do Jardim II, destacou a importância de ouvir as crianças em uma proposta como essa.
“Nesse tipo de ação a gente consegue estimular a imaginação, a criatividade, vai trabalhar o cognitivo, o social, o emocional. Eles conseguem expressar por meio do desenho essa imaginação, tudo o que eles querem, que é algo que em palavras eles ainda não conseguem. E a gente viu cada resposta maravilhosa, pois uma criança, mesmo que nessa idade, consegue perceber a própria realidade.”
Crédito: Élida Miranda

As escutas com as crianças vão ocorrer nos oito distritos administrativos do município, garantindo que crianças de diferentes realidades sociais, culturais e geográficas possam expressar suas percepções sobre a cidade em que vivem. Após a fase de escuta, a Sepidi analisará as respostas e apresentará os resultados para a Comissão Municipal da Primeira Infância, responsável por elaborar o Plano Municipal da Primeira Infância.
“É muito importante que as crianças participem e colaborem conosco. A gente tem que defender a participação infantil como elemento essencial para o planejamento de políticas públicas, de cidades mais inclusivas e de serviços mais adaptados às necessidades das crianças, uma vez que o próprio Marco Legal da Primeira Infância determina que a formulação das políticas públicas para a primeira infância deve considerar a participação da criança, respeitadas suas formas próprias de expressão”, afirma a secretária Juliana Menezes.



