A Prefeitura de Belém segue ampliando as ações voltadas à redução dos alagamentos na capital paraense. Entre as iniciativas está a implantação dos Jardins de Chuva, um projeto sustentável que integra o Plano Municipal de Soluções Ambientais para mitigar os impactos das chuvas em pontos estratégicos da cidade.
Os Jardins de Chuva têm como principal objetivo promover adaptação climática por meio das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN). A proposta consiste na implantação de estruturas capazes de captar, infiltrar e filtrar a água da chuva, de forma a reduzir o volume de escoamento nas vias urbanas e contribuir para a diminuição dos alagamentos.
Crédito: Paula Lourinho

As Soluções Baseadas na Natureza aproveitam os próprios recursos naturais como suporte para enfrentar desafios ambientais, sociais e econômicos. Essas intervenções buscam gerar adaptação, mitigação e resiliência nas áreas contempladas, ao mesmo tempo em que promovem benefícios para a biodiversidade e para a população.
Entre os exemplos de SBN estão:
- restauração de florestas para captura de carbono, proteção de nascentes e redução da erosão;
- sistemas agroflorestais que combinam árvores e cultivos agrícolas para melhorar a produtividade e conservar o solo;
- e os próprios Jardins de Chuva, que auxiliam no controle dos alagamentos urbanos.
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Combate aos alagamentos, um problema histórico em Belém
Alagamentos fazem parte da realidade histórica de Belém e estão entre os principais problemas enfrentados pela população. Por essa razão, a implantação dos Jardins de Chuva compõe uma das estratégias para complementar as obras de drenagem já existentes no município.
Para a construção de um Jardim de Chuva, é necessário que o terreno seja escavado entre 60 centímetros e 1 metro de profundidade, em seguida são colocadas camadas que drenam a água da chuva, como pedras de brita e seixo, manta, tubulação, terra e as plantas nativas da região amazônica – espécies paisagistas e arbóreas. É essa estrutura subterrânea que possibilita a infiltração da água no solo e ajuda a evitar os alagamentos.
Além da estrutura de drenagem, as plantas desempenham papel fundamental no funcionamento dos Jardins de Chuva. Foram selecionadas espécies nativas capazes de suportar as altas temperaturas características de Belém e de contribuir para a filtragem da água.
As espécies utilizadas são Petúnias Selvagens (Ruellia), Inhame (Colocasia esculenta), Tajá (Caladium bicolor), Helicônia-papagaio (Heliconia psittacorum L.f.), Cana-da-Índia (Canna indica L.) e Grama-amendoim (Arachis repens Handro).
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Para Bárbara Paiva, assessora técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e doutoranda em Ciência: Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), os benefícios da plantação dessas árvores vão além da drenagem das águas pluviais.
“Além de contribuir para a filtragem da água, as plantas trazem biodiversidade para a cidade e alimentam uma cadeia da natureza, atraindo passarinhos, abelhas e outras espécies de animais”, destaca a especialista.
Paiva afirma ainda que Belém apresenta elevada vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas, especialmente em relação aos alagamentos e inundações.
“Belém é muito vulnerável às questões climáticas relacionadas a alagamentos e também inundações. Então, as Soluções Baseadas na Natureza, como os Jardins de Chuva, visam atuar como complemento às ações que já estão sendo implementadas na cidade, como as drenagens. O benefício vai além da redução dos alagamentos: contribui para amenizar o calor urbano, melhorar a paisagem, promover biodiversidade e conforto térmico para a sociedade”, explica.
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Expansão dos Jardins de Chuva em Belém
No dia 3 de junho, a Prefeitura de Belém anunciou o início das obras do maior Jardim de Chuva da capital paraense, localizado na avenida Marechal Hermes. O projeto é desenvolvido em parceria com a Cerpa e ocupará toda a extensão do meio-fio da via, abrangendo uma área de 576,633 metros quadrados.
Também foi iniciada a implantação de um novo Jardim de Chuva em frente ao Horto Municipal de Belém. Além dessas duas propostas, existe o primeiro modelo instalado na Rua dos Mundurucus com a travessa Quintino Bocaiúva.
A previsão é de que mais de 20 Jardins de Chuva sejam implantados, tanto na região central de Belém quanto nos bairros periféricos.
Projeto pioneiro na Região Norte – Belém é uma das cidades pioneiras na implantação de Jardins de Chuva na Região Norte do Brasil, ao lado de Porto Velho, em Rondônia, que também desenvolve o projeto. A iniciativa reúne benefícios ambientais e urbanos ao contribuir para a prevenção dos alagamentos, promover conforto térmico, fortalecer a resiliência climática e valorizar o paisagismo da capital paraense.
Escolha dos locais é baseada em estudos técnicos
A definição dos locais que recebem os Jardins de Chuva, da Prefeitura, é resultado de estudos técnicos que envolvem diferentes critérios ambientais e urbanos.
Bárbara Paiva explica que a seleção é feita a partir do cruzamento de informações geotecnológicas, incluindo níveis do terreno, registros de pontos de alagamento, características das bacias hidrográficas e tipos de solo.
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“Há um cruzamento de dados de geotecnologias, de níveis de terreno, de pontos de alagamentos, bacia hidrográfica e tipos de solo. Com esse cruzamento, conseguimos identificar quais tipos de Jardins de Chuva podem ser implantados em cada local”, explica.
Com base nesses estudos, diferentes modelos de Jardins de Chuva serão adotados na cidade: biovaletas, canteiros pluviais, poços de infiltração e bacias de retenção e infiltração.