Visita técnica consolida parcerias e atesta avanço ambiental em Belém

Instituições parceiras avaliam obras de drenagem e novos espaços verdes em Belém, intervenções que usam soluções baseadas na natureza para acabar com alagamentos históricos e mudar a vida nas comunidades.

Crédito: Paula Lourinho

Participantes da visita técnica observam o canal do Mata Fome, área que receberá ações de adaptação climática e soluções baseadas na natureza previstas em projeto aprovado pelos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades.

Em um cenário de crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas, cidades brasileiras vêm buscando alternativas capazes de conciliar preservação ambiental, desenvolvimento urbano e melhoria da qualidade de vida da população. Entre as estratégias que ganham destaque estão as soluções baseadas na natureza (SBN), que utilizam os próprios processos naturais para enfrentar problemas como alagamentos, ilhas de calor, insegurança alimentar e degradação ambiental. Inserida nesse contexto, Belém vem consolidando iniciativas que unem adaptação climática, inclusão social e sustentabilidade, tornando-se referência nacional no tema.

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), realizou na manhã desta quarta-feira (17) uma visita técnica a projetos de adaptação climática e soluções baseadas na natureza desenvolvidos no município. A programação integrou o segundo dia da oficina promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), dentro do programa Cidades Verdes Resilientes, que está construindo a Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza.

A atividade deu continuidade aos debates iniciados na terça-feira (16), na sede da Semma, na segunda Oficina Regional de construção da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza (ENSBN), quando representantes de órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações parceiras discutiram conceitos, políticas públicas e mecanismos de financiamento voltados à adaptação climática nas cidades brasileiras.

A vistoria desta quarta-feira contou com a participação da assessora técnica da Semma Bárbara Paiva; dos representantes do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade (International Council for Local Environmental Initiatives), Bruno Portes e Luísa Lorentv; do coordenador-geral de Cidade Sustentável e Sede para o Clima do Ministério do Meio Ambiente, Salomão Marfaldo; e da consultora do Ministério das Cidades Jordana Zola.

Durante a visita, os participantes conheceram iniciativas implantadas em Belém por meio do programa Belém Mais Verde, além de áreas contempladas por editais federais destinados a projetos de soluções baseadas na natureza em territórios periféricos. Eles visitaram, por exemplo, o Jardim de Chuva da travessa Quintino Bocaiúva, referência em infraestrutura verde para o manejo das águas pluviais.

De acordo com a pesquisadora, doutoranda e assessora técnica da Semma Bárbara Paiva, Belém foi escolhida para representar a Região Norte no processo de construção da estratégia nacional, contribuindo com experiências e propostas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.

“O evento faz parte do programa Cidades Verdes Resilientes, que está desenvolvendo a Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza, vinculada ao Plano Clima e ao Plano Nacional de Adaptação. Belém foi contemplada para representar a Região Norte e contribuir na construção dessa estratégia nacional”, explicou.

Projetos aprovados

Segundo Bárbara Paiva, o município foi contemplado em dois editais dos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades voltados à implementação de soluções baseadas na natureza em áreas periféricas. Os projetos serão executados nas bacias hidrográficas do Mata Fome e do Tucunduba.

A visita técnica desta quarta-feira incluiu uma passagem pela área do Mata Fome, onde os participantes puderam conhecer o local e entender as intervenções planejadas para a região.

A proposta aprovada para a área foi construída de forma colaborativa pela Semma, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e o Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade.

“Foi uma construção coletiva. O município apresentou suas necessidades e, a partir dessa articulação entre os parceiros e a Secretaria, conseguimos desenvolver uma proposta que foi aprovada. Agora estamos mostrando, na prática, o que será implementado no território”, destacou a assessora técnica.

Para o representante do Iclei, Bruno Portes, a experiência de Belém demonstra como as soluções baseadas na natureza podem contribuir para a adaptação climática das cidades amazônicas, associando conservação ambiental, inclusão social e melhoria da qualidade de vida da população.

“Belém apresenta iniciativas que dialogam diretamente com os desafios urbanos enfrentados pelas cidades da Amazônia. O que vimos aqui reforça a importância de construir projetos integrados, que unam adaptação climática, proteção dos recursos naturais e benefícios concretos para as comunidades locais”.

Soluções baseadas na natureza

Ao longo do percurso, os participantes visitaram intervenções já executadas ou em fase de implantação pela Prefeitura, incluindo o Jardim de Chuva da avenida Mundurucus, ações desenvolvidas no Horto Municipal e projetos previstos para a avenida Marechal Hermes e para o programa Jardim Verde, que contempla áreas da Perimetral, Terra Firme e Guamá.

As iniciativas fazem parte de um conjunto de estratégias conhecidas como soluções baseadas na natureza, que utilizam processos naturais para enfrentar desafios urbanos, como alagamentos, ilhas de calor e degradação ambiental.

Entre as técnicas adotadas estão jardins de chuva, biovaletas, canteiros pluviais, poços de infiltração e bacias de retenção, estruturas que ajudam a captar, armazenar e infiltrar a água da chuva, reduzindo impactos das precipitações intensas e contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental das cidades.

“Essas soluções mostram como é possível utilizar a própria natureza como aliada para resolver problemas urbanos. Além de contribuir para a adaptação climática, elas melhoram a qualidade ambiental e geram benefícios diretos para a população”, ressaltou Bárbara.

Bruno Portes destacou que as experiências apresentadas durante a visita reforçam a importância da participação social para o sucesso das iniciativas de adaptação climática.

“Um dos diferenciais das propostas apresentadas pela Prefeitura é a preocupação em envolver as comunidades nos processos de implementação. Quando a população participa da construção das soluções, os resultados tendem a ser mais duradouros e efetivos”, afirmou.

Desenvolvimento social e geração de renda

Além das intervenções de infraestrutura verde, o projeto previsto para a bacia do Mata Fome inclui ações voltadas à segurança alimentar, fortalecimento da agricultura urbana e geração de renda para a população local.

A proposta prevê a implantação de sistemas agroflorestais, hortas comunitárias e iniciativas ligadas à sociobioeconomia, permitindo que moradores participem diretamente da implementação e manutenção das ações.

As medidas buscam não apenas ampliar a resiliência climática da região, mas também fortalecer o desenvolvimento social e econômico das comunidades beneficiadas, criando oportunidades sustentáveis de trabalho e produção de alimentos.

Belém como referência

De acordo com a Semma, as iniciativas demonstram o alinhamento do município às agendas nacional e internacional de adaptação climática e resiliência urbana, tema que ganhou destaque nos debates preparatórios para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30).

Atualmente, Belém também trabalha na construção de uma estratégia municipal de enfrentamento às mudanças climáticas, desenvolvida em articulação com instituições parceiras, com o objetivo de consolidar políticas públicas permanentes para adaptação e sustentabilidade.

Bruno Portes ressaltou que a participação de Belém na construção da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza fortalece o protagonismo da capital paraense nos debates sobre clima e desenvolvimento urbano sustentável.

“A cidade tem acumulado experiências importantes e demonstra capacidade de transformar planejamento em ações concretas. Essas iniciativas podem servir de referência para outros municípios brasileiros que buscam ampliar sua resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas”, afirmou.

Para Bárbara Paiva, o município vem se antecipando às exigências futuras e consolidando uma posição de destaque na implementação de soluções ambientais inovadoras.

“Belém já vem desenvolvendo ações antes mesmo de muitas dessas diretrizes serem exigidas nacionalmente. Estamos comprometidos com a agenda da adaptação climática e da resiliência, construindo estratégias que possam deixar um legado duradouro para a cidade e para a população”, concluiu.

Última edição por: Lilian Leitão

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