SAMU 192 Belém treina servidores para salvar vidas nas escolas
Formação orienta sobre como agir em emergências com crianças e prestar os primeiros cuidados até a chegada do socorro especializado
Crédito: Danielle Dias - Ascom SESMA
Servidores da educação infantil participam de treinamento prático em primeiros socorros, com simulações de atendimento e técnicas de reanimação e desengasgo.
Para quem deixa uma criança na escola todos os dias, saber que o ambiente está preparado para lidar com situações de emergência tranquiliza a família e responsáveis. É justamente com esse objetivo que a Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, estabelece a capacitação em primeiros socorros para profissionais que atuam em instituições de ensino e recreação infantil.
Em Belém, o SAMU 192, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), realiza treinamento para servidores da rede municipal de ensino. A formação ensina como reconhecer situações de emergência, acionar corretamente o serviço de atendimento e prestar os primeiros cuidados até a chegada da equipe especializada.
Servidores da educação participam do treinamento sobre primeiros socorros realizado pelo SAMU 192 Belém.
A Lei Lucas surgiu após a morte de Lucas Begalli, uma criança de Campinas (SP) que se engasgou durante uma excursão escolar e não resistiu. A legislação passou a reforçar a necessidade de que profissionais da educação estejam preparados para agir diante de situações que podem acontecer dentro do ambiente escolar.
A preparação envolve aulas teóricas e práticas sobre diferentes tipos de ocorrências, como engasgos, desmaios, convulsões, paradas cardiorrespiratórias, quedas e acidentes envolvendo objetos introduzidos no ouvido, nariz ou garganta.
No dia 19 de agosto, ocorreu uma nova etapa da formação na Central do SAMU 192 Belém para profissionais da rede municipal de ensino para atividades teóricas e práticas.
Segundo o coordenador-geral do SAMU 192 Belém, John do Vale, a capacitação busca preparar os profissionais para reconhecer a gravidade de uma situação e tomar as primeiras providências de maneira adequada.
“É importante que o profissional saiba identificar aquilo que é grave e possa prestar o primeiro socorro imediato. O treinamento contempla situações comuns no ambiente escolar, como engasgo, desmaio, convulsão e parada cardíaca”, explicou John.
John do Vale, coordenador-geral do SAMU 192 Belém, explica que a parceria com a Semec amplia a preparação nas escolas e que “o SAMU também tem uma responsabilidade educacional”.
A parceria entre o SAMU e a Semec já alcançou mais de 40 escolas e treinou mais de 800 profissionais diretamente envolvidos com a educação, segundo o coordenador. Além das escolas públicas municipais, instituições ou comunidades interessadas na formação podem solicitar a capacitação à Secretaria Municipal de Saúde, que avalia a possibilidade de atendimento conforme a logística e a disponibilidade das equipes.
Conhecimento para agir nos primeiros minutos
A instrutora do Núcleo de Educação Permanente do SAMU 192 Belém, enfermeira Lilianna Fróes, explica que um dos principais objetivos é ensinar procedimentos que podem fazer diferença enquanto o atendimento especializado não chega.
“O essencial é identificar a emergência, acionar o socorro corretamente e saber prestar os primeiros cuidados. Isso inclui a reanimação cardiopulmonar e as manobras de desengasgo, que, quando realizadas corretamente, podem salvar vidas”, destacou Lilianna.
A instrutora Lillianna Frois demonstrou técnicas corretas de primeiros socorros e a importância de agir com segurança até a chegada do atendimento especializado.
Nas aulas, os servidores também aprendem o que não devem fazer. A orientação é importante porque, em uma situação de desespero, uma tentativa de ajudar sem conhecimento pode agravar o quadro da vítima.
Importância da preparação
Para quem trabalha há anos dentro da escola, o treinamento também representa uma oportunidade de rever práticas que eram realizadas antes mesmo de existir conhecimento adequado sobre primeiros socorros.
O professor Edir Moraes, que atua na gestão da Escola Florestan Fernandes e tem 18 anos de experiência na educação, conta que já precisou lidar com situações de emergência envolvendo alunos.
“Com as formações sobre a Lei Lucas, conseguimos perceber o quanto, às vezes, agimos de forma incorreta”, relatou Edir, após receber orientações da equipe do SAMU 192.
Professor Edir Moraes destaca a importância de saber acionar o SAMU diante de uma situação de emergência.
A capacitação, portanto, não busca transformar educadores em profissionais de saúde. A proposta é fazer com que eles saibam reconhecer uma situação de risco, manter a calma, acionar o serviço correto e aplicar procedimentos básicos de primeiros socorros enquanto aguardam a chegada do atendimento especializado.
Segurança para quem cuida dos pequenos
A preocupação é ainda maior nas unidades que atendem crianças pequenas, que estão mais sujeitas a acidentes durante atividades, brincadeiras e momentos de alimentação.
A diretora da Escola do Mundo Encantado, Jacirema de Souza, trabalha diariamente com crianças de 2 a 5 anos e considera essencial que a equipe esteja preparada para agir diante de uma emergência.
“É de extrema importância trabalhar com crianças pequenas e saber como agir no momento certo”, afirmou Jacirema.
Jacirema reforçou a importância do preparo da equipe para atender crianças pequenas e de ter a habilidade para socorrer.
A diretora também conta que, em uma situação de emergência envolvendo o próprio pai, a família decidiu levá-lo por conta própria a uma unidade de saúde, diante do desespero provocado pelo momento. Com a capacitação, o conhecimento adquirido pelos servidores também pode ser levado para casa e compartilhado com familiares e pessoas da comunidade.
Confiança das famílias fortalecida
A proposta da Lei Lucas é justamente criar uma rede de adultos mais preparados para proteger crianças em situações de emergência. Na escola, professores, gestores, merendeiras, agentes de serviços gerais e demais servidores podem estar entre as primeiras pessoas a presenciar um acidente ou mal súbito.
Por isso, saber o que fazer nos primeiros minutos pode ser determinante. A orientação adequada também ajuda a evitar atitudes equivocadas, reduzindo riscos e garantindo que o atendimento especializado seja acionado o mais rápido possível.
Para o SAMU 192 Belém, a capacitação faz parte do papel educativo do serviço e amplia a preparação da comunidade para situações de urgência e emergência.
“Além de atender as ocorrências, o SAMU também tem uma responsabilidade educacional. Nosso papel social é levar conhecimento para que as pessoas saibam como agir diante de uma emergência até a chegada do atendimento especializado”, ressaltou John do Vale.
A capacitação é realizada de forma presencial, com conteúdo teórico e atividades práticas, permitindo que os servidores tenham contato direto com os procedimentos ensinados pelos profissionais do SAMU.
Servidores de mais de 40 escolas municipais de Belém já foram treinamentos pelo SAMU 192 Belém.
Assim, para os pais e responsáveis, a Lei Lucas representa mais do que uma obrigação legal: é uma forma de ampliar a segurança das crianças durante o período em que estão sob os cuidados da escola. Quanto mais preparados estiverem os profissionais, maior é a capacidade de oferecer uma resposta correta nos primeiros minutos de uma emergência.
Serviço
Capacitação em Primeiros Socorros – Lei Lucas
Quem participa: Servidores da educação infantil vinculados às escolas e Unidades Escolares Integrais (UEIs) sob gestão da Semec.
Como funciona: A capacitação é presencial e reúne conteúdos teóricos e práticos de primeiros socorros, incluindo reconhecimento de emergências, acionamento do SAMU 192, reanimação cardiopulmonar e manobras de desengasgo.
Onde é realizada: Central do SAMU 192 Belém.
Duração: Quatro horas por turma.
Horários: Das 8h às 12h e das 14h às 18h.
Como participar: A agenda das capacitações é definida institucionalmente entre a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e a Secretaria Municipal de Educação (Semec). O curso é destinado, atualmente, aos servidores da rede municipal de ensino.
Outras instituições: Instituições ou comunidades interessadas podem solicitar informações à Secretaria Municipal de Saúde sobre a possibilidade de realização da capacitação, que será avaliada conforme a disponibilidade de equipe e logística.
Texto: Jonas Vila (estagiário sob supervisão da Ascom Sesma)