Prefeitura lança segunda edição do Rios das Aprendizagens

Semec promove formação para professores e coordenadores que vão atuar na superação da defasagem escolar de estudantes da rede municipal. Primeira edição, em 2025, apresentou excelentes resultados.

Crédito: Élida Miranda

Neste mês de maio, professores e coordenadores das escolas municipais participam de formação para atuar no programa de recomposição Rios das Aprendizagens

Nesta segunda-feira, 4, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) lançou a segunda edição do Rios das Aprendizagens, programa de recomposição do aprendizado que tem como objetivo garantir a superação das defasagens educacionais dos estudantes belenenses. Nesse primeiro momento, está sendo realizada a formação de professores e coordenadores das escolas municipais que vão atuar ao longo do ano diretamente com alunos que têm déficit de aprendizado.

Lançado em 2025, o programa atendeu quase 9 mil estudantes do 3º ao 9º anos do Ensino Fundamental com níveis de aprendizagem abaixo do esperado para a série ou a idade. Voltado a desenvolver habilidades básicas de leitura, escrita e matemática, sua primeira edição resultou em avanços importantes: 68% dos estudantes evoluíram em leitura e escrita; 52% avançaram significativamente em Matemática; mais de 1.300 estudantes em Língua Portuguesa e 1.000 em Matemática superaram a meta inicial, avançando dois ou mais níveis.

Crédito: Élida Miranda

Professores e coordenadores participam de formação

Rodolfo Santos, assessor da Secretaria Executiva Pedagógica da Semec, destaca: “A primeira edição do Rios das Aprendizagens conseguiu combinar escala e impacto ao introduzir uma mudança central na prática das escolas: ofertar ensino orientado pelo nível real de aprendizagem dos estudantes. Já no primeiro ciclo, alcançou 90 escolas de ensino fundamental, com oito a cada dez estudantes avançando ao menos um nível de proficiência em Língua Portuguesa e seis a cada dez em Matemática, após 30 horas de intervenção”, comenta.

Outro ganho importante, segundo Santos, foi recuperação da autoestima de estudantes e professores. Em muitos casos, os estudantes retomaram a autonomia para ler textos, resolver operações matemáticas e reconstruir sua confiança para aprender.

Mas ainda há muitos desafios a superar. A professora de Ensino Religioso e do Projeto Integrador Erika Dias, que atua nas escolas municipais Inês Maroja, na Sacramenta, e Palmira Lins de Carvalho, na Marambaia, está há cerca de dois meses na rede municipal de educação e já percebeu entre seus alunos aqueles com dificuldades de aprendizado. Ela reforça o quanto isso se reflete na autoestima.

Crédito: Élida Miranda

Erika Dias, professora nas escolas municipais Inês Maroja e Palmira Lins de Carvalho, diz que a defasagem de aprendizado se reflete até mesmo na autoestima dos estudantes

“Ele não se sente capaz e isso o leva a outras barreiras. Ele se questiona ‘ah, eu não sei ler, então não vou prestar atenção, porque não adianta’. Por isso o alfabetizar faz uma diferença enorme. Leitura é liberdade. Se o aluno não tem isso, ele não consegue desenvolver outras habilidades, a autoestima fica baixa e até a socialização dele dentro de sala de aula fica prejudicada”, explica Erika.

A professora tem a expectativa de aprender mais com a formação do Rios das Aprendizagens. “Espero aprender métodos eficazes, que me ajudem a mudar a realidade dentro da minha sala de aula, e trazer a esperança para meus alunos de que eles vão conseguir, de que as dificuldades são obstáculos que a gente vai ultrapassar”, afirma.

A professora Rosemary Palheta, da Escola Municipal Professora Amália Paumgartten, no Guamá, espera ajudar os alunos a superar dificuldades. “Acredito que essa formação vem trazer uma abertura muito grande da nossa mente enquanto professor, diante da necessidade que os alunos têm. Porque o Rios das Aprendizagens vem trazer uma metodologia diferenciada de como atuar com esse aluno, de como fazer um diagnóstico para saber como é que esse meu aluno se encontra”, afirma.

Crédito: Élida Miranda

A professora Rosemary Palheta, da Escola Municipal Professora Amália Paumgartten, espera ajudar os alunos com que está aprendendo na formação

Professora há 26 anos, Rosemary dá aula de Arte, Movimento e Leitura (AML) para alunos do 1º ao 5º ano. “Estou otimista. É uma oportunidade de trazer de volta para a escola aquele conhecimento que o aluno deixou para trás não porque quis, mas por causa da pandemia (de covid-19), que deixou uma defasagem muito grande, ou por questões sociais, de nível de conhecimento mesmo”, afirma.

Crédito: Élida Miranda

Professores e coordenadores do Distrito Administrativo do Guamá (Dagua) participaram da formação na Escola Ruy da Silveira Britto. Outras três escolas municipais estão sediando a formação, que está organizada conforme proximidade dos distritos.

Rodolfo Santos explica que a preparação dos professores é um elemento central do programa, pois a recomposição propõe uma metodologia bastante completa e estruturada, com práticas pedagógicas direcionadas e dinâmicas. “Além disso, é preciso que os professores e coordenadores implementadores da recomposição sejam certificados pela Semec, pois irão conduzir vários processos estratégicos nas escolas, como diagnóstico inicial individual, ensino em turmas heterogêneas e acompanhamento contínuo do progresso dos alunos”, afirma.

Crédito: Élida Miranda

Durante formação, participantes conhecem o cenário atual do aprendizado na rede municipal de educação e aprendem práticas metodológicas para atuar nas escolas

Em consonância com o fortalecimento do Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, instituído pelo Decreto 12.391 de 2025, a segunda edição do Rios das Aprendizagens tem como meta expandir o programa com qualidade, ampliando o número de escolas e estudantes atendidos sem perder consistência pedagógica.

“O foco principal é reduzir a variabilidade entre escolas, garantindo que os bons resultados se tornem padrão na rede. Como objetivos estratégicos, destacam-se a priorização dos estudantes de 4º e 8º anos, que precisam recompor aprendizagens antes do final de seus respectivos ciclos. Como norte, combinamos com as escolas uma meta ousada: avançar 2 níveis de aprendizagem em até 90h de trabalho”, afirma Rodolfo Santos.

Última edição por: Lilian Leitão

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