Família Acolhedora fortalece proteção à infância em Belém

Com 33 famílias habilitadas, o Serviço Família acolhedora da Prefeitura de Belém oferece acolhimento temporário e humanizado para crianças afastadas judicialmente do convívio familiar.

Crédito: Sabrina Linhares

Joyce Sampaio acolheu recentemente um casal de irmãos: uma menina de 3 anos, e um menino de 5 anos

Enquanto algumas crianças precisam ser afastadas temporariamente do convívio familiar por determinação judicial, outras famílias em Belém decidem abrir as portas de casa para oferecer aquilo que toda infância merece: cuidado, proteção e afeto. Executado pela Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa) e parte da política de assistência social, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora vem fortalecendo uma rede de proteção humanizada para crianças de 0 a 6 anos.

Como parte das ações de fortalecimento da política de proteção à infância, a Prefeitura de Belém, por meio da Funpapa, realiza nos dias 2 e 3 de junho o II Seminário Municipal sobre Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, reunindo profissionais, famílias acolhedoras e representantes da rede de proteção para discutir experiências, desafios e estratégias de fortalecimento do serviço na capital paraense.

Atualmente, o município conta com 33 famílias habilitadas no serviço, que acolhem temporariamente crianças em situação de vulnerabilidade, garantindo convivência familiar e comunitária durante o período de proteção.

Mais do que um serviço, a iniciativa representa histórias reais de transformação, acolhimento e amor.

“Um ato de amor”

A dona de casa Joyce Sampaio acolheu recentemente um casal de irmãos, uma criança de 3 anos e outra de 5 anos. Para ela, a experiência tem sido marcada por aprendizado, renovação e afeto.

“Para mim significa um ato de amor poder proporcionar para essas crianças um lar seguro. Está sendo uma experiência nova, além de ensinar eu também aprendo com elas. Eu conheci o serviço através de uma amiga. Mudou totalmente a minha rotina, é algo muito novo, mas é algo que me renova e me inspira a fazer mais. Essa convivência é maravilhosa”, conta.

A rotina da casa mudou para receber as crianças e os hábitos passaram a ser construídos em meio a brincadeiras, cuidado diário e convivência.

Acolhimento como proteção

A servidora pública Sheila Sharadine participa do serviço há um ano e viveu recentemente o primeiro acolhimento: uma criança de 4 anos permaneceu por dois meses sob os cuidados da família.

“O desejo materno em querer ajudar uma causa me levou a participar. Esse foi o meu primeiro acolhimento e isso representou para mim uma grandeza de coração, uma humanidade enquanto pessoa poder acolher essa criança em um momento de vulnerabilidade para ela poder se sentir segura e protegida”, relata.

Crédito: Sabrina Linhares

Sheila Sharadine participa do serviço há um ano e viveu recentemente o primeiro acolhimento

Ela destaca que o vínculo afetivo criado durante o acolhimento é natural, mas reforça a importância da preparação oferecida pela equipe técnica do serviço.

“O apego pela criança é normal, representa o cuidado e a gente recebe todo o preparo da equipe da Família Acolhedora durante as formações. Amor e proteção é o que define”, afirma.

Após o período de acolhimento, a criança retornou à família de origem e hoje está sob os cuidados da avó, Alderina Costa.

“Foi muito difícil ficar longe da minha neta, mas o que me confortava era saber que ela estava em boas mãos, com pessoas capacitadas, que estavam cuidando dela. Hoje estou muito feliz em poder estar com a minha neta de volta”, emociona-se.

Crédito: Sabrina Linhares

Após 2 meses com uma Família Acolhedora, criança de 4 anos retorna para família de origem

LEIA MAIS:

Prefeitura entrega 4.000 playgrounds e 850 notebooks na rede municipal

Jurunas recebe nova frente de obras do Viva Bairro

Direito à convivência familiar

Segundo a psicóloga da Família Acolhedora da Funpapa Roberta Brito, o serviço funciona como medida de proteção para crianças que sofreram algum tipo de violação de direitos.

“Família acolhedora é uma medida de proteção quando as crianças sofrem alguma violação de direitos. É importante que sejam colocadas sob proteção para averiguar a situação e elas possam retornar à família, mas longe das situações de violação que as trouxeram aqui”, explica.

Ela ressalta que o acolhimento familiar oferece um ambiente mais próximo da convivência cotidiana e do desenvolvimento afetivo e que o principal propósito do serviço é garantir proteção e dignidade à infância.

“A Família Acolhedora é uma modalidade que muda a lógica do acolher, pois coloca no formato familiar e não em uma instituição. A criança se adapta mais facilmente e se reconhece em família do que em uma instituição com outras crianças”, destaca.

Para Roberta, o principal propósito do trabalho é garantir proteção e dignidade à infância. “O que me move é a luta para que a infância tenha seus direitos e proteção, para que seu começo de vida seja o melhor possível”, afirma.

Crédito: Sabrina Linhares

Psicóloga da Família Acolhedora da Funpapa, Roberta Brito

”Mudou completamente a nossa vida”

Há dois anos no programa, Rayane Lima já acolheu nove bebês. O mais recente chegou à família com apenas 11 dias de vida.

“Sempre gostei de cuidar de bebês, trabalhei como babá durante muitos anos, e entrar no serviço de Família Acolhedora mudou completamente a minha vida, deu um sentido a mais”, conta.

Mãe atípica de um menino de 6 anos, ela revela que inicialmente tinha receio de como o filho reagiria à chegada dos bebês na casa.

Crédito: Paula Lourinho

Bebê de 11 dias acolhida na família da Rayane Lima

“Eu me preocupei muito com ele, achava que poderia sentir ciúmes, mas foi totalmente diferente. Ele já era carinhoso e ficou ainda mais. Foi muito bom para o desenvolvimento dele. Hoje meu filho já consegue contar histórias para os bebês”, relata.

Raiane também conta que o acolhimento impactou positivamente toda a família, inclusive a mãe dela, que enfrentava um quadro depressivo.

“A chegada deles em casa fez com que ela saísse do quadro depressivo. Deu um outro sentido na nossa vida. O que importa é o bem que a gente faz. A gente pode fazer a diferença na vida de alguém, mesmo que seja por um período curto, já faz diferença na vida deles. É um sentimento único”, afirma.

Crédito: Paula Lourinho

Rayane Lima acompanhada de sua mãe, Raimunda Lima, e a bebê com apenas 11 dias de vida acolhida recentemente

Rede de proteção à infância

O Serviço de Família Acolhedora prioriza o cuidado individualizado e humanizado, evitando a institucionalização prolongada de crianças pequenas e fortalecendo vínculos afetivos essenciais para o desenvolvimento infantil.

Além do acolhimento dentro das residências, as famílias recebem acompanhamento técnico multiprofissional durante todo o processo. O serviço também atua integrado à rede de assistência social e ao sistema de garantia de direitos.

O acolhimento é temporário e não se trata de adoção. O principal objetivo é garantir proteção enquanto a situação familiar da criança é acompanhada judicialmente.

Mais do que acolher temporariamente, as famílias participantes ajudam a reconstruir sentimentos de segurança, pertencimento e esperança em uma fase decisiva da vida dessas crianças.

Serviço:

II Seminário Municipal sobre Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora

Data: 2 e 3 de junho

Horário: 8h às 12h e das 14h às 17h

Local: Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), na travessa Antonio Baena, 1113 – Marco, Belém.

Texto: Matheus Maciel – Ascom/Funpapa

Colaboração: Sabrina Linhares
Última edição por: Syanne Neno

Compartilhe: 

Veja também

Pesquisar