Verão amazônico exige cuidados redobrados com os pets

Tutores devem estar alerta a riscos de desidratação e queimaduras com as altas temperaturas. Prefeitura reforça ações da Sepda para animais de rua e lembra lei que garante água e alimento a cães e gatos comunitários.

Crédito: Paula Lourinho

Com o calor intenso do verão amazônico, tutores buscam horários mais amenos para passear com os pets na praça Batista Campos

Entre dias de calor intenso, pancadas de chuva e umidade elevada, o verão amazônico transforma a rotina de quem vive em Belém — e os animais também sentem os impactos desse período. Com temperaturas elevadas, o risco de desidratação, problemas respiratórios, queimaduras nas patas e até queda de imunidade aumenta significativamente entre cães e gatos, exigindo atenção redobrada dos tutores e da população com os animais em situação de rua.

Nas ruas da capital paraense, a cena de cães buscando abrigo sob carros e gatos tentando escapar do sol forte em áreas sombreadas se torna ainda mais comum nesta época do ano. Enquanto isso, clínicas veterinárias registram aumento nos atendimentos relacionados ao calor excessivo.

Especialistas alertam que pequenos cuidados, como evitar passeios em horários críticos, manter água fresca disponível e oferecer ambientes ventilados, podem fazer a diferença para preservar a saúde e o bem-estar dos pets.

Em Belém, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal (Sepda), intensificou as orientações à população e reforça as ações de assistência aos animais durante o verão amazônico.

A titular da Sepda, Eliana Uchoa, explica que o atendimento aos animais em vulnerabilidade continua sendo realizado por meio de denúncias e solicitações feitas pela população por meio do WhatsApp da Sepda: (91) 98209-2918.

“A assistência aos animais vem sendo feita através de resgates por meio de solicitação da população e através de denúncias no número oficial da Sepda. Também reforçamos os cuidados para que os tutores não exponham seus pets a temperaturas excessivas, evitando deixá-los em locais fechados e sempre mantendo os animais em ambientes ventilados e com sombra”, destaca a secretária.

Eliana Uchoa também lembrou que a rede municipal mantém equipamentos públicos em funcionamento para atender ocorrências envolvendo animais durante esse período.

“A rede municipal, através da Prefeitura de Belém, possui o Hospital Veterinário, clínicas itinerantes e a Clínica Municipal Veterinária, que estão em pleno funcionamento para atender qualquer intercorrência e dar as orientações necessárias”.

O Hospital Municipal Veterinário – HVET, localizado na avenida José Bonifácio, 578, no bairro de Fátima, funciona diariamente nos seguintes horários:

  • Segunda-feira a domingo: das 7h às 16h.
  • Urgência e Emergência: até as 19h.

A Clínica Veterinária Municipal de Belém, localizada na avenida Marquês de Herval, 276, no bairro Pedreira, atende de:

  • Segunda a sexta-feira: das 8h às 18h

Já o Belém Animal Itinerante, localizado na avenida Bernardo Sayão, 3234, funciona de:

  • Segunda a sexta-feira: das 8h às 12h.

Atenção aos sinais de desidratação

A médica veterinária Cintia Karoline Amaral Borges, que atua no Hospital Municipal Veterinário (HVET), alerta que os animais podem apresentar diversos problemas de saúde em decorrência da exposição prolongada ao calor. “Os principais riscos que os pets podem correr com o verão amazônico são a diminuição da imunidade devido à exposição às altas temperaturas, desidratação, queimaduras nas patinhas e alterações respiratórias”, explicou.

Segundo a veterinária, os tutores devem ficar atentos aos sinais clínicos apresentados pelos animais.

“Respiração ofegante, salivação excessiva, desorientação e aumento da temperatura corporal são sinais importantes. Existe também o teste do turgor cutâneo: quando você puxa a pele do animal, ela precisa voltar imediatamente. Se demorar mais de dois segundos, ele já pode estar desidratando”, orienta.

Entre as recomendações, a especialista destaca evitar passeios entre 9h e 17h, principalmente em locais asfaltados ou com concreto quente, que podem causar queimaduras nas patas dos animais.

“O ideal é optar por regiões arborizadas e gramadas, além de manter sempre água fresca disponível. Também é importante evitar atividades físicas intensas em horários muito quentes”, afirmou.

A alimentação também merece atenção especial no período. Segundo Cintia Karoline, frutas congeladas podem ajudar a refrescar os pets.

“Banana, melancia e melão congelados ajudam bastante nos horários mais quentes. Colocar pedras de gelo na água estimula o animal a ingerir mais líquido”, explicou.

A especialista também chama atenção para o aumento de doenças durante o verão amazônico.

“O clima quente favorece a proliferação de parasitas como pulgas e carrapatos, além de fungos e bactérias que causam dermatites. A vacinação e a medicação antiparasitária precisam estar em dia”, alerta.

Rotina adaptada para proteger Mel

O técnico em radiologia hospitalar Clediston Souza já adaptou completamente a rotina da cachorrinha Mel para enfrentar os dias mais quentes em Belém.

“Não deixo ela exposta ao sol, evito passeios em horários quentes para não queimar as patinhas, damos água à vontade e mantemos ela em local ventilado”, contou.

Para manter a hidratação da pet, ele investe em estratégias simples, mas eficientes.

“Oferecemos gelinho para ela se refrescar e trocamos sempre a água da vasilha para ela continuar se hidratando”, disse.

Os passeios também passaram por mudanças importantes.

“Agora buscamos horários com o sol mais ameno e, muitas vezes, vamos para pracinhas por causa da arborização”, relata.

Segundo Clediston, os sinais de desconforto pelo calor aparecem rapidamente.

“Ela fica com cansaço excessivo e com a língua para fora constantemente”, observou.

Para ele, o cuidado dos tutores é fundamental neste período.

“É muito importante para manter a qualidade de vida e o bem-estar do animal. Precisamos ficar atentos ao calor e aos horários para evitar problemas como queimaduras nas patas, desidratação e mal-estar”, ressaltou.

Solidariedade aos animais de rua

Enquanto muitos pets contam com proteção dentro de casa, os animais em situação de rua estão entre os mais vulneráveis durante o verão amazônico. No condomínio Cidade Jardim II, em Belém, a representante comercial Silvana Figueiró se tornou referência no cuidado de cães e gatos errantes.

Ela conta que a iniciativa começou após perceber o aumento descontrolado de animais abandonados dentro do residencial.

“Tudo começou quando presenciei uma superpopulação de animais errantes e muito descaso com a vida deles. A cada ano aumentava a quantidade de felinos sem que houvesse um olhar diferenciado para essa situação”, relatou.

Com ajuda de outros moradores, Silvana mantém pontos de alimentação e hidratação para os animais.

“Alguns condôminos que abraçam a causa alimentam os animais no pátio com ração e água potável. Muitos são ariscos e não gostam de contato direto”, explicou.

Segundo ela, o calor intenso agrava ainda mais a vulnerabilidade dos animais.

“Muitos sofrem debaixo de carros tentando escapar do sol e das chuvas quando não encontram locais onde sejam bem-vindos”.

Sem apoio fixo, o trabalho é mantido com recursos próprios e ações solidárias.

“Usamos recursos próprios, fazemos rifas e buscamos ajuda de pessoas que se sensibilizam com a causa”, contou.

Silvana também defende maior conscientização da população e políticas públicas permanentes voltadas aos animais comunitários.

“Os animais errantes fazem parte da coletividade. Precisamos de mais campanhas, castrações por bairros e ações educativas para a população”, afirmou.

Ela também chama atenção para o aumento do abandono de animais neste período do ano.

“Não é novidade que o maior índice de abandono acontece nos meses de junho e julho. Os animais sofrem muito nesse período e precisamos de ações diferenciadas para protegê-los”, alerta.

Lei garante água e alimento para animais comunitários

Durante o verão amazônico, a solidariedade pode salvar vidas. Em Belém, a Lei 10.126 assegura o direito ao fornecimento de água e alimento para animais domésticos em situação de rua, incluindo cães e gatos comunitários.

A legislação reforça a importância de iniciativas simples, como instalação de pontos de hidratação em frente a residências, comércios e condomínios, especialmente nos períodos mais quentes do ano.

Crédito: Marli Portilho/ Secom

Gatos comunitários encontram abrigo, alimento e hidratação em áreas do condomínio Cidade Jardim II

A médica veterinária Cintia Karoline destaca que a população pode colaborar diretamente com os cuidados aos animais abandonados.

“A população pode ajudar fazendo pontos de hidratação e cobertura solar na frente das casas e comércios, sempre mantendo a higiene desses espaços”, orientou.

Maus-tratos contra animais é crime

A Prefeitura de Belém reforça que maus-tratos contra animais é crime e pode resultar em punições nas esferas penal e administrativa.

As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:

  • WhatsApp da Sepda: (91) 98209-2918
  • Disque Denúncia 181, por meio da Demapa (24 horas)
  • Telefone: (91) 3238-1225, em horário comercial
Última edição por: Fernanda Palheta

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