Sesma orienta sobre riscos de leptospirose

A intensificação das chuvas em Belém é sinal de alerta para o risco de proliferação de doenças, como a leptospirose. A transmissão ocorre, principalmente, através do contato com a água ou lama contaminadas com urina de animais portadores, sobretudo os ratos. A penetração da leptospira no corpo, através da pele, é facilitada pela presença de algum ferimento ou arranhão. Também pode ser transmitida por ingestão de água ou alimentos contaminados.

Em Belém, o Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (DEVS/Sesma), registrou 58 casos confirmados em 2014, a mesma quantidade de ocorrências de 2013. A maior incidência de contaminação pela leptospira ocorreu nos bairros do Guamá, Marco, Pedreira, Terra Firme e Tapanã. De janeiro a dezembro de 2014, oito pessoas morreram vítimas da doença.

Para reduzir os casos, a Sesma, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), tem realizado ações de controle de roedores, que contempla a anti-ratização e a desratização em espaços públicos (feiras, mercados, praças e vias públicas), duas vezes ao ano, sendo uma no primeiro semestre (janeiro a maio) e a segunda, no segundo semestre (agosto a novembro). Em alguns áreas consideradas críticas, são realizadas cinco desratizações ao ano.

De acordo com George Silva, responsável pelo Programa de Combate à Leptospirose do CCZ, também são realizadas ações de orientação à população, principalmente feirantes e donos de comércios, uma vez que locais com comida e água são grandes atrativos para os roedores. “Nós fazemos o controle do foco e, em casos confirmados de leptospirose, nós vamos até à residência do doente e fazemos a orientação da família e vizinhos, além de espalharmos o veneno em um raio de 50 metros”, explica George.

O veterinário esclarece que o tipo de veneno usado pelo CCZ é granulado e só mata o rato. Ele frisa que o uso do agrotóxico “chumbinho” é ilegal e pode matar outros animais e até pessoas. “Esse tipo de veneno mata apenas o animal que ingeriu o alimento, fazendo com que a colônia de roedores se afaste temporariamente daquele ambiente. O rato é um animal inteligente, não podemos esquecer isso”, diz George.

A população é uma grande aliada no combate aos roedores, por isso, o veterinário do CCZ orienta que a “principal medida preventiva contra a leptospirose é combater os roedores eliminando os elementos essenciais de sobrevivência desses animais, que são o alimento e o abrigo por meio de medidas simples, porém de extrema eficácia”.

Sintomas são confundidos com os de outras doenças

A leptospirose é uma doença infecciosa febril de início repentino, cujo quadro clínico pode variar desde uma manifestação inaparente até formas graves. Sua ocorrência está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados.

De acordo com a enfermeira Eula das Neves, da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Sesma, a infecção humana resulta da exposição direta ou indireta à urina, principalmente dos roedores. “A bactéria penetra na pele ou pelas mucosas. Os sintomas manifestam-se em média de 5 a 14 dias após exposição”, alerta.

A manifestação inicial caracteriza-se pela instalação repentina de febre, comumente acompanhada de dor de cabeça, mialgia (dores principalmente em região lombar e nas panturrilhas), anorexia, náuseas e vômitos.

“Um dos grandes problemas da leptospirose é que os sintomas são facilmente confundidos com os de outras doenças e isso faz com que o paciente fique grave. No ano passado, 50% dos casos necessitaram de internação hospitalar. Por isso, é extremamente importante que as pessoas que tenham tido contato com enchentes, alagamentos ou que vivam em áreas com roedores que, ao menor sintoma, procurem ajuda médica e informem a situação ao profissional de saúde”, frisa.

Na fase grave, o paciente pode apresentar icterícia (pele amarelada), insuficiência renal e hemorragia (mais comumente pulmonar) e precisa ser tratada imediatamente para que a pessoa não evolua a óbito.

Médica Veterinária do CCZ, Maria Amélia Costa, reitera que a leptospirose é uma doença de notificação obrigatória, de infecção aguda e potencialmente grave, uma vez que a bactéria causadora, leptospira, pode sobreviver indefinidamente nos rins dos seus hospedeiros e até seis meses no meio ambiente, depois de ser excretado na urina. “Isto significa que,mesmo quando o período chuvoso passa, a bactéria pode continuar nos resíduos que ficam após as chuvas”, explica.

A leptospirose é uma doença curável e, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores são as chances de evitar complicações da doença e chegar à cura.

Dicas para prevenir a leptospirose

– Manter quintais ou áreas ao ar livre sem entulho, materiais de construção ou objetos em desuso que possam oferecer abrigo para instalação e proliferação dos roedores;

– As latas de lixo devem ser bem vedadas e seu conteúdo, destinado ao serviço de coleta de lixo, eliminando a principal fonte de alimento dos roedores;

– Armazenar os alimentos em locais elevados, acima do nível das águas, em áreas com alagamento. Mantê-los devidamente acondicionados e fora do alcance de roedores, insetos ou outros animais.

– Consumir água potável, filtrada, fervida ou clorada.

– Não jogar lixo e entulho nos córregos, bueiros ou ruas;

– Retirar a lama das enchentes (sempre com a proteção de luvas e botas de borracha), que adere a móveis, paredes e chão. Lavar o local, desinfetando-o com água sanitária (dissolver 2 xícaras de chá em 20 litros de água e deixar agir no local por 15 minutos).

– Evitar exposição, principalmente de crianças, em canais e poças d'água próximas a bueiros e esgotos.

SERVIÇO: Dúvidas sobre a doença podem ser esclarecidas pelo Disque Endemias no telefone 3344-2466.

Texto: Paula Barbosa

Última edição por: Agência Belém

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