A grande quantidade de asfalto e concreto, a poluição atmosférica provocada pela emissão de gases de efeito estufa e a falta de áreas urbanizadas adequadamente contribuem para a formação das chamadas ilhas de calor nos centros urbanos. Em Belém, o fenômeno se soma ao período do verão amazônico e já é sentido pela população, com temperaturas elevadas que tendem a aumentar nos próximos meses.
Este ano o verão amazônico deverá ser mais quente do que o registrado em 2025. As temperaturas podem ficar em média, em 36 graus Celsius e, em alguns períodos, alcançar marcas ainda mais elevadas. O cenário é resultado da interação entre as ilhas de calor e o fenômeno El Niño.
Crédito: Jader Paes

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo de Sousa, explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
“O fenômeno provoca a diminuição das chuvas e, consequentemente, o aumento das temperaturas”, destaca o especialista.
De acordo com a assessora técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e doutoranda em Ciência: Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Bárbara Paiva, a previsão é de que o El Niño chegue este ano com forte intensidade.
“Em Belém, a expectativa é de que essa interação provoque mudanças importantes no comportamento das temperaturas, que podem chegar a 40 graus Celsius”, afirma.
Crédito: Jader Paes

Segundo as previsões meteorológicas, as temperaturas devem começar a subir de forma mais acentuada a partir de julho, com maior probabilidade de pico em setembro. O verão amazônico deste ano deverá apresentar aumento gradual das temperaturas e redução das chuvas ao longo dos próximos meses.
José Raimundo de Sousa ressalta que os efeitos do fenômeno já começam a ser observados, mas ganharão maior intensidade entre agosto e setembro.
“O El Niño já está interagindo com o ambiente, mas veremos seus efeitos com mais intensidade em agosto e setembro, diminuindo ainda mais as chuvas e aumentando ainda mais as temperaturas”, explica.
Crédito: Paula Lourinho

Os impactos do fenômeno, entretanto, não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional. Enquanto em Belém a intensificação do El Niño deve provocar estiagens, aumento das temperaturas, redução das chuvas e maior risco de incêndios florestais, na região Sul do país o fenômeno costuma provocar aumento significativo das chuvas, elevando as chances de inundações e enxurradas.
Como reduzir as altas temperaturas em Belém
De acordo com Bárbara Paiva, as ilhas de calor estão diretamente relacionadas às características urbanas das cidades.
“As cidades são muito concretadas e asfaltadas. Esse excesso de asfalto e concreto faz com que o calor acumulado durante o dia seja liberado à noite, impedindo a redução das temperaturas. O que agrava as ilhas de calor urbanas é a falta de vegetação. Existe uma correlação direta: quanto mais arborizada for a cidade, menor será a intensidade das ilhas de calor”, explica.
Para enfrentar esse cenário, a Prefeitura de Belém vem desenvolvendo ações voltadas à ampliação da cobertura vegetal da cidade, com o objetivo de reduzir os efeitos das ilhas de calor e amenizar as temperaturas.
Crédito: Jader Paes

Entre as iniciativas executadas pela Semma está o programa Belém Mais Verde, que prevê o plantio de um milhão de árvores até o final da atual gestão municipal.
“Ano passado plantamos mais de 10 mil árvores. Neste ano, já alcançamos a marca de 17.115 árvores plantadas”, informa a assessora técnica da Semma.
Outra estratégia adotada pelo município é a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), modelo de uso da terra que combina o cultivo de árvores e arbustos com atividades agrícolas e, em alguns casos, criação de animais na mesma área, de forma simultânea ou em sequência. A proposta busca reproduzir a dinâmica de uma floresta natural, promovendo a produção sustentável de alimentos e a recuperação ambiental.
Também fazem parte das ações municipais a criação de hortas comunitárias e a construção de jardins de chuva, iniciativas voltadas à adaptação climática, mitigação dos impactos ambientais e fortalecimento da resiliência do município diante dos efeitos das mudanças climáticas.